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Rio, 10/3/2007
 

Celebrar a Ceia do Senhor com Nossas Crianças (Documento da Igreja Luterana)

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CELEBRAR A CEIA DO SENHOR COM NOSSAS CRIANÇAS

(Pr. Reg. Lückemeier, Pr. Wilfried Buchweitz, Pr. Dr. Martin Dreher, Pr. Reg. Huberto Kirchheim e Srª Vera Roth, integrantes da Comissão Teológica designada para estudar a participação ou não das crianças na celebração da Santa Ceia na Igreja Luterana).

I – ASPECTOS FUNDANTES DA SANTA CEIA
1 – Uma das mais importantes características da atividade terrena de Jesus é a oferta de comunhão de mesa. Nesta oferta de comunhão de mesa, Jesus se dirige sempre e em primeiro lugar aos pecadores, daí ser caracterizado de “amigo de publicanos e pecadores” (Mt 11:19). Tal postura de Jesus é motivo de escândalo (Lc 19:1).

2 – Causa básica do escândalo é a bênção de mesa que se encontra no início de toda a ceia da qual Jesus participava. Esta bênção de mesa reúne os que partilham do mesmo pão em uma profunda comunhão, eqüivalendo a uma confissão: tem-se comunhão de interesses, comunhão de vida com os demais comungantes. Para os religiosos da época, Jesus torna-se impuro no meio de impuros. Na realidade é médico para os que precisam de médico.

3 – Através da comunhão de mesa, Jesus chama pecadores para o Reino de Deus, sem impor condições. Sempre que ele oferece comunhão acontece perdão. Disso decorre que na comunhão de mesa com Jesus há comunidade de pecadores. O que reúne a comunidade em culto não é sua dignidade. Comunidade é solidariedade visível de pecadores, chamados por Jesus. Os comungantes são desafiados a se deixarem buscar por Jesus, de mãos vazias, sem terem méritos.

4 – A comunhão de mesa nos dias terrenos de Jesus é interrompida de maneira violenta na Sexta-feira santa. É, por isso, que Mc 14:25 caracteriza a santa ceia como ceia de despedida. Como, porém, continua a comunhão com Jesus e a comunhão com Deus por Ele proporcionada? Como continua a haver salvação? As palavras de Jesus sobre o pão partido e o vinho derramado são respostas a tal pergunta, ao apontarem para novo tipo de comunhão. Não mais a comunhão de mesa, mas comer e beber o pão e o vinho passa a ser os meios da comunhão com Jesus.

5 – “Isto é o meu corpo”. Isto, o pão partido e comido é Jesus em sua existência histórica. Ao acrescentar “dado por vós (à morte)”, Paulo aponta para a dádiva da pessoa de Jesus como a encontramos em sua morte, morte que Jesus anunciara a seus discípulos já antes da ceia. Quem come do pão na santa ceia tem parte na existência histórica de Jesus e parte em sua morte na cruz.

6 – “Isto é o meu sangue da aliança que é derramado por muitos” (Mc 14:24). Sangue derramado é vida santificada, é morte (Lc 17:11). Jesus explica o significado salvador de sua morte: ela quer dar salvação “em favor de muitos”, ou seja, de todos (Is 53:12). Ela quer ser “aliança”, pois através de sua morte, Deus quer colocar toda a humanidade em uma nova relação para consigo (Jr 31:31), sendo impossível excluir as crianças. As palavras de Jesus sobre o pão e o vinho oferecem a mesma dádiva: o próprio Jesus. O próprio Jesus se oferece. Aqui há nova comunhão, novo tipo de comunhão: Jesus se dá a si mesmo como aquele que morreu por todos.

7 – Ao iniciar sua atividade terrena, Jesus reuniu discípulos, dizendo-lhes: segue-me! Na hora da despedida, ele lhes diz que deixará de participar de sua comunhão de mesa, mas se oferece a eles de uma maneira nova. A compreensão só lhes virá, quando se encontrar com eles de maneira totalmente nova; após a páscoa vai agir nos seus através do Espírito Santo. O Espírito Santo atuante na ceia nos torna participantes da vida, morte e ressurreição de Jesus e nos ajuda a compreender como aquele que morreu pode se oferecer de tal maneira a nós que “andamos em novidade de vida”.

