IGREJA METODISTA DE VILA ISABEL
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Batismo
Rio, 10/3/2007
 

O batismo cristão (Rev. Clóvis de Oliveira Paradela)

ZZ Outros Colaboradores ZZ


 

O BATISMO CRISTÃO

* Clóvis de Oliveira Paradela

1) INTRODUÇÃO

O batismo cristão ainda tem sido um divisor de idéias entre cristãos de diferentes denominações. Os motivos dessas divisões se dão basicamente pelas diferentes maneiras de compreender as formas de batismo.

As Igrejas cristãs têm utilizado 3 formas de batismo: aspersão, imersão e afusão, sendo essa última uma forma incomum na cristandade brasileira.

Com esse ensaio quero destacar porque creio que a aspersão é a forma que melhor simboliza o batismo e por isso creio ser a forma neotestamentária de batizar.

Com essa afirmação não quero desmerecer as outras formas de batizar, porque também creio que a forma é secundária. O importante é a essência do batismo que é o batismo do coração, que se passa no interior do crente.

Principalmente para os imersionistas que estão lendo esse trabalho gostaria de destacar logo na entrada que aceito o batismo imersionista também, mesmo não crendo que essa forma tenha sido utilizada no período neotestamentário. Quando em minha igreja recebo crentes que foram batizados por imersão, recebo com alegria na certeza que foram igualmente batizados como se tivesse sido por aspersão. Com isso quero dizer que não vejo “hierarquia” nas diferentes formas de batizar.

Gostaria ainda de destacar que o interesse de escrever sobre esse assunto veio a partir da monografia do Rev. Eloy Heringer Frossard, pastor da I Igreja Presbiteriana de Juiz de Fora. Fui inicialmente as mesmas fontes da monografia o que me permitiu compreender melhor alguns conceitos.

Após essa abordagem convido o leitor a caminhar comigo nessa exposição.

2) O SIGNIFICADO DA PALAVRA BATISMO

A palavra batismo pode assumir vários significados, dependendo do contexto onde a palavra está inserida.

A palavra batismo tem diversos significados literais. Pela dificuldade de encontrar uma palavra em português (e em Inglês) que seja fiel tradução literal de “baptizo”, os tradutores preferiram deixar em português a palavra “batismo” ou “batizar”.

A palavra grega “baptizo” é derivada da palavra “Bapto”, que por sua vez é derivada de “bafe”, e que significa literalmente tingir, podendo ser por imersão ou de outra forma qualquer. A palavra ganhou o significado de “molhar”.

“Bapto está registrada en los léxicos como la palabra de la que se deriva ‘baptizo’. Pero aún bapto no significa originalmente ‘imersión’. Los léxicos más importantes y completos registran ‘bapto’ como derivado de ‘bafe’, que significa ‘teñir’. Solamente vino a tener un sentido de ‘sumergir’, debido a que una forma común de teñir era subergiendo el material en la tintura. La idea original de la raiz era la de transformación obrada en un objeto al cambiarle su color. Veremos que esta idea básica de transformación persistió en la palabra baptizo, y es essencial en ella. Puede encontrarse que aún la misma palabra bapto significa outra cosa que ‘imersión’, en la Escritura. En Daniel 4:33, en la versión Septurginta, la versión griega del Antigo Testamento en uso durante la época de nuestro Señor, describe el humedecimento del cuerpo de Nabucodonosor com el rocio del cielo, usando bapto por ‘humedecer’. La palavra no llevada la idea de ‘imersión’ o ‘zanbullir’”. (SMALL, 1959. p. 15).

No novo testamento esse “molhar” quer dizer “lavar” como símbolo de purificação. Da mesma forma que a tinta passa suas características para o tecido, simbolicamente o crente que passa pelo batismo ganha as características da água em sua pureza e “vida”. Da mesma forma no batismo com o Espírito Santo, o crente ganha as características do Espírito de Deus. Fica marcado, “tingido” por ele. Portanto, a água simboliza o Espírito Santo, que é quem realmente purifica e lava os pecados. O crente batizado assume as características ou marcas do Espírito Santo e a pureza da água.

