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Páscoa
Rio, 12/3/2007
 

O escândalo da Páscoa (Suzel Tunes)

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O ESCÂNDALO DA PÁSCOA

Suzel Tunes (Redatora do Expositor Cristão)


“... mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios;” 1 Coríntios 1.23

Quem é brasileiro está muito acostumado a ouvir a palavra escândalo: o mensalão, a CPI do bingo, a compra de votos, o deputado que se confessa culpado mas se livra de punição... enfim, os exemplos são tantos que até esvaziaram um pouco a força da palavra. Escândalo é aquilo que contraria a ordem estabelecida, que traz perplexidade e indignação, que realmente nos incomoda. Em nossa sociedade, infelizmente, a corrupção está deixando de ser escândalo para ser uma norma comum de conduta.

Jesus, no entanto, foi o escândalo na plena acepção da palavra. E incomodou tanto a ordem vigente que teve a morte indigna numa cruz. Nasceu, viveu, morreu e ressuscitou causando perplexidade. Jesus foi gerado por uma mãe solteira de Nazaré, na Galiléia, uma terra onde viviam agricultores incultos e foras-da-lei, gente que se rebelava contra o poder do Império Romano. Era uma terra tão desprezada que dela se dizia: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” (João 1.45)

Quando Jesus ensinava na Sinagoga de Nazaré, as pessoas diziam: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria?” (Marcos 6.3). Numa sociedade patriarcal, seria mais comum apontá-lo pelo nome do pai, a menos que houvesse dúvidas em relação à paternidade. Apesar de José jamais ter acusado sua noiva de adultério, mesmo antes de ser visitado em sonho pelo anjo do Senhor, é possível que Maria sofresse com boatos de seus vizinhos, por ter engravidado antes do casamento.

Ainda criança, Jesus surpreendia os mestres da lei com seus questionamentos. Adulto, Jesus os confrontava com seus ensinamentos. Afirmava ser, ele mesmo, Caminho, Verdade e Vida. E ousava conversar com mulheres adúlteras, com os odiados coletores de impostos e, até mesmo, com samaritanos. Naquela época, quando um galileu queria ir a Jerusalém, preferia
descer pelo vale do rio Jordão a ter que atravessar a Samaria. Mas Jesus não se importava com essa antiga animosidade e ainda ousava contrariar a classe sacerdotal de Jerusalém, afirmando, para uma samaritana: “(...) a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai” (João 4.21).

Não por acaso, Jesus foi condenado como um perturbador da ordem pública e teve a morte mais infame que se poderia ter na época. Mas, o mais surpreendente é que os escândalos continuaram após a morte de Cristo. “Depois disto, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, ainda que ocultamente pelo receio que tinha dos judeus, rogou a Pilatos lhe permitisse tirar o corpo de Jesus”. João 19.38

José de Arimatéia também tinha muito a perder com esse pedido. Homem rico e influente, ele era um dos integrantes do Sinédrio, o conselho religioso formado por religiosos e destacados membros da comunidade. Já o livro de João revela que ele era discípulo de Jesus. Segundo este evangelista, muitos líderes dos judeus não confessavam a sua fé, com medo de serem expulsos das sinagogas (João 12.42).

Provavelmente foi por este motivo que o fariseu Nicodemos só teve coragem de ir falar com Jesus à noite (João 3.1). Mas, após a crucificação, Nicodemos expõe-se perigosamente ao levar uma mistura de cerca de cem libras de mirra e aloé, substâncias aromáticas usadas na preparação do corpo para o enterro. Calcula-se que seriam uns 35 quilos. Era uma quantidade imensa de perfume, que deveria valer uma pequena fortuna. Ou seja, era uma honra digna do funeral de um rei e não o de um criminoso morto na cruz. Um verdadeiro escândalo!

Três dias depois, Jesus ressuscita. Diante do túmulo vazio, havia apenas mulheres. No relato de Mateus, um anjo aparece e pede que elas falem aos discípulos sobre o milagre da ressurreição. Em João, o próprio Jesus aparece para Maria Madalena. Seja como for, o primeiro anúncio da ressurreição foi feito por testemunha feminina. Mas, o que valia o testemunho de uma mulher, quando ela nem era contada como cidadã? Numa multidão, mulheres e crianças sempre ficavam fora das estatísticas. A palavra de milhares de mulheres não valeria a palavra de um único homem. Por isso, os discípulos -- escondidos, retraídos e desanimados pela morte de Cristo, enquanto as mulheres ficavam ao lado da cruz – tiveram que acreditar no testemunho das mulheres. E assim nasceu a fé cristã: baseada numa palavra que não tinha qualquer valor naquela sociedade – um escândalo para o patriarcalismo da época, é claro.

E assim deve ser a fé cristã até o dia de hoje: algo que surpreenda, acorde e escandalize todos aqueles que tenham se conformado com este século, todos aqueles que tenham se tornado mornos, todos aqueles que tenham colocado o poder à frente do amor. “...mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens (1 Co 1. 24) ... e Deus escolheu as cousas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus”. (1 Co 28-29).

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