8 – O impacto causado pela instituição da ceia foi tão grande na primeira comunidade que o culto cristão passou a ser uma ceia (At 2:42-46). Sabia-se da promessa do senhor ressurreto, experimentavam-se sinais da plenitude do Reino (comunhão e santidade) e esperava-se por sua vinda, quando o Reino será estabelecido em plenitude e a comunhão não mais terá fim.

9 – Em conseqüência do sentido que Jesus lhe deu, a ceia tem de ser sempre de novo repetida (1Co 11:24,25; Lc 22:19), por isso ele diz: “Fazei isto em memória de mim”. O israelita ao festejar a páscoa rememorava a ação histórica de Deus libertando seu povo do Egito. Este rememorar não era um simples recordar, mas fazer com que se repetisse a libertação de novas escravidões e opressões. Na santa ceia, nós rememoramos a ação de Jesus Cristo. A sua ceia, antes da morte, é tão real e presente para nós como o foi para os apóstolos.

10 – A repetição da ceia faz com que a memória da palavra de Cristo e sua presença em nosso meio permaneça viva, fortalecendo-nos para o testemunho. Ao celebrarmos a ceia “em memória”, Deus concretiza novamente a sua aliança; a comunidade confessa que a cruz e ressurreição de Jesus aconteceram por ela e que estão presentes e são real oferta para ela.

11 – Ao comungarem no corpo e no sangue de Jesus Cristo, os cristãos sabem que lhes é possibilitada comunhão de uns com os outros. A ceia cria comunidade. Já por volta do ano 80 d.C. os cristãos oravam: “Da mesma maneira como este pão quebrado, primeiro fora semeado sobre as colinas e depois recolhido para tornar-se um, assim das extremidades da terra seja unida a ti tua igreja em teu Reino” (extraído da Didaquê). Assim como os grãos de trigo formam o pão, assim os membros ceia formam a comunidade do Senhor, o Corpo de Cristo. Participação na ceia é desafio para que os comungantes sejam comunidade.

12 – Quando a comunidade celebra a ceia, deveria Ter o cuidado para que as alterações na fórmula da comunhão e na liturgia eucarística não tirem o foco do centro da ceia: a presença de Jesus em seu corpo e sangue dados por todos. Por isso é importante que se distinga, com clareza, entre uma janta festiva e a celebração do sacramento.

13 – A santa ceia é a ceia da comunidade de fé, cujos membros nos tornamos através do batismo. Quando a celebramos, anunciamos a morte do Senhor “até que ele venha” (1Co 11:26). A palavra pregada do Evangelho é destinada a todas as pessoas (Lc 14:23). Os sacramentos, no entanto, são comunitários por definição. Destinam-se a todos os membros da comunidade da fé, e também às crianças e aos excepcionais. Por outro lado, quem quiser participar da santa ceia deve ser membro da comunidade de Cristo, deve vestir “veste nupcial” (Mt 22:11), deve perceber a diferença do corpo e do sangue do Senhor dos demais alimentos e Ter, como afirma Martinho Lutero, “coração verdadeiramente crente”.

14 – Nossa prática da santa ceia não deveria ser presa à confirmação, ao seja, à profissão de fé, quando regularmente nos tornamos membros arrolados da Igreja. Não há base teológica para tal relacionamento. Na prática do ensino confirmatório (as clamadas classes de catecúmenos e de preparo para a profissão de fé), no entanto, já deveria ser celebrada a ceia do Senhor.

15 – A santa ceia é a ceia dos pecadores agraciados, em favor dos quais Jesus Cristo deu seu corpo e derramou seu sangue. Quem participa da ceia sabe de seu pecado e busca perdão. Por isso, é bom costume confessar-se os pecados antes da comunhão. O duplo mandamento do amor e os dez mandamentos podem servir para que se reconheça os pecados. Indigno é quem “não anseia pela graça e pela absolvição e não pensa em se melhorar” (Lutero).

16 – É erro julgar-se que tal exame tire o caráter festivo da santa ceia, tornando-se a mesma uma celebração triste. Quem se arrepende de seus pecados e os confessa já se encontra sob a luz das promessas de Deus e alegra-se com o perdão que recebe com o corpo e o sangue do Senhor oferecidos na ceia.