Por isso o verdadeiro batismo é o do coração, o do Espírito Santo. É algo que acontece no interior da pessoa. A cerimônia com água é apenas um símbolo e não a essência do batismo.

3) O QUE É BATISMO

Batismo é um ritual de entrada numa nova condição de vida. É, portanto, um ritual de ingresso.

O batismo é “um sinal visível da graça de Deus”.

Quando somos alcançados pela Graça de Deus, damos entrada em uma nova vida em Cristo, deixando para trás o velho homem e nos tornando uma nova criatura, com novos conceitos e novos comportamentos compatíveis com a vontade de Deus.

Portanto, batismo é um testemunho ao mundo de que pertencemos a Deus e que sendo acolhidos por ele, ingressamos em um novo estágio de vida que nos garante a herança da vida eterna.

O Significado do Batismo Cristão

O batismo Cristão tem significados diversos presentes no mesmo ato. As vezes algumas pessoas, erroneamente, falam dos significados como se em batismos diferentes relatados na bíblia pudesse o ato assumir também diferentes significados. Portanto são significados que convivem concomitantemente no mesmo ato ou na mesma cerimônia.

a) Sinal e selo de comunhão

b) Identificação com Cristo na sua morte e ressurreição

c) Entrada em uma nova condição de vida

d) Purificação.

O novo testamento nos dá pistas de que o batismo substituiu a circuncisão da antiga aliança. Essa circuncisão era símbolo de sinal e selo de comunhão estabelecida na libertação do Egito. Da mesma forma quando saímos do Egito do pecado e decidimos caminhar em direção a Canaã celestial nós demonstramos o sinal e selo de comunhão.

No que se refere a identificação com Cristo, vale ressaltar que os imersionistas comumente destacam essa identificação como sendo o único significado do batismo e vendo nisso a justificativa para a imersão, simbolizando a morte, sepultamento e ressurreição. Sem querer desmerecer a beleza do rito, porque realmente é um ritual bonito e “forte”[1], gostaríamos de destacar que quando voltamos a época de Jesus não faz muito sentido essa “ilustração” pela forma, porque Cristo não foi sepultado nos moldes que nós fazemos hoje. Ele não foi envolvido pela terra como a água faz. Ele foi colocado em uma gruta. Portanto esse rito ganha “força” mais na nossa cultura atual do que pelos costumes da época de Jesus.[2] Cristo não foi imergido na terra, mas colocado em uma gruta.

No batismo nós somos imersos em Cristo e nesse batismo não há previsão ou recomendação da emersão (saída), mas somente da imersão (entrada). Quando falamos que somos imersos em Cristo de maneira alguma queremos dizer que a palavra batismo tenha significado literal de imersão. Da mesma forma que no batismo nos identificamos com Cristo na sua morte na cruz e nem por isso damos significado literal a palavra batismo como sinônimo de crucificação.

A nossa identificação com Cristo se dá na entrada em uma nova condição de vida não mais comandada pelo pecado, mas pela vida em Cristo.

Na época de Cristo o batismo tinha também um significado de purificação. O texto em João 3.22-30 destaca a dúvida entre um judeu e um discípulo de João. A dúvida era a respeito da purificação e era se Jesus tinha ou não autoridade para batizar. Nesse relato de João fica bem claro o significado de batismo como cerimônia de purificação. Veja também: At 22.16; At 2.38; I Co 6.11.

O termo “muitas águas” em Jo 3.23, quer dizer “muitas fontes” . Não quer dizer de forma alguma que tem água o suficiente para imergir, como querem fazer crer os imersionistas.

Podereis manusear qualquer dicionário bíblico que seja bom, e descobrireis que a palavra Enon significa “fontes”, e a palavra “muitas” é de uma palavra grega que tem esse sentido. Enon, uma terra de muitas fontes. A lei requeria que a água para o batismo fosse retirada de água corrente. Enon preenchia facilmente as exigências para que João batizasse. Se pedirdes a alguém indique o nome de um rio em Enon, havereis de ver quão difícil tarefa é a sua (SWIFT: 1956 p. 22).

