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Rio, 10/3/2007
 

Wesley se oporia à decisão do Concílio Geral (Missionário Stanley Fry)

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O ECUMENISMO DE WESLEY.

WESLEY SE OP0RIA À DECISÃO DO CONCÍLIO GERAL.

Stanley Fry *

Sou amigo dedicado de João Wesley e quero defender sua posição ecumênica contra a arrogância da rejeição, pela maioria dos membros do Concílio Geral, à Igreja Católica Romana e às organizações das quais ela e nós somos membros. Apesar disso, eu mesmo crítico outros aspectos da tradição Wesleyana. Portanto, não creio que esteja errado questionar Wesley, ou mesmo negar uma crença tradicional, quando cremos que ela esteja errada.

Por isso, não posso criticar as ações do Concílio Geral simplesmente por saírem da tradição Wesleyana do Metodismo, como muitos fizeram. Mas quanto ao espírito ecumênico, acredito que Wesley acertou em cheio. Isto quer dizer que se eu apelar a Wesley para protestar contra as decisões do Concílio, terei que depender de uma razão além da tradição. Isto é, as próprias palavras de Wesley precisam constituir a defesa da sua posição.

Perseguindo esse alvo, primeiro quero recomendar as palavras do Helmut Renders citadas por Suzel Tunes no Expositor Cristão de agosto/2006. Em segundo lugar, quero lembrar algumas coisas acerca do sermão de Wesley chamado “O Espírito Católico,” que Renders mencionou. Estas palavras de Wesley expressam o seu próprio raciocínio e também o meu.

Wesley usa a passagem de II Reis 10:15 na qual Jeú pergunta: “Tens tu sincero o coração para comigo, como o meu o é para contigo? Jonadabe responde: “Tenho.” “Então, se tu tens, dá-me a tua mão.”

Wesley então pergunta: “O que é que é certamente implicado nesta pergunta?” Sua resposta às suas próprias perguntas tem sete partes. “A primeira coisa implicada é esta. Tens o teu coração sincero para com Deus? Crês tu na existência dele e nas suas perfeições? Sua eternidade, sabedoria, poder; sua justiça, misericórdia, e verdade? . . .” 2. “Crês tu no Senhor Jesus Cristo, ‘Deus sobre tudo, abençoado para sempre’ ? É ele revelado na tua alma? Habita ele em ti e tu nele’?” 3. “É a tua fé . . . cheio da energia do amor? Amas tu a Deus?” . . . 4. “Está empregado no fazer, ‘não a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me mandou?’ ” 5. “O amor de Deus te constrange a ‘serví-lo com temor’? Regozijar-te nele com reverência?’ . . .” 6. “Teu coração é sincero para com teu vizinho? Amas todos os seres humanos como amas a ti mesmo, sem exceção? Se amas somente os que te amam, que gratidão mereces?” 7. “Demonstras o teu amor pelas tuas obras? Em todo o tempo e segundo tuas oportunidades, fazes tu ‘bem a todos os homens’ - vizinhos ou estrangeiros, amigos ou inimigos, bons ou maus? Fazes tu a eles tanto bem quanto possas? Tentando suprir todos os seus desejos, ajudando-os bem, no corpo e na alma, tanto quanto teu poder permita? Se tu tens tais intenções, que todo Cristão diga - sim, se tu sinceramente o desejas e seguindo até tu chegares - então tu tens o coração sincero para comigo como o meu é para contigo.”

A resposta de Wesley a estas perguntas é: “Se tu tens, dá-me a tua mão. Ele não diz: ‘Tenha a minha opinião’. Não precisas tê-la. Eu não o espero, nem desejo. Nem quero dizer, ‘Eu terei a tua opinião’. Não posso.. Guarda a tua opinião e eu guardo a minha, e a guardo seguramente como sempre. Nem precisas tu tentar passar a ter a minha, nem tentar trazer-me para a tua. Não desejo que tu disputes estes pontos, nem ouvir nem falar nenhuma palavra acerca deles. Deixa todas as opiniões dum lado ou de outro. Apenas dá-me a tua mão.”

Wesley, então, indo em frente, descreve o que significa o ‘Dá-me a tua mão’. “Ama-me . . . ama-me com uma afeição muito meiga, como a de um amigo que seja mais íntimo do que um irmão; como irmão em Cristo, como cidadão companheiro da nova Jerusalém . . . como companheiro no reino e na paciência de Jesus, e um co-herdeiro da sua glória . . . com o amor que agüenta tudo e é benigno, que é paciente, seja eu ignorante ou mau-guiado, apoiando-me e não aumentando o meu fardo. . .

“Quero dizer, em segundo lugar, recomenda-me a Deus em todas as tuas orações; luta com ele em meu favor, para que ele imediatamente corrija aquilo que vê de errado em mim e me supra do que me falta ..”

“Em terceiro lugar, provoca-me a amar e a fazer boas obras. Confirma tua oração quando tiveres oportunidade por me dizer em amor o que tu acreditas ser benéfico à saúde da minha alma . . .

“Quero dizer, finalmente, ama-me não somente em palavra mas em ação e em verdade.”

John Wesley distinguia freqüentemente entre as crenças essenciais e as opiniões. Isto ele faz outra vez neste sermão (embora as listas variem uma da outra e nunca são usadas como provas para identificar quem seja Cristão).

Wesley normalmente faz distinção entre o que é essencial e o que é simples opinião. Neste ponto eu apóio Wesley e creio que o espírito dele requer não só uma abertura em relação aos nossos irmãos e irmãs da Igreja Católica, mas recomenda as nossas orações e a nossa cooperação em tudo aquilo que for possível. Nada há em Wesley que possa ser usado para justificar a ação do Concílio Geral em tirar a Igreja Metodista do Brasil de todos os relacionamentos com a dita igreja. Na verdade, ele não desconhecia que, no seu próprio tempo, alguns de seus oponentes eclesiásticos o chamavam de “papista”

Também é claro que as mesmas atitudes com que devemos nos relacionar à Igreja Católica Romana devam governar também as nossas relações uns com os outros dentro da Igreja Metodista.

Espero que o leitor preste boa atenção às palavras de Wesley e deixe que elas falem aos seus corações e às suas mentes.

* Stanley Fry é um ex-missionário metodista no Brasil, agora aposentado.

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