IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Reflexões
Rio, 19/7/2020
 

A Mente Cristã numa sociedade pluralista

Pr. Alexandre Brilhante


 

“Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo”.

(I Coríntios 2:16)

Como podemos entender a expressão usada por Paulo onde diz que temos a mente de Cristo? Antes de respondermos a esta pergunta vamos falar um pouco da nossa realidade. No início do século 21 fomos confrontados com uma enorme gama de desafios. O ritmo das mudanças tecnológicas confirma a inteligência da humanidade, mas a persistência da pobreza mundial continua sendo um desafio ao nosso senso de justiça. Vivemos, também, numa sociedade, que além de pluralista em suas diversas expressões religiosas, culturais, políticas e sociais, é mutante. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman definiu em seu livro “Modernidade Líquida” que fluidez ou liquidez são as metáforas adequadas quando queremos captar a natureza do tempo presente. Parece que a idéia é derreter aquilo que é sólido. As mudanças tentam se impor em tal magnitude em seus amplos aspectos sociais, que já se cunharam novas palavras como transumanismo, conceito que visa transformar a condição humana através do desenvolvimento de tecnologias amplamente disponíveis para aumentar consideravelmente as capacidades intelectuais, físicas e psicológicas humanas, deixando em segundo plano o desenvolvimento biológico natural, parecendo coisa de filme de ficção científica.

O fato é que diante dessa fluidez de mudanças abruptas, aflora diante de nós uma sociedade cada vez mais secularizada e materialista. Paradoxalmente percebe-se um vazio existencial e busca por religiões alternativas, de “nova era”, ecumênicas, panteísta ou o agnosticismo e ateísmo. E aí surge outra questão. Como igreja estamos dispostos e preparados para nos envolvermos com tal mundo? Numa sociedade tão pluralista e ecumênica a mensagem exclusivista do evangelho ainda pode fazer a diferença no coração de pessoas que ainda estão sedentas por busca de sentido em suas vidas?

Primeiramente, precisamos lamentar que existem cristãos que acham que a igreja não tem responsabilidade social no mundo. E todas as questões novas que surgem no mundo envolvem tanto cristãos quanto não cristãos e desafiam nosso senso de identidade e propósito. Desafiam-nos a aplicar o raciocínio cristão a novas questões, que nos atinge em proporções elevadas. Jesus em ministério público, “foi ensinando, pregando” (Mt 4.23;9.35) e “fazendo o bem e curando” (At 10.38). Podemos perceber que o evangelismo e o interesse social estão intrinsecamente relacionados por toda história da Igreja. Existem apenas duas atitudes possíveis que os cristãos podem adotar em relação ao mundo: uma é a fuga e a outra é o envolvimento, ainda que confrontos e perseguições ocorram. Poderíamos dizer que existe uma terceira opção, ou seja, a acomodação. Neste caso, os cristãos se tornam indistinguíveis no mundo e por causa disso não são mais capazes de desenvolver uma atitude distinta para com ele. Acomodação significa então, virar as costas para o mundo em rejeição. Em contra partida, envolvimento significa voltar à face para o mundo, em compaixão, sujando nossas mãos, machucando-as e usando-as em serviço deste, e sentindo no mais profundo de nosso íntimo o agir de Deus, que não pode ser contido.

Muitos de nós já fomos ou ainda somos acomodados. A comunhão mútua na igreja é muito mais cômoda do que o serviço em um ambiente diferente e hostil. É claro que às vezes fazemos incursões evangelísticas no território inimigo, mas depois nos retraímos novamente, do outro lado do fosso, em nosso castelo cristão.

Jonh Wesley continua sendo um exemplo admirável para todos nós. O avivamento do século 18, que abalou tanto a América como a Europa, não deve ser lembrado apenas em referência à pregação do evangelho e à conversão de pecadores a Cristo, mas a filantropia generalizada que ocorreu em ambos os continentes, afetando a sociedade profundamente. Wesley continua sendo lembrado principalmente como evangelista itinerante e pregador ao ar livre, mas o evangelho que ele pregava inspirou pessoas a abraçarem as causas sociais em nome de Cristo. Historiadores têm atribuído à influência de John Wesley o fato de a Inglaterra ter sido poupada dos horrores de uma revolução sangrenta como na França.

Podemos concluir que ter a mente de Cristo, numa sociedade pluralista é buscarmos o padrão de santidade bíblica manifestado em Jesus e praticado também, por Wesley, uma santidade relacional, que não se isola num mosteiro se alienado da realidade e do convívio com os diferentes. Jesus disse que veio para os doentes (Mt 9.12), e nossa sociedade está doente, da alma, do espírito e do corpo. Muitas vezes precisamos atrair os diferentes não apenas pela nossa capacidade de convencimento, mas de acolhimento. Precisamos, também, desenvolvermos a capacidade de ouvir mais e sermos menos tagarelas, que é a fama que muitos crentes evangelistas levam.

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.