4) ANTECEDENTES JUDAICOS SOBRE O BATISMO

O batismo não foi um rito novo iniciado na época de Jesus. Se fosse assim certamente teríamos no novo testamento registros de reclamações de judeus sobre prática de rituais estranhos ao judaísmo. Teríamos pessoas perguntando “que novo rito é esse”?[3] No entanto isso não aconteceu o que nos leva a compreender que a prática era conhecida pelos judeus.

Separar ou “desconectar” batismo de uma herança de rituais judaicos é perder a oportunidade de compreender o seu verdadeiro significado.

Para entender o batismo devemos buscar os antecedentes judaicos de seus rituais de purificação e de entrada em uma nova condição de vida.

Sobre práticas judaicas, destacamos:

3.1) Era com “Água Viva”. (veja em Números 19.17 a 22)

O Judeu não entrava em água parada, porque água parada era sinal de impureza e morte.

Para se banhar, o judeu entrava na tina e derramava água sobre si.

Água viva era água em movimento.

Por isso no tanque de Betesda (casa de Misericórdia) para se purificar da doença o enfermo somente se jogava na água depois do anjo movimenta-la e torna-la água viva. Somente o primeiro conseguia se purificar, porque os outros entravam na água impura pelo primeiro que se jogou. (Jo 5.1-4)[4].

3.2 ) O lavar purificador era por aspersão

Todos os versículos de purificação do antigo testamento referem-se a aspersão. A única exceção foi Naamã que se mergulhou no rio sete vezes para se ver livre da lepra. Vale ressaltar que Naamã não era judeu e por isso não conhecendo a tradição e os costumes judaicos se “lavou” por imersão.

O Salmo 51 serve-nos como um exemplo de como era a purificação. Davi após ser repreendido pelo profeta Natã, por ter adulterado com Bate Seba, pede a Deus que o purifique do seu pecado. A expressão “purifica-me com hissopo[5] e ficarei limpo, lava-me e ficarei mais alvo que a neve” (Sl 51.7), referia-se a prática de pegar um galho de planta, molha-lo na água e aspergir sobre a pessoa. Para ele esse era o ato para lavar e ficar limpo do seu pecado. Também era um ato de entrada em uma nova condição de vida, agora não mais sujo, mas lavado dos pecados pela aspersão de águas.

Portanto para o judeu a água era instrumento de purificação (lavar regenerador) e de entrada em uma nova condição de vida.

5) O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Creio que antes de falar sobre o assunto precisamos compreender bem quem é o Espírito Santo. Ele é o próprio Deus. Jesus falando aos seus discípulos sobre sua morte e ida para o céu, falou que voltaria, juntamente com o pai, e faria morada no coração do crente: “Respondeu-lhes Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” Jo.14.23. O Espírito Santo é Deus Pai e Deus Filho fazendo morada em nós e estando presente em nosso meio.[6]

O batismo com o Espírito Santo é o lavar regenerador que acontece no interior da pessoa quando Deus vem ao seu interior. O pecado é retirado, lavado, e a pessoa se torna em condições de ganhar a vida eterna, ver a face de Deus e ser visto por Deus não com os seus pecados, mas como “santos, inculpáveis, irrepreensíveis” (Cl 1.22), cujo pecado já foi castigado em Jesus que pagou o preço da morte em nosso lugar e o seu sangue derramado nos lava e purifica. (Veja também Ap 7.14)

O batismo com o Espírito Santo normalmente se refere a entrada do Espírito Santo em nossa mente e coração e na nossa entrada nos benefícios da Graça de Deus. Mas a purificação que ele trás é algo contínuo, dinâmico, que perdura em toda a nossa jornada de santificação em direção a perfeição cristã em amor. Isso pode ser confirmado em I Jo 1.7.b “e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”. Purifica não uma só vez, mas quer dizer que vai purificando continuamente. O Sangue de Cristo é uma maneira simbólica do Espírito Santo. Então, o batismo com o Espírito Santo não é um momento mas um processo contínuo do lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.