17 – A santa ceia é a ceia cujo doador e dádiva é o próprio Cristo; ele dá a si mesmo. Ele é o pão que dá a vida ao mundo. O centro de toda celebração da ceia são as palavras do Senhor presente: “Tomai e comei, isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em minha memória.” E também: “Tomai e bebei dele todos: este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vós para remissão dos pecados; fazei isto todas as vezes que beberdes, em memória de mim.” O Cristo crucificado e ressurreto, cuja volta é iminente, se doa a si mesmo na santa ceia para a sua comunidade. Sempre que numa celebração for criada a impressão de que esteja distribuindo pão e não o corpo e o sangue do Senhor (eucaristia!), aí se está induzindo pessoas à tentação de não distinguirem entre o pão que veio do céu e o alimento natural.

18 – É um erro pensar que se possa substituir as palavras da instituição da ceia, contidas nas sagradas Escrituras e nos escritos confessionais, por outras formulações, mesmo que aparentemente acentuem mais a dimensão social do partir do pão. Isso não significa que tudo deva permanecer imutável na liturgia da santa ceia. Toda alteração deveria, no entanto, sr auxílio para que se compreenda com maior profundidade o mistério da ceia e para que se o reverencie com maior humildade.

19 – A santa ceia é uma ceia de comunhão. Ao doar-se a si mesmo em favor de sua comunidade, Jesus a reúne em um corpo, cuja cabeça é ele mesmo. Os que são convidados par a mesa do Senhor são irmãs e irmãos uns dos outros, convocados para viverem em fraternidade.

20 – É um erro pensar que tal fraternidade seja simples conseqüência de sentimento de simpatia ou de solidariedade. A comunhão dos que se reúnem ao redor da mesa do Senhor é conseqüência do sacrifício de Cristo na cruz. Tal comunhão ou fraternidade cresce na medida em que os convidados se deixam unir uns aos outros por Cristo.

21 – A santa ceia é a ceia da unidade dos crentes e das igrejas. É nela que mais se sente o escândalo da divisão entre os cristãos. Sempre que a celebração em uma igreja tornar impossível ou por em perigo a celebração conjunta, maior será a dor da divisão. Devemos evitar tudo o que possa provocar maiores divisões e envidar esforços por unidade eucarística.

22 – Como é Jesus quem reúne a sua comunidade em um só corpo, ao doar-se a si mesmo, e como os que são convidados para a mesa do Senhor são irmãs e irmãos uns dos outros, convocados para viverem em fraternidade, inclusive as crianças batizadas estão convidadas a comungarem do corpo e do sangue do Senhor Jesus Cristo.

23 – É um erro querer-se afastar as crianças da ceia do Senhor sob o argumento de que não tenham atingido o grau de fé dos adultos ou que já tenham na palavra pregada toda a dádiva que a ceia oferece. Tais argumentos dão maior valor à razão do que ao Espírito Santo e querem impedir que o Deus encarnado habite pessoal, espiritual e soberanamente entre nós.

II – ASPECTOS PEDAGÓGICOS DA PARTICIPAÇÃO DE CRIANÇAS NA SANTA CEIA
1 – A introdução da prática da participação de crianças na santa ceia numa comunidade exige um processo de aprendizagem que deve ser gradativo e espontâneo, sem esperar a imediata aceitação e participação de todos os membros.

2 – A sua prática deve ser antecedida por reflexão sobre o tema. A comunidade necessita estar envolvida num processo contínuo de aprendizagem na fé, o que envolve tanto a reflexão como a prática da Palavra de Deus. Deste processo de aprendizagem não participam só os adultos, mas também as crianças.

3 – O processo inicial de reflexão sobre a participação das crianças na santa ceia deve acontecer com o grupo familiar, no qual estão inseridas. Os pais, a mãe ou o pai, a avó ou o avô, a tia ou o tio, o padrinho ou a madrinha (as testemunhas do batismo infantil!), ou mesmo a família do amiguinho que levou a criança ao culto, devem se sentir em condições de explicar às crianças a importância e significado da participação da criança na Ceia do Senhor.

4 – O processo de reflexão deve acontecer em todos os níveis e grupos da comunidade. Assim como a participação de crianças na santa ceia deve ser livre e espontânea, também o envolvimento na reflexão deve ser oferecido como possibilidade e não como imposição.

