IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Metodismo
Rio, 29/3/2007
 

Tristeza e esperança (Rev. Ricardo Lengruber)

ZZ Outros Colaboradores ZZ


 

TRISTEZA E ESPERANÇA

Rev. Ricardo Lengruber (*)

Estou triste. Profundamente triste com a decisão do 16o Concílio Geral, realizado entre 10 e 16 de julho/2006, em que a Igreja Metodista decidiu por se retirar de organismos ecumênicos que tenham a presença da Igreja Católica e de grupos não-cristãos. A medida tira os metodistas do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).

Estou triste por inúmeras razões, mas não posso simplesmente continuar vivendo como se o que ocorreu não fizesse diferença e se não fosse algo pelo qual se deva reclamar, se faça urgente denunciar.

Minha tristeza é de natureza pessoal. Conheci a Jesus Cristo e sua Palavra na Igreja Metodista, por testemunho e ensinamento de metodistas. Aprendi nessa Igreja que o Evangelho liberta e nos torna pessoas abertas à ação revigoradora do Espírito Santo. Aprendi que, em Cristo, não há grego nem judeu, não há pobres nem ricos. Foi na Igreja Metodista que compreendi o significado da palavra ¿ecumênico¿ e foi nessa Igreja que entendi o que significa ser capaz de dividir o mesmo teto com seres humanos que comungam de modo diferente. Sempre ouvi dizer ¿ nos mais diferentes ambientes ¿ que ¿a Igreja Metodista é uma igreja aberta e ecumênica, preocupada com as questões sociais e política, além de ser uma apaixonada pela evangelização¿. Estou muito triste porque não sei mais o que pensar sobre tudo isso. Estava equivocado?

Minha tristeza é, também, de natureza institucional. Foi na Igreja Metodista que ouvi o chamado de Deus para servi-lo como pastor. Foi nela que cumpri parte de minha educação teológica. Não obstante as diferentes tendências da igreja, sempre enxerguei alternativas e espaços para todos. Cria, verdadeiramente, ser rica a pluralidade teológico-pastoral da Igreja. Sendo a experiência ecumênica algo que cultivo em minha vida devocional, havia tranqüilidade e orgulho em participar dos eventos públicos representando minha denominação e carregando a bandeira do diálogo, oficialmente. Estou triste porque para permanecer fiel ao chamado que ouvi de Deus no tocante ao diálogo e a diversidade, estarei caminhando à revelia ou ¿ pior ¿ desautorizado pela Igreja em que tenho empenhado meu labor e minha dedicação. Será possível ¿ tenho me questionado ¿ ser metodista não-ecumênico? Como experimentarei minha fé (que é, sempre, ecumênica) nessa Igreja?

Minha tristeza tem, ainda, o aspecto teológico. Entendo a teologia como instrumento de atualização da fé e da Revelação. Só consigo enxergar doutrinas e costumes e os reconhecer como legítimos se forem fundados minimamente numa reflexão teológica séria e consistente. Que seriedade há em recolher-se ao isolamento? Que consistência há em julgar a fé alheia? Onde há razoabilidade em dividir o mundo entre certos e errados, santos e pecadores? O que há por trás de uma decisão como essa é o mais arraigado e atrasado fundamentalismo bíblico-teológico, que considera um determinado grupo como superior, como central, como proprietário da verdade em detrimento de qualquer um que pense e aja diferentemente.

Creio que o que o fundamenta uma postura sectária e intolerante como essa decisão é, por um lado, o sentimento de inferioridade que as igrejas evangélicas cultivam a respeito de si em comparação com a Igreja Católica. Por outro lado, a responsabilidade está numa pastoral proselitista irresponsável que considera qualquer um não-evangélico como membro em potencial para uma igreja local. Em ambas as razões está o que há de mais execrável numa vivência religiosa: o falso messianismo, que se considera sempre como perseguido e que considera os demais como alvos a serem alcançados.

O que menos me interessa são as mazelas do Movimento Ecumênico instituído oficialmente nos diversos organismos conhecidos. Como na Igreja, há também nesses órgãos descaminhos absurdos e intoleráveis. Importa-me, isso sim, fidelidade ao Evangelho de Cristo que me exigi sair de mim mesmo em favor do encontro com o diferente de mim.

Estou triste. Profundamente triste. Acato a decisão conciliar por força da lei que um dia prometi zelar como presbítero da Igreja, mas não posso me calar por força do Evangelho que no mesmo dia prometi seguir.

Porém, cultivo a esperança. Creio que a decisão do Concílio trará o tema à tona e as vozes ecumênicas que se mantinham caladas por comodidade ou por tranqüilidade serão conclamadas a pregar o Evangelho da Unidade.


(*) Visite o Blog do Rev. Ricardo Lengruber:
http://www.lengruber.blogger.com.br

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.