Na correlação do batismo com o Espírito Santo com o batismo com água podemos perceber a “força” do símbolo do derramamento como símbolo do lavar regenerador, da purificação, enfim, do verdadeiro batismo. No ritual visível a água representa o Espírito Santo. É importante ressaltar que em momento algum na bíblia o batismo com o Espírito Santo sugere imersão, mas o termo derramamento vem sempre acompanhando. Confira em At 2.17; Tt 3.5; At2.32,33.

6) A FORMA DE BATISMO

Gostaria de refletir sobre a forma que considero melhor representar o batismo Cristão e até mesmo porque creio ter sido a forma utilizada no período neotestamentário.

Com isso não gostaria de ser compreendido como alguém que advoga uma forma única verdadeira, desprezando as outras. Creio que quem crê em Jesus Cristo, o aceitou como salvador e senhor, foi batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e no ato foi molhado com (ou na) água, foi batizado verdadeiramente testemunhando ao mundo que pertence a família de Deus. Creio que os que foram imergidos no ato do batismo foram batizados. Da mesma forma os que passaram pela ablução (afusão). Também creio que essa deveria ser a maneira de cada igreja encarar a questão, mesmo as que fizeram opção pelo batismo por imersão que a meu ver deveriam aceitar sem rebatizar os que foram batizados por aspersão ou afusão.

Mesmo tendo feito essa colocação, peço licença aos irmãos imersionistas para as seguintes considerações:

6.1) A Fragilidade da defesa da Imersão como a forma neotestamentária de batismo

Os imersionistas afirmam que a palavra grega “baptizo” que aparece na grande comissão e no novo testamento quer dizer imersão.

Em alguns textos fica impossível defender essa “tradução”[7]. Vejamos:

a) Lc 11.38: “O fariseu, porém, admirou-se ao ver que Jesus não se lavara primeiro, antes de comer”. A palavra traduzida como “lavara” no original grego é “baptizo”. Esse “baptizo” era aspersão de água sobre as mãos. As mãos não eram imergidas em uma bacia ou similar, mas a água era aspergida sobre as mãos. Confira em Mc 7.1-5[8]

b) Em Mt 3.1 / Mc 1.8: João como profeta da antiga dispensação, praticava os ritos desta.

c) I Co 10.2: “Tendo sido batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés”. O povo de Israel passou pelo mar a pés enxutos (Ex 14.29). Quem foi imergido foram os carros de Faraó (Ex 14.28). “Os Israelitas estiveram ‘debaixo da nuvem’ (I Co 10.2) e ‘as nuvens derramaram água’ (Sl 77.17)” .(SWIFT: 1956 p. 16)

d) At 1.5: João batizava com água e Jesus com o Espírito Santo. O batismo com o Espírito Santo a bíblia fala claramente que é pelo “derramamento do Espírito”.

e) At 2.41: foram 3.000 batizados que não seriam imersos em tanques porque o judeu não entraria em água parada. Somente se purificava em “água viva”.

Não é razoável crer que naquela época do ano houvesse água em Jerusalém, exceto nos tanques públicos, e quem poderia crer que os inimigos daquele movimento, autoridades de Jerusalém, cedessem os tanques para serem contaminados? As multidões da cidade tinham de usar aquela água para cozinhar e beber. (SWIFT: 1956 p. 24)

A imersão de três mil pessoas em uma cidade tão esparsamente abastecida de água, como Jerusalém, é tão inconcebível como uma procissão além dos muros até Cedron ou Siloé, para esse propósito.(SWIFT: 1956 p. 23)

f) At 8.26-40 – Os imersionistas utilizam muito esse texto, mas vejamos as observações de Swift:

A crosta da terra é tal que não há nenhum sinal de jamais ter havido um rio naquela parte da Palestina. Os viandantes que passavam por esse caminho dir-vos-ão que, onde Felipe batizou o Eunuco há um veio de água que sai do lado da montanha e que, em um buraco, há regularmente água bastante que dá para dessedentar um cavalo. (SWIFT: 1956 p. 22)

g) At 9.18: Paulo levantou-se e foi batizado. No original grego não deixa dúvida que nada houve entre a ação de levantar e ser batizado. Não houve, por exemplo, deslocamento para um tanque ou rio.

h) I Jo 5.8: “há três que dão testemunho na terra, o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito”. Que propósito é esse? Sinal (selo), purificação, entrada nos benefícios da Graça de Deus. Se o Sangue e o Espírito são derramados, por que o testemunho com a água seria de outra forma?

i) At 16:22,23: o carcereiro e a família sairiam de madrugada para se mergulhar em águas frias correntes de um rio? Deixaria o presídio sozinho? Conforme vimos anteriormente, entrar em uma banheira não entraria porque não entrava em água parada. O carcereiro não deixou a cadeia porque se assim o fizesse seria morto pelos seus superiores (SWIFT: 1956 p. 26).


