IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Vida Cristã
Rio, 31/3/2007
 

A Eucaristia para Crianças (Anita Betts Way)

ZZ Outros Colaboradores ZZ


 

A EUCARISTIA PARA CRIANÇAS

(Anita Betts Way, diaconisa metodista, da Equipe Regional de Trabalho com Crianças)

A proclamação do Evangelho é feita através da Palavra e também dos Sacramentos, por isso se torna imperativo que consideremos a questão do lugar (da participação ) da criança na Eucaristia ( Ceia do Senhor). Olhando superficialmente, pode parecer para muitos que incluir crianças na Ceia do Senhor é uma afronta à seriedade da fé. "Ora, dirão alguns, não é possível que as crianças entendam o que estão fazendo". No entanto, para outros, excluir as crianças do sacramento da Ceia do Senhor é o mesmo que excluí-las do Reino de Deus. Estas pessoas argumentariam contra a exclusão das crianças dizendo: "As crianças não são as únicas que não entendem os mistérios do Sacramento!"


UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA

O lugar da criança na Eucaristia não é uma inovação recente. O historiador Eugene L. Brand, argumenta que Comunhão para crianças era praticado na Igreja Cristã sem interrupção nos 10 primeiros séculos. De acordo com Brand, a briga sobre comunhão para crianças começou no século XI DC. O assunto centralizava-se na reclamação de que os bebês e crianças muito pequenas se engasgavam quando tentavam engolir o pão! Passou-se então a ser aceita a prática de só oferecer o cálice às crianças. Mas no século XIII surgiu o debate sobre a doutrina de concomitância. Isto levou à prática de, temporariamente, reter ou recusar cálice também, tanto para crianças como para leigos adultos. O debate foi finalmente resolvido pelo 4º Concílio de Latrão, em 1215.

Deste Concílio da Igreja surgiu a decisão de que a Comunhão deveria ser precedida da confissão e que a confissão deveria ocorrer na "idade de discernimento". Comunhão, então, ficou relacionada diretamente com confissão em vez de batismo. Até então era o batismo que dava acesso à Comunhão, depois dali, a confissão dos pecados era que dava acesso à Mesa do Senhor. Como resultado a Comunhão para crianças deixou de ser praticada até depois da Reforma Protestante.

Na época da Reforma, portanto, a prática da Comunhão para crianças tinha sido extinta; era associada com confissão ao invés de batismo. E confirmação (Profissão de Fé) era reconhecida como sacramento. Ou seja, não mais o batismo é que tornava alguém membro do Corpo de Cristo (da Igreja), mas a Profissão de Fé . Isto se tornou uma experiência normativa para se tornar membro da Igreja e para poder ser incluído à Mesa do Senhor. De acordo com Brand, Lutero lutou com estas crenças e práticas da Igreja Romana e finalmente retirou o status de sacramento para a confirmação, mas manteve a ligação entre confissão e comunhão. Desde então, nas diversas denominações que se organizaram a partir da Reforma Protestante, as práticas e pensamentos sobre comunhão para crianças foram reexaminadas, e em muitos casos, os fundadores elegeram voltar ao que eles consideraram como práticas originais da Igreja Primitiva.

TEOLOGIA DA IGREJA

Brand fez uma pergunta pertinente para a Igreja quanto à questão da Eucaristia para crianças: "Se as crianças são membros da família de Deus através do Batismo, por que não podem juntar-se à Família quando o alimento espiritual é oferecido?". Para Brand a pergunta está claramente baseada na eclesiologia. Qual a natureza da Igreja? Sua resposta é que a Igreja é a família da fé e compõe essa família todos os Batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Portanto, se há batismo, então tem de haver comunhão!

Outro ponto de vista bem semelhante é expresso por William Willimon, um teólogo metodista, que como Brand enfatiza que ser cristão é ser membro da família de Deus. Pelo batismo somos considerados Povo de Deus; "adotados e incorporados à Família de Deus". Ele escreve: "Não existimos como cristãos isolados". Por isso, ser membro da Família é tomar seu lugar nos encontros da Família, tais como as refeições. Willimon diz que a Ceia do Senhor é a marca da unidade e de confraternização. Excluir as crianças da Mesa do Senhor seria quebrar esta unidade. Assim como Brand, Willimon contesta que seria contraditório batizar crianças e decliná-las (tirar-lhes) um lugar à Mesa.

Willimon levanta a questão da criança entender ou não o mistério do sacramento. Realmente, ele argumenta, as crianças não têm uma compreensão completa, mas também os adultos não a têm. Mas a criança sabe o que é ter fome e então ser alimentada, e certamente sabe como sentir-se incluída ou não na Família, na Comunidade do Povo do Senhor. Nestes casos, a criança pode entender a natureza do sacramento.

CRIANÇAS E LITURGIA

Gail Ramshaw Schmidt, uma escritora contemporânea expressa o caso da Eucaristia para crianças de um ponto de vista de desenvolvimento: "O Batismo como admissão para a Igreja é também admissão para a Mesa do Senhor. Pregar a centralidade da Eucaristia enquanto se nega a participação das crianças na Mesa do Senhor, é ignorar o que os psicólogos estão notando mais do que nunca: que durante os primeiros anos da vida de alguém são formadas as mais profundas e permanentes atitudes sobre a vida... Não há melhor maneira de incluir as crianças na comunidade do que pela liturgia (o culto) e a Deus do que pela prática da Comunhão". De um ponto de vista litúrgico similar, John Westerhoff escreve: "A Igreja não pode viver em rituais que dividem gerações como se não tivessem nada em comum. Nós não podemos aceitar a separação das crianças, jovens e adultos para seus rituais peculiares. Comunidade é o dom de rituais compartilhados... Quando permitimos que nossos ritos de comunidade só atinjam a uma idade em particular, todos sofrem. A norma para o ritual comunitário da igreja é a Ceia do Senhor ou Eucaristia, que pela própria natureza inclui a todos."


Além do que se pode dizer acerca da teologia da igreja, da natureza do sacramento, da compreensão do desenvolvimento da criança ou da função da liturgia, Willimon expressase dizendo que "às vezes parece que quanto mais velho eu fico, menos eu entendo sobre o mistério da presença amorosa de Deus em nosso meio. Apesar de eu ser adulto, não me pergunte porque Deus ama crianças desgarradas como nós; ou como um grupo de pessoas tão diferentes como nós somos, formamos o Corpo de Cristo; ou ainda, porque 'onde dois ou três estão reunidos' ele está ali... Mas eu sei que estas experiências sagradas e profundas vieram a mim primeiro quando eu era criança: frutos de uma vida iniciada numa família e igreja amorosa e inclusiva. Meus encontros com Deus começaram primeiro por ser incluído no culto. Admito que durante os muitos anos, o significado destas experiências da meninice têm se aprofundado para mim. Mas como adulto, não devo jamais esquecer como tudo começou, e devo procurar maneiras de fazer essas idéias e experiências acessíveis também aos pequeninos que vêm até mim."


IDