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Vida Cristã
Rio, 10/3/2007
 

A Ceia do Senhor

Bispo Paulo Lockmann


 

A CEIA DO SENHOR
Bispo Paulo Lockmann

1) INTRODUÇÃO:

A Ceia do Senhor ou Comunhão é uma das experiências mais ricas vividas pelo cristão. Ela é uma expressão concreta do amor de Deus e da experiência de pertencer e ser parte de uma comunidade. Uma comunidade de irmãos e irmãs, a comunidade do povo de Deus.

Após o Pentecostes, o Livro de Atos dos Apóstolos ao narrar a vida dos Apóstolos e dos novos convertidos diz entre outras coisas: "... e perseveravam na doutrina dos Apóstolos, no partir do pão..." (Atos 2:42).

A experiência da Ceia do Senhor é o momento quando obedecemos a ordem de Jesus de repetirmos a refeição da última Ceia de Páscoa. Um encontro de profunda comunhão, amizade e intimidade de Jesus com os discípulos "E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim" (Lc 22:19).

Nesta Ceia do Senhor, portanto, recordamos toda a vida de Jesus entre nós. Recordamos sua Palavra, sua morte na cruz e sua ressurreição. Recordamos sua promessa de que iria preparar lugar para nós na Casa do Pai, e também a promessa de que não ficaríamos órfãos, pois seria derramado sobre toda Igreja e sobre toda carne, o Espírito Santo que consolaria, fortaleceria, edificaria e guiaria a Igreja de Jesus. Na Ceia do Senhor o pão e o vinho simbolizam seu corpo e sangue. Mas, juntos, são o cálice da salvação com o qual festejamos e celebramos a vitória do Salvador Jesus que venceu definitivamente a morte. É um aperitivo do banquete Messiânico! ( Lc 22:28-30; Mt 26:29).

A celebração da Ceia do Senhor aproxima a todos igualmente de Cristo e uns dos outros. Na Mesa do Senhor comemos do mesmo pão, bebemos do mesmo vinho, confessamos a mesma fé e esperança e confiamos somente em Jesus: somos irmãos e irmãs! Sim, neste ato celebramos a comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs. É um momento de profunda igualdade, unidade, comunhão e espiritualidade.

Em todo Novo Testamento se fala da unidade em torno de Jesus Cristo. Na ceia do Senhor é o momento concreto onde esta unidade se realiza.

Como cristãos cremos também que esta ceia irá se realizar em definitivo no momento escatológico (no futuro de Deus), após a segunda vinda de Jesus, na plenitude do Reino de Deus, quando veremos a Deus face a face e com ele cearemos no banquete messiânico. Jesus mesmo disse: "Pois vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no Reino de Deus" (Lc 22:16).


2) A IMPORTÂNCIA DA CEIA DO SENHOR NA VIDA DO CRISTÃO:

2.a) A Ceia do Senhor como denúncia
Nós vivemos num país onde milhares não tem o que comer. Muito menos uma mesa para sentarem-se em torno dela e desfrutarem dos bens e frutos da terra, dádivas de Deus a toda a criação. Muitos não têm trabalho, não têm terra para plantar nem casa para morar.

Por isso a Ceia do Senhor ao ser um espaço democrático e aberto, onde o pão e o vinho são servidos de graça (embora em porções simbólicas), produz por si mesmo um ato de denúncia que deveria ser mais explorado e aprofundado por todos os cristãos. Pois, ali nós oferecemos de graça, o que a sociedade discriminatória e cruelmente tem negado a muitos: o pão!

Por outro lado, a Ceia do Senhor deve soar em nossos ouvidos como uma denúncia contra os muros que nós construímos entre nós. Sejam os muros sociais, sejam os muros de idade, ou mesmo os de maneira de pensar (doutrinários, ideológicos, políticos, denominacionais, etc...). Pois, diante da mesa do Senhor, somos todos iguais, ou seja, pobres pecadores carentes da graça salvadora de Deus em Cristo.

A Ceia do Senhor além de denunciar as desigualdades e injustiças, ela propõe à igreja e ao mundo que ambos sejam um grande altar de comunhão, onde honramos a Deus como nossa fraternidade, amor e justiça. Pois, só assim será possível todos terem garantidos o pão, a educação, a moradia, o trabalho, a saúde, a liberdade, a vida, etc...

2.b) A Ceia do Senhor e o Compromisso Missionário
Se, por um lado, a mesa do Senhor é um tempo de reunião e unidade, ela é também um momento de envio. Na unidade do Corpo de Cristo os ministérios se convergem e se complementam. O cristão, homem ou mulher, alimentado pela graça é enviado ao mundo, em serviço. O dom e a prática do ministério fortalecem-se pela oração comunitária, pela partilha da Palavra, pela Comunhão do Pão e do Vinho. Cristo e a comunidade reafirmam a unidade e a força da graça. Sim, e no poder da graça, são enviados. Sem a visão da Mesa do Senhor, a Igreja torna seu testemunho ineficaz e sem unidade. A sua espiritualidade tende a secar-se no interior dos templos. "Que todos sejam um!" O objetivo da evangelização é tornar Deus o Pai Salvador de todas as pessoas e de todos os povos. Pois se as pessoas são filhas de Deus, forçosamente terão de ser irmãs e irmãos.