Erro comum de leigos imersionistas:

Um erro muitas vezes cometido por leigos imersionistas (teólogos não caem nessa) é ler o “nascer da água” em Jo 3.5 como a “emersão” que segue a imersão no batismo (imersionista). No texto o nascer da água significa o parto natural ou o romper da bolsa d’água da mulher. O texto fala do nascer natural (da água) e o nascer espiritual (do Espírito)


6.2) O batismo de Jesus foi por derramamento

a) Existem vários quadros do primeiro século da era Cristã sobre o batismo de Jesus. Em todos eles, sem exceção, aparece João Batista com uma cuia derramando água sobre a cabeça de Jesus.

As pinturas ou desenhos dos Cristãos primitivos encontravam-se nas catacumbas de Roma(...) (...) Três dessas pinturas, feitas logo depois dos últimos dias dos apóstolos, foram descobertas quando foram destruídas as cavernas do subterrâneo. João ainda era vivo quando foi feita a primeira. Nas primeiras duas, feitas pelos cristãos primitivos, vê-se o que ministra o batismo de pé, em terra seca, derramando água sobre a cabeça do batizando. Na outra, vê-se o batizador de pé com água até junto dos seus tornozelos, derramando água sobre a cabeça do batizando, como nas duas primeiras cenas. O quadro que acompanha (...) (...) Em um dos primeiros e também no último desses quadros, vê-se a pomba celestial descendo sobre a sua cabeça.(SWIFT: 1956 p. 13)

b) Jesus era identificado como sacerdote. O Salmo 110 descreve o “reino e o sacerdócio do Messias”. O versículo 4 aponta o Messias como sacerdote segundo a ordem de Melquizedeque. O escritor de Hebreus é pródigo ao descrever Jesus como sacerdote segundo a ordem de Melquizedeque. Confira Hb 5.10; 6.20; 7.17.

Os levitas passavam pela aspersão de água (Nm 8.5-7). Jesus somente seria identificado como sacerdote passando por aspersão (ou derramamento) de água. Muitos teólogos afirmam que o destaque que os evangelistas dão que Jesus foi batizado com 30 anos é porque essa era a idade de consagração ao sacerdócio (Nm 4.47; Lc 3.23). Quando por ocasião de seu batismo Jesus falou “nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15), se referia a necessidade de passar pela aspersão de água para iniciar seu ministério ou o seu sacerdócio.

Quando Jesus purificou o templo e os judeus perguntaram com que autoridade fazia isso, referiu-se ele ao seu batismo por João, revestindo-o da autoridade de um sacerdote para ministrar as coisas do templo.

Constituía violação da lei qualquer pessoa que assumisse o ofício e deveres de sumo-sacerdote sem que primeiro fosse dedicado. Jesus jamais pregou um sermão, jamais escolheu seus discípulos, jamais pronunciou uma parábola, jamais curou um doente nem fez qualquer outra coisa semelhante antes de ser dedicado, porque ele respeitava a lei rigorosamente, a alei do Velho Testamento, a lei mosaica. Jesus disse aos seus discípulos obsecados: “Devem-se cumprir todas as coisas que serão escritas na lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos, a meu respeito”. Como alguém poderá redargüir que Cristo foi imergido, quando não havia lei para isso, está muito além da pobre imaginação deste escritor. (SWIFT: 1956 p. 15)


6.3) O batismo cristão neotestamentário foi por aspersão

a) Os cristãos receberam de Jesus a incumbência de dar seqüência aos seus ministérios profético e sacerdotal. Representamos Jesus hoje no mundo. Segundo Paulo somos, como Igreja, o corpo vivo de Cristo no mundo (I Co 27). Por isso em I Pe 2.9 somos chamados de “sacerdócio santo”. Em Mt 27.51 (Mc 15.38) o destaque do rasgar do véu do santuário mostra que o crente tem livre acesso a Deus, se tornando sacerdote[9]. Os sacerdotes passam pela aspersão de águas.

