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Rio, 23/11/2020
 

Pequena homenagem ao “Seu Carlinhos”

Pr. Alberto Saraiva Sampaio


 

Os últimos dois meses foram, talvez, os mais tristes e difíceis para toda a minha família. No dia 19 de setembro o meu querido pai, Carlos Alberto (Seu Carlinhos, como gostava de ser chamado), foi acometido de um AVC e ficou internado por longos dias. Teve alta, estava bem, porém, já em casa, todo seu corpo começou a ficar extremamente inchado, o que o fez retornar para a UTI. Nessa segunda internação, ficou, entre o tempo de UTI e o quarto, por 15 dias e foi diagnosticado com insuficiência renal crônica e iniciou a hemodiálise. Mesmo muito debilitado, teve alta do hospital no dia 21 de outubro, levei-o para iniciar a hemodiálise na clínica de nefrologia e foi para casa. Estava muito feliz, mas, ao mesmo tempo, extremamente fragilizado. Pudemos higienizá-lo, com todo cuidado, pois estava com o cateter, demos um mingauzinho de aveia (ele gostava bastante) e ele deitou... Notamos sua respiração ofegante, parecia que estava sufocado, vimos a saturação e percebemos que estava baixíssima.

Mesmo o contrariando, levei-o, pela última vez, ao hospital. Foi uma madrugada terrível para todos nós, porque a médica nos informou da suspeita de COVID. Foi terrível, porque se fosse confirmada, consequentemente, todos nós que o assistimos de maneira tão próxima, estávamos expostos, sobretudo eu, que tive que sustentá-lo para ficar de pé e andar, respirando muito perto dele. A suspeita se confirmou e eu, minha esposa, meu irmão e minha cunhada também pegamos a doença.

Papai teve que ser entubado, resistiu alguns dias, teve uma certa melhora na saturação, a ponto de conseguirem tirar o tubo, mas no último dia 3, o que nenhum de nós gostaria aconteceu, faleceu um grande homem. O que foi pior é que, por termos sido diagnosticados com COVID, não podíamos nesse tempo tão doído, nos consolar com abraços e chorarmos juntos. Para preservar minha mãe que, surpreendentemente não contraiu esta doença, foi livrada por Deus, não a abraçamos, não pudemos nos consolar mutuamente pelo poder e calor do abraço...

Confesso que escrevo essas linhas com os olhos cheios de lágrimas. Não são lágrimas de desespero, muito menos de remorso, por não ter feito algo que não fiz, ter dito alguma coisa, mas não falei. Definitivamente, não. Se eu pudesse, faria tudo outra vez e pegaria a COVID de novo. São lágrimas de saudade, por saber que não teremos mais a presença de alguém tão sensacional. Pude, inclusive, brincar com ele pela última vez nas poucas horas que estivemos juntos em casa.

Aproveito essa oportunidade para publicamente louvar a Deus pelo privilégio de ter tido um pai tão especial. Acho que se pudesse escolher as características de meu pai, não seria alguém como ele foi. Muito obrigado, SENHOR.

Não tive apenas um pai. Tive um amigo, parceiro, companheiro de caminhada, confidente. Papai foi incrível! Extremamente bem humorado, brincalhão, perspicaz, dedicado à família, gostava de contar histórias, queria todos perto dele... E, claro, torcedor do Fluminense. Lembrome de quando criança e faltava luz em casa, era sempre oportunidade de boas risadas, pois sempre tinha coisas engraçadas para compartilhar.

Ter passado por todas essas coisas nos aproximou ainda mais de Deus. Apenas Ele pode nos sustentar e conduzir em momentos quando as tempestades nos cercam e consolar quando a tristeza nos alcança. Mas também refletimos a respeito do que é a vida, ela passa muito rápido e muitas vezes perdemos oportunidades de vivê-la como deveríamos. Quantos vivem apenas de lembranças do que aconteceu e deixam de viver o presente, que nos lança para novas experiências! Por outro lado, há aqueles que  dizem que não têm tempo para viver a vida e valorizar as pessoas, porque precisam garantir o “futuro”. Sim, agradecemos ao Senhor pelo que vivemos no passado, da mesma forma, temos que nos comprometer em construir um futuro melhor, mas o que temos para viver é o hoje, que é o presente de Deus.

Estamos próximos ao Dia de Ação de Graças, portanto, é tempo de valorizarmos a vida, reconhecermos a importância do agir de Deus em nós e sermos gratos a Ele. Mas também demonstrarmos gratidão pelas pessoas que nos foram importantes. A gratidão é o princípio da honra.

O SENHOR nos abençoe e nos guarde!

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