A Mesa do Senhor implica em pessoas chamadas e, em seguida, comissionadas por Deus. A Mesa do Senhor é, assim, uma atualização, uma rememoração do nosso chamado, da Missão. É é pela Missão e através dela que Cristo se faz presente. A Missão é pois, lugar de unidade, de fortalecimento, de serviço, de doação. A Mesa do Senhor não é portanto um convite para nos separarmos das pessoas e do povo ao qual somos chamados a servir, a evangelizar. Na verdade, a Mesa do Senhor é um comissionamento sob a graça de Deus: "Agora "ide a todo mundo e pregai o Evangelho!" A Ceia implica que tudo ( bens, templos, recursos, leis, saber, costumes, cultura ) deve estar a serviço da missão ao povo, dirigido às pessoas, e em função da vida e do Evangelho. Esses são os objetivos da comunidade da fé, da comunidade do Senhor, de todos os que em "dois ou três se reúnem, em nome de Cristo".

2.c) A Ceia do Senhor como parte central do Culto.
A Ceia do Senhor foi instituida por Jesus. João Wesley, por sua vez, recomendou a Ceia do Senhor como parte fundamental do culto cristão. Devia ser celebrada com devida freqüência. Sobretudo pelo que ela representa, ou seja, a recordação e a atualização da presença e da Palavra de Jesus, bem como da Missão da Igreja. Os metodistas celebram a ceia mensalmente, quase sempre no primeiro domingo do mês.

A Ceia do Senhor deve ser precedida de um momento profundo de contrição, arrependimento e confissão de pecados. Mesmo que já tenhamos, como é de nossa prática, no momento apropriado do culto, ou em nossos momentos particulares de oração, confessado os nossos pecados individualmente a Deus. Essa atitude de oração, abertura e acolhimento da presença de Deus deve permanecer também durante toda a celebração e de nossa participação na Mesa do Senhor.

A Ceia não deve ser tomada se nós não estivermos conscientes de que realmente estamos arrependidos de nossos pecados e que os tenhamos confessado a Deus. Sobre isto o Apóstolo Paulo nos diz:"Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice; pois quem come e bebe,sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si" (1Co 11:27-29).


3) A CEIA DO SENHOR COMO EXPERIÊNCIA DA PARTILHA.

Finalmente, o partir do pão e sua partilha (distribuição) a todos os que crêem, cria na comunidade um desafio. Jesus partilhou seu amor e perdão. E foi tão sério seu compromisso que Ele se dispôs a dar sua vida. Quando Jesus foi ameaçado para calar-se sobre seu amor por nós, preferiu obedecer ao Pai, mesmo sabendo dos riscos que tal decisão implicava: Jesus nos amou apesar da ameaça da cruz, Jesus nos amou ao ponto de morrer por isso, ao ponto de morrer por nós.

Isto traz para todos os cristãos um dever: a tarefa de imitarmos Jesus também nisso. Deus terá sempre uma resposta positiva de envio ( ide, amai, servi, evangelizai, etc) toda vez que nos perguntarmos: o que eu tenho para partilhar com o povo?

A Mesa da qual participamos é rica em graça, amor e fé. Será que nós ao participarmos desta mesa vamos engordar tão somente nossa própria fé? Ou de fato a mesa do Senhor ao nos fortalecer, dá a cada um de nós a capacidade de partilhar algo do muito que já recebeu?

Sim, participar da mesa, é partilhar do amor de Deus, que não pode esgotar-se em mim mesmo; precisa ser partilhado com os outros.

A partir do testemunho de como era a vida da comunidade cristã, relatada em Atos 2:42-47, podemos dizer que a Mesa do Senhor e a vida de qualquer comunidade cristã são sustentadas por quatro pés:

a) Partilha do pão (a própria Ceia do Senhor):
Perseveravam no partir do pão.

b) Partilha da Palavra:
Perseveravam na doutrina dos apóstolos.

c) Comunhão de bens (koinonia):
Perseveravam na comunhão, indo ao ponto de terem tudo (inclusive, bens) em comum. Também Atos 4:32-37 afirma que tudo entre eles era comum. Devemos ver também as "coletas"em Atos 11:29 e 2Coríntios capítulos 8 e 9.

d) Eram assíduos à oração:
Perseveravam nas orações. Oração cristã que pede que se realize a vontade de Deus ("venha o teu Reino; seja feita a Tua Vontade") e não que apenas nos livre do mal.

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