Em Lc 4 Jesus disse que se cumpriu naquele dia a profecia de Isaías 61. Em Is 61.6a está registrado: “Mas vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus”. Os discípulos de Jesus foram chamados ao sacerdócio. Como discípulos somos sacerdotes do nosso Deus.

b) A profecia de Ez 36.24-27 se cumpriu na nova dispensação e a forma de purificação (batismo) anunciada foi a aspersão de águas.

c) A imposição de mãos sempre teve destaque nos rituais judaicos e cristãos. No batismo por aspersão essa imposição se dá no ato do batismo.

7) Conclusão

Como procuramos demonstrar tanto o sangue purificador quando a água que simboliza o lavar regenerador a bíblia registra a forma aspersão.

Com isso não quero menosprezar as outras formas de batizar. A forma de batismo é secundária, o essencial é o batismo do coração. O importante é o testemunho de que fomos alcançados pela graça de Deus, que nos perdoou e nos lavou do pecado. Jesus derramou seu sangue para “nos purificar de toda a injustiça” (I Jo 1.9b).

A imersão, mesmo não sendo a forma neotestamentária de batismo, também simboliza a purificação e a entrada em uma nova condição de vida, sepultando o velho homem e ressuscitando um novo homem em Cristo. Sendo com água, que é o símbolo da purificação, o molhar por imersão se tornou também durante a história da cristandade um símbolo de purificação e entrada. Bons e consagrados crentes, inclusive vários teólogos respeitados, defendem essa forma de batismo e nem por isso estão “menos batizados” que os que passaram pela aspersão de águas.

Nunca batizei a ninguém por imersão, mas batizaria sem nenhum constrangimento, muito embora, conforme advoguei nesse ensaio, creio que a aspersão simboliza melhor o batismo cristão.

O mais importante de tudo é testemunharmos ao mundo que pertecemos ao Senhor e que o nosso maior projeto e vida é o projeto de Deus.

Encerro deixando uma poesia que fiz em 1977.


A OUTRA CONSCIÊNCIA
(Escrita em 1977 – Foi musicada e participou de um festival de músicas sacras em 1980, em Juiz de Fora - MG)

Dentro de mim

sinto algo a me empolgar.

ë uma força sem fim

que minhas angústias vem apagar.

Dentro de minha mente

sinto uma outra consciência

que me manda ir em frente

anunciar a sua existência,

para que todos saibam

que há um Deus,

e aqueles que o buscam

se sentem filhos seus.

Que Deus me dê mais inspiração

me tornando instrumento santo

para pregar a salvação,

e dizer ao mundo, enfim,

que é maravilhoso, Senhor,

sentir-te em mim.


8) Bibliografia

MARCEL, Pierre Ch. El Bautismo – Sacramento del Pacto de Gracia. Barcelona: Fundacion Editorial de Literatura Reformada, 1968

SHEDD, Russel. Notas de Rodapé. IN: Bíblia Vida Nova. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: S.R.Edições Vida Nova, 1976.

FROSSARD. Eloy Heringer. O Batismo Cristão. Juiz de Fora. Monografia de conclusão de curso. Juiz de Fora: Igreja Presbiteriana, 1986. Mímeo.

SMALL, Dwight Hervey. Las Bases Biblicas para el Batismo de Los Infantes. Londres: Fleming H. Revell Company, 1959.

SWIFT, W. G. Batismo por Aspersão e Batismo de Crianças. São Paulo: Imprensa Metodista, 1956.

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Clóvis de Oliveira Paradela é mestre em Administração pela EBAP/FGV, Diretor Geral do Campus Nova América da Universidade Estácio de Sá e Pastor da Igreja Metodista Bela Aurora em Juiz de Fora – MG

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