IGREJA METODISTA DE VILA ISABEL
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Rio, 5/8/2018
 

JESUS, O PÃO DA VIDA

Pr. Edmar Leonardo da Silva


 

O texto de hoje inicia-se com a observação de  Jesus a respeito daqueles  o procuravam, não para assumir o seu projeto de vida, nem para segui-lo até a sua morte, mas simplesmente por causa dos seus milagres, ou sinais, que Ele realizava.

Diante deste conflito de interesse das multidões, Jesus as adverte que devem “Trabalhar não pela comida que perece” (v.27). À primeira vista, pode parecer que esse versículo nos conduza a uma leitura alienante, espiritualizante, que apresente o discipulado de Jesus como algo somente no nível dito espiritual, sem consequências maiores para a sociedade e o mundo atual. Jesus jamais pregaria uma mensagem que tivesse como resultado o abandono dos pobres e marginalizados, em um mundo cada vez mais desumano e excludente. O que Ele contesta é uma vida que põe a acumulação de bens como sua meta. De novo, Jesus faz uma advertência mais do que atual para os nossos dias, onde a pós-modernidade apresenta o consumismo de bens, e a acumulação deles como garantia de felicidade, e onde se cria uma sociedade excludente, onde não há lugar para quem não pode produzir nem consumir. Jesus quer que haja equilíbrio nas nossas vidas – que os meios materiais sejam usados para que haja uma sociedade de vida digna para todos e não para a acumulação de poucos. Assim contestaria tantas igrejas hoje que pregam a “teologia de retribuição e prosperidade individual”. A busca desenfreada de bens coloca o bem-estar material como centro e finalidade de vida. Isto já foi compreendido mais de duzentos anos antes de Jesus pelo sábio autor de Eclesiastes que escreveu: “Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade!” (Ec 5,10).

Em primeiro lugar, é preciso buscar o Pão descido do Céu, ou seja, o próprio Jesus. Procurar Jesus implica uma opção pela sua pessoa, Sua mensagem e prática. Não é possível ter uma relação verdadeira com Jesus como pessoa, sem assumir a sua prática, atualizada para as condições de hoje. Num âmbito religioso onde muitas vezes se prega um Jesus que deixa passar tudo, leve, alienado e alienante, que não incomoda. Este texto nos leva de volta ao Jesus real, que incomodava tanto que no fim desse capítulo é abandonado pelas multidões e finalmente liquidado por uma coalisão dos poderes políticos, religiosos, econômicos e judiciais. 

Jesus nos assegura que quem vai a Ele como discípulo “nunca mais terá fome, nunca mais terá sede” (v.35). Pois o seguimento de Jesus, apesar de não ser fácil, é capaz de saciar os desejos mais íntimos da pessoa humana, o que a simples posse de bens materiais não é capaz de proporcionar.

Vivemos num mundo onde nunca houve tanta riqueza, e tanta pobreza; tanta acumulação e tanta exclusão. Podemos dizer que este modelo globalizado, neoliberal e pós-moderno têm melhorado a qualidade de vida da maioria? Com certeza não. O texto de hoje nos desafia para que revisemos a fé que temos, a realidade do nosso seguimento de Jesus, as nossas motivações, metas e objetivos de vida. Convida-nos para que coloquemos no centro de nossa existência o projeto de Deus, encarnado em Jesus e continuado nos seus seguidores: de nos alimentarmos com o Pão da Palavra e da Mesa do Senhor, para que possamos “todos ter vida e a vida em abundancia”! ( Jo 10: 10)

Que possamos ter sensibilidade para perceber que a presença de Jesus, na nossa história é a grande obra por Ele realizada, que nos conduz a vida eterna. Esta é a vontade de  Deus para todos em Jesus Cristo, nosso Senhor! 

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