IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 20/2/2016
 

O Jejum na Espiritualidade Metodista

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Steve Harper é um metodista americano especializado em espiritualidade cristã. Lecionou Formação Espiritual e Estudos Wesleyanos para estudantes de teologia cristã há mais de trinta anos. Ele é natural do Texas, graduando-se em 1966 na Haskell High School e na McMurry University, em Abilene em 1970. Ele recebeu seu Mestrado em Divindades do Seminário Teológico Asbury em 1973, e o Doutorado em estudos de Wesley na Duke University em 1981.

Em seu livro “Devotional Life in the Wesleyan Tradition”, publicado em 1983, trabalha a Espiritualidade de Wesley e de sua primeira irmandade metodista. 

Neste livro ele tem um capítulo voltado para a Espiritualidade Metodista do Jejum. Desejo destacar apenas algumas partes deste capítulo (Este livro está no site da Igreja Metodista de Vila Isabel, em português e na íntegra).

É importante destacar que a prática do jejum é bíblica e metodista. Todo metodista deveria desenvolver semanalmente a prática do jejum conforme tradição dos primeiros metodistas. Isto seria um grande caminho de renovação espiritual da igreja. 

Wesley tinha incluído o jejum entre os cinco meios institucionais da graça. Ele estava convicto de que o jejum era "perfeitamente enraizado na igreja de Deus" e praticado pelo próprio Cristo (Mt 6.16). Isto era motivo suficiente para justificar esta prática em seus dias.

Wesley acreditava que a prática do jejum representava um auxílio decisivo no crescimento espiritual.

O tratamento mais sistemático que Wesley deu ao jejum está em seu sétimo discurso sobre o Sermão do Monte. Este sermão faz parte dos Sermões Principais, que oferece outros significados doutrinários ao seu conteúdo. Ele reconhecia a definição fundamental de jejum na Bíblia: abstenção de alimento. Ele também estava ciente de que a Bíblia continha exemplos de práticas adicionais que acompanhavam o jejum, mas que não tinham, necessariamente, uma ligação com ele. 

A sua principal preocupação era a de defender o jejum como uma disciplina em si própria e sem adornos adicionais. Wesley estava consciente de que a duração do jejum variava muito nas Escrituras, chegando ao extremo de durar quarenta dias e quarenta noites. Mas ele acreditava que a prática mais comum era a de jejuar por um dia, de manhã até o anoitecer. Ele não só encontrou sustentação bíblica para isto, mas também evidências de que esta era a prática mais comum da igreja primitiva. 

Wesley sabia que quartas e sextas-feiras eram amplamente reservadas ao jejum pelos primeiros cristãos, e que a estes eram acrescentados outros dias de jejum ao longo do ano. Biblicamente, Wesley estava disposto a reconhecer vários tipos de jejum. O mais comum era não comer qualquer alimento durante o período designado para o jejum. E importante notar que Wesley não se opunha ao uso de líquidos durante o período, mesmo sabendo que poderia haver ocasiões em que a pessoa não comeria nem beberia nada. 

O segundo tipo era a abstinência, que ele achava que poderia ser usado quando a pessoa não podia observar um jejum completo. Uma pessoa doente poderia escolher esta forma. É interessante que Wesley não conseguiu encontrar exemplos deste tipo de jejum na Bíblia, mas ele escreveu: "Não ocorre nenhuma passagem nas Escrituras alusiva a tal prática, mas não a posso condenar, desde que a Escritura não o faz. Ela pode ter sua utilidade – e sem dúvida recebe a bênção de Deus”. O terceiro tipo era abstenção de alimentos de prazer. Este tipo de jejum era usado nas Escrituras por aqueles que não queriam se contaminar com refeições faustosas. 

O que Wesley mais queria realçar na vida devocional era a ligação entre o jejum e a oração. É por isso que os crentes poderiam dedicar-se a jejuns regulares, sem esperarem por uma crise espiritual que os levasse a jejuar. 

Ele seguia o costume da Igreja Anglicana que encorajava o jejum às sextas-feiras, durante a Quaresma, os quatro dias de têmporas e os três dias anteriores à comemoração da ascensão de Cristo. 

Entre 1725 e 1738, quando Wesley estava conscientemente moldando suas práticas a partir da igreja primitiva, ele jejuava às quartas e sextas-feiras. Depois de 1738, contudo, ele parece ter retornado à prática do jejum às sextas-feiras. Em suma, Wesley foi um fiel exemplo de homem de oração e jejum e exortava os primeiros metodistas a que também o fossem.

Tomando uma sexta-feira como exemplo, podemos reconstruir os principais aspectos dos períodos de jejum de Wesley. Ele começava a jejuar após o jantar da quinta-feira. Geralmente ele não voltava a comer até sexta-feira à tarde, quando tomava chá. Mas, como já vimos, Wesley costumava beber algo durante o jejum (água, chá ou caldo) se achasse que isso era necessário para a sua saúde. A ênfase principal estava em dedicar aquele tempo à oração. Segundo Wesley, o propósito geral era que (o jejum fosse) “...observado em função de Deus, com os nossos olhos fitos nele. Que a nossa intenção seja esta, e só esta, de glorificar o nosso Pai que está nos céus; de expressar a nossa tristeza e vergonha pelas nossas muitas transgressões da sua lei santa; de esperar um aumento da graça purificadora, trazendo as nossas afeições mais perto das coisas do alto; de aumentar a seriedade e empenho das nossas orações; de desviar a ira ele Deus, e de obter todas as grandes e preciosas promessas que Ele nos tem feito em Jesus Cristo.” 

Partindo do princípio de que aquilo que aprendia isto também ensinava, Wesley encorajava os primeiros metodistas a incluírem o jejum em sua formação espiritual. Nas Regras Gerais de 1743, Wesley encorajou as Sociedades Unidas a praticarem o jejum como uma forma de "dar atenção a todas as ordenanças de Deus." Nas Regras, Gerais Wesley não especificou a época, frequência ou duração do jejum. Mas muito cedo neste movimento, a sexta-feira veio a tornar-se o dia de jejum para o metodista.

Em 1744, quando Wesley dirigiu a primeira Conferência Anual, ele abordou a questão do jejum. Escreveu: Deus “encaminhou-vos ao jejum no começo da vossa jornada. Com que frequência jejuais? Todas as sextas? Em que grau? Eu decidi comer somente legumes às sextas-feiras, e somente torrada e água pela manhã”. Nessa altura da sua vida podemos perceber que Wesley praticava a abstinência mais do que o completo jejum e recomendava o mesmo aos seus pregadores na Conferência. 

Nós, metodistas do século XXI, precisamos redescobrir os benefícios espirituais da prática semanal do Jesus. 

Fica para nós o conselho do Senhor Jesus: “Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, ...e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente” (Mt 6.17-18).

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