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Páscoa
Rio, 25/3/2016
 

Minha Festa de Páscoa

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

A Páscoa da minha infância era bem diferente. Na sexta-feira santa a mamãe não fazia jejum. Tínhamos apenas abstinência de carne. 

Era comum a gente comer Mulato Velho (bagre curtido e salgado) com batatas, pirão de peixe e canjica com amendoim na sobremesa.  No sábado saíamos pelas ruas procurando os engraçados bonecos de Judas. Cada um que encontrávamos nos postes era uma festa. Ainda no sábado, subíamos as montanhas para pegar flores silvestres, hortênsias e margaridas para colocar em uma caixa de sapato. Era o ninho do coelhinho. O cheiro das flores era muito mais gostoso do que o cheiro do chocolate. Meu pai comprava um ovo para cada filho e um coelhinho de chocolate.

Era uma Páscoa sem Jesus. Nunca lemos a Bíblia Sagrada. Este livro não existia em nossa casa. Não tínhamos nenhuma pratica cristã. Nem mesmo oração. Eu ficava de longe, na sexta a tardinha, vendo um grupo de luzes andando lentamente pelas ruas de Cascatinha, um lindo bairro de Petrópolis - RJ. Meus pais nunca me explicaram o que era; apenas falavam que era uma procissão. Procissão de que? Não sabia. 

Assim era a minha Páscoa. Com flores, com tradição, com ninho de coelhinhos, com carne de frango e peixe na sexta-feira. Contudo, era uma Páscoa sem Jesus.

Hoje aprendi o que existe desde o segundo século da era cristã. Comemoramos a Páscoa a partir do Tríduo Pascal da Quinta-feira Santa: o santo culto da instituição da Santa Ceia. O segundo dia é a Solenidade da Sexta-feira da Paixão. Dia de ficarmos ao lado das passagens bíblicas examinando o sofrimento do Senhor por amor. No sábado à noite, celebramos a Páscoa da Ressurreição com a Santa Vigília Pascal e a Renovação do Pacto Batismal. No Domingo, pela manhã e à noite, cantamos o “Aleluia”. É o Domingo da Páscoa. 

Mas a Páscoa não termina com este domingo. Os oito dias, contando com o Domingo da Ressurreição, são chamados de Oitava Pascal. Oito dias de alegria. Os seis domingos seguintes são conhecidos como Tempo Pascal. É a festa da Páscoa que se estende até a Ascensão de Cristo e o Pentecostes. 

Hoje vivo estas datas santas em minha casa com minha família. Decoro tudo com as cores litúrgicas. Tenho um paninho litúrgico, semelhante ao do altar da Igreja, em uma mesinha do meu quarto. Na Quaresma a casa se transforma na cor orante do roxo. Na Páscoa as flores brancas e amarelas invadem nossa casa. Cantamos. Lemos orações, textos bíblicos e vivemos a intensidade da Semana Santa e da Ressurreição.

O peixe da sexta-feira santa continua existindo. Como também a canjica. O ninho do coelhinho está por todo lado da casa. E sempre recebemos, fabricamos e presenteamos com ovos de Páscoa. Sempre fizemos festa com as crianças e com os amigos. 

Contudo, agora a nossa Páscoa é mais viva, mais significativa.

Seguimos ao Senhor Jesus, que está vivo o ano inteiro. Por isso, na liturgia, todo domingo é Páscoa. Todo domingo é túmulo vazio. Todo domingo é pedra removida. Vivemos a liturgia em família. Nossa casa é orante e litúrgica. E fazemos na Igreja o que celebramos em casa. Vivemos em casa o que pregamos na Igreja. É esta coerência pascal que faz a vida ser um pouco mais bela. 

Feliz Páscoa! Jesus ressuscitou! Ele ressuscitou realmente!  

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