5 – A participação de crianças na santa ceia pode ser a partir do momento em que o grupo familiar e a comunidade de fé fé refletirem sobre o assunto com elas. O critério deve ser mais o desejo de participação do que idade. Se estabelecemos idade, argumentamos com o critério racional e escolar. A participação deve ser a partir da conscientização e do envolvimento do grupo familiar na comunidade e não a partir de determinada idade.

6 – É importante que as crianças participem da ceia do Senhor em companhia e sob a orientação de seus pais ou de algum outro componente familiar, pois isto evidenciará a dimensão fraterna-familiar no culto da comunidade. Entretanto, a criança poderá ser acompanhar outras pessoas ativas na comunidade e delas receber instrução. O não envolvimento dos pais na comunidade não deve ser empecilho para a participação dos filhos. Deve-se lembrar que a comunidade, a Igreja, é a nova família no sentido de Jesus (Mc 3:31-35).

III – SUGESTÃO DE METODOLOGIA PREPARATÓRIA DE DISCUSSÃO VISANDO A PRÁTICA DA PARTICIPAÇÃO DE CRIANÇAS NA CEIA DO SENHOR
1 – A participação de crianças na Mesa do Senhor pode não ser fácil para algumas comunidades. Por que de repente esta mudança? Por que agora se pensa na participação das crianças? E a profissão de fé não perde seu sentido? Não estamos liberalizando e banalizando a celebração da Ceia do Senhor?

2 – A questão da participação de crianças na Ceia do Senhor tem de ser tratada com oração e com fôlego a dimensão bíblico-teológica. Tem que ficar claro para adultos, leigos ou pastores, pais e mães, etc, que não há orientação ou motivos bíblicos e teológicos contra a participação de crianças na Ceia do Senhor. Uma das coisas que as pessoas querem saber é o que a Bíblia diz. Por isso é importante explicar bem que na Bíblia não há argumentos contrários à participação de crianças na Ceia do Senhor.

3 – Isso significa que a Igreja no passado deve Ter tido outros motivos, talvez motivos pedagógicos ou evangelísticos ou apologéticos ou outros. Certamente a Igreja no passado não foi menos responsável que hoje. Alguma razão ela teve. Mas hoje parece que não há argumentos contrários à santa ceia para crianças. Pelo contrário, parece haver vários argumentos a favor. Parece-nos cada vez mais importante não excluir, mas incluir as crianças. Geralmente argumentos contrários à participação das crianças na ceia do Senhor resumem-se de fato a preconceitos e desinformação.

4 – O que não deve acontecer é que a santa ceia para crianças venha a se tornar um sacramento tão mal administrado em nossa Igreja como o sacramento do Batismo para crianças. Seriam, ao invés de um, dois sacramentos mal administrados. Não basta, portanto, apenas admitir as crianças na ceia do Senhor. Tem que haver uma preparação dos adultos. Talvez, ao menos por algum tempo, não se devesse pensar em santa ceia só para crianças, no culto infantil por exemplo, mas sempre a celebração da Ceia do Senhor onde participem crianças e adultos em conjunto, pais e filhos, etc.

5 – A reflexão sobre a participação de crianças na ceia do Senhor não pode ser limitada apenas à questão da criança. Tem de ser pensada de forma ampla e bíblica: o significado da santa ceia, santa ceia e batismo, santa ceia e graça de Deus, santa ceia e a comunidade... Também o culto poderia ser lugar de reflexão e informação. Santa ceia e vida.

6 - A prática da participação das crianças poderia começar com os pais levando junto de si seus filhos para participarem da ceia do Senhor e ali repartirem com os filhos, se possível, o pão e o cálice (onde não for possível, os próprios pais devem tomar os elementos da ceia e entregá-los às crianças, dizendo ali mesmo de forma reverente e sintética do amor de Jesus por elas e de como é bom sermos povo de Deus!). Possivelmente podem aparecer algumas situações delicadas que serão preciso ser administradas com tato, sensibilidade e amor. “O amor cobre todas as transgressões” (Pv 10:12). “Onde está o espírito do Senhor aí há liberdade” (2Co3:17). ‘Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito – diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4:6).

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