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Rio, 17/11/2019
 

Uma Consciência Negra vê o Desvio Teológico Racista

Pr. Luiz Daniel Nascimento


 

No mês que celebramos o Dia da Consciência Negra, entre tantas coisas importantes para serem destacadas, destaco aqui a descoberta que mais me intrigou. Teólogos e historiadores altamente sérios e comprometidos com a justiça despertaram minha consciência de que a Bíblia foi indevidamente utilizada para legitimar o racismo. O texto de Gênesis 9.18-27 que fala sobre a maldição de Noé sobre seu neto Canaã, filho de Cam, foi de maneira errônea e maldosa interpretado para identificar os negros como os descendentes Cam, por isso amaldiçoados. 

O Prof. Joel Rufino, considerando ser o conceito de racismo resultado de ignorância e interesse de dominação reforçados pelas teorias “científicas” produzidas no século XIX, nos diz que “Racismo é a suposição de que há raças e, em seguida, a caracterização biogenética de fenômenos puramente sociais e culturais. É também uma modalidade de dominação ou, antes, uma maneira de justificar a dominação de um grupo sobre o outro, inspirado nas diferenças fenotipicas (que pode sofrer diversas modificações durante o desenvolvimento do organismo) da nossa espécie. Ignorância e interesses combinados”. A experiência branca europeia sempre foi a maior responsável pela criação de teorias falsas sobre a inferioridade do negro e a superioridade do branco. Mas, a raça deixou de ser uma categoria biológica com a publicação da pesquisa feita por uma equipe de cientistas chefiadas pelo biólogo Alan Templeton, que comparou oito mil amostras genéticas colhidas aleatoriamente de pessoas de todo o mundo, comprovando, após as análises, que não há raças entre os seres humanos, porque, diz ele “as diferenças genéticas entre os grupos das mais distintas etnias são insignificantes. Para que o conceito de raça tivesse validade científica, essas diferenças teriam de ser muito maiores”.

O Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em seu estudo bíblico “Justiça Transformadora – Ser Igreja e Superar o Racismo” declara que: “O racismo representa modos de exclusão subordinação, inferiorização, exploração e repressão determinados pelo contexto. Hoje em dia é amplamente aceito que raças são um constructo social e que a humanidade pertence a uma única raça: a raça humana...”. 

Devemos estar atentos para nos conscientizarmos de erros históricos que tanto sofrimento trouxeram e de maneira diferente continuam trazendo ao mundo. Devemos contestar veementemente o uso distorcido da Bíblia Sagrada para fortalecer preconceitos (crença prévia, preconcebida). Entender que Miriam e Arão censuraram Moisés, porque ele havia escolhido para sua esposa uma etíope (Números 12), que o texto bíblico já mencionado (Genesis 9.18-27) legitimou um direito teológico para impor a escravidão sobre os africanos.  A escravidão no Brasil durou três séculos, de 1550 até 1888. Foram 300 anos de muita injustiça. O tráfico negreiro foi naturalizado por uma teologia racista que dizia que o processo de colonização e exploração de escravos era uma forma livrá-los da perdição eterna.

Em 1988, quando foram “comemorados” os 100 anos da libertação da escravidão no Brasil, a G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira (RJ) cantou um samba enredo com o título 100 Anos de Liberdade, Realidade Ou Ilusão. E vale a pena lembrar ou conhecer parte da letra:

Será que já raiou a liberdade. Ou se foi tudo ilusão? Será, oh, será que a lei áurea tão sonhada há tanto tempo assinada não foi o fim da escravidão? Hoje dentro da realidade, Onde está a liberdade? Onde está que ninguém viu. Moço não se esqueça que o negro também construiu as riquezas do nosso Brasil. Pergunte ao criador: Quem pintou esta aquarela, Livre do açoite da senzala, Preso na miséria da favela.

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