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Rio, 20/8/2020
 

Filosofia e Fé Cristã – O Cristianismo no berço da Filosofia

Pr. Alexandre Brilhante


 

“E algum dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição”. (Atos 17:18)

Este domingo, 16 de agosto, é o Dia do Filósofo, profissionais que se dedicam à ciência que estuda as questões gerais e fundamentais da existência, e que também, nessa perspectiva, buscam o sentido da vida.

Então, desde já parabenizo esses profissionais que têm ajudado nossa sociedade a desenvolver o senso crítico sobre uma diversidade de assuntos da nossa contemporaneidade.

Esta reflexão acaba sendo um desdobramento do texto de domingo do nosso querido Rev. Edmar: “Estes que tem transtornado o mundo chegaram até aqui”. O capítulo 17 de Atos possui uma profundidade teológica muito significativa, nos permitindo explorar diversas temáticas que vão desde os aspectos missionários do apóstolo Paulo, estratégias de evangelização em ambientes hostis ao evangelho, a fundamentos doutrinários da fé cristã.

O povo grego estava acostumado a intensos debates em praça pública, isso deu a Paulo uma estratégia para a pregação do evangelho. Ele enfrentou duas correntes do pensamento clássico grego: o Estoicismo e o Epicurismo, que estavam muito em voga na Grécia, embora distintas.

Paulo, então, mostra um caminho diferente, partindo dos ensinamentos de Jesus de Nazaré. A Bíblia não traz na íntegra o discurso de Paulo, que não se resumiu a poucas palavras por causa da estrutura do discurso grego. E considerando que Lucas foi o historiador, é provável que tenha colocado uma síntese das palavras Paulinas em Atos.

Sabemos pela leitura bíblica que os outros apóstolos não encontrariam (baseando se na cultura e não na capacitação pelo Espírito Santo) a facilidade que a erudição paulina encontrou para sustentar vários discursos entre os filósofos gregos. (Atos 17.17). Tentemos imaginar cerca de noventa dias de debates diários que Paulo se envolveu. Podemos inferir o dobro de discurso se atentarmos que Paulo discursava (debatia) em dois ambientes distintos, na sinagoga e nas ruas, até que foi levado para o Areópago. Não sabemos se foi mais um julgamento, pois ao Areópago cabia a fiscalização de novas religiões. O fato é que tendo chamado a atenção dos gregos, foi conduzido ao lugar mais importante para os filósofos. (Atos 17.19)

Paulo vê oportunidade para pregar sobre Jesus Crucificado e sobre a Ressurreição diante do mais importante tribunal de Atenas. O que nós crentes atuais devemos aprender, pregar a Cristo crucificado nos meios importantes, assim como Paulo se encontrou neste tribunal que a história tem em alta conta diante da importância que exercia para o povo grego.

Porém, o mesmo tribunal não aceitava de forma passiva os discursos, as intervenções ocorriam e era necessária uma defesa argumentativa forte. Podemos ter um vislumbre da desvantagem de Paulo diante dos debatedores, por ser considerado “um tagarela”, gíria ateniense para um falador que espalha fofocas distorcendo as informações; ou um pseudointelectual que insiste em falar pomposamente. Infelizmente os super intelectuais no Areópago não foram capazes de enxergar em Paulo todos os ingredientes necessários para ser um mensageiro da verdade.

Diante dessa situação, deixar um tagarela falar seria uma mera questão de educação para com um estrangeiro. Mas a curiosidade grega de verificar se esta nova religião estava conforme as regras do estado precisava ser testada. A doutrina epicurista tinha o filósofo em total autonomia, chegando ao ponto de negar a morte, então, apresentar um Cristo que morreu para salvar o mundo e ainda ressuscitou após três dias, era algo que devia ser feito com erudição. 

Os epicuristas faziam parte de um sistema filosófico que pregava a procura dos prazeres moderados para atingir um estado de tranqüilidade e de libertação do medo, com a ausência de sofrimento pelo conhecimento do mundo e da limitação dos desejos.

Os estóicos, com sua concepção panteísta, onde a divindade se confunde com o universo e o culto às virtudes, também foram confrontados. Paulo apresentava, em contraponto à autonomia epicurista e estóica, a dependência a Cristo.

Se dermos um salto no tempo, vemos ainda hoje as pessoas tateando em busca de um “Deus Desconhecido”, “felizes” em sua autonomia, ao passo que podiam estar felizes de fato nos braços do Pastor que nos foi dado. O pensamento grego considerava a idéia de ressurreição, totalmente contrária a idéia de morte como “libertação da alma da prisão do corpo”.

O epicurista, ao aceitar tudo que ocorre na vida como destino inevitável, é apresentado ao Deus que pode mudar vidas. Este Cristo deve ser apresentado hoje, um Cristo que transforma as vidas ruins em boas. 

Para o crente deste século XXI, a importância em conhecer tais formas de pensamentos filosóficos reside no fato de que estoicismo, aristotelismo e epicurismo exercem ainda uma profunda influência em nossa forma moderna de pensar ocidental.

Qual é o estudo que devemos fazer hoje? São justamente os fatos da vida social e sua confrontação com o Cristianismo.

Atualmente, em tempos de internet e comunicação de massa, ritos, costumes e mitos se confundem com a doutrina cristã autêntica. Precisamos de pregadores que (sustentados pelo Espírito Santo) se disponham a estudar e entender este fenômeno de uma igreja formada por estudantes ou pessoas formadas em escolas que ensinam as correntes de pensamento grego embutidas em diversas disciplinas. O objetivo não é para fazermos guerra, mas é para que assim como Paulo, conhecer os nossos interlocutores. 

“Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: Senhores Atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos” (Atos 17.22). Os gregos possuíam um temor aos deuses, e reconheciam este temor erigindo um altar ao “deus desconhecido” como forma de agradar algum que porventura não tivessem conhecimento da existência. Vemos que Paulo não se deixou encantar pelas artes gregas, mas preocupou-se em não perder o foco da evangelização. 

A filosofia tateia em busca de Deus, sem saber que ele já se revelou. O Espírito Santo queria Paulo para falar aos gregos e assim o conduziu. Mas o mesmo Paulo, erudito, era capaz de falar de forma simples às pessoas simples.

A nossa realidade não é diferente (em termos de cultura) da realidade de Paulo. Em nossa sociedade, hoje, encontramos uma série de filosofias que buscam a Deus tateando aqui e acolá, por isto é essencial pregações cristocêntricas e menos teológicas. Erudição para os eruditos e simplicidade para os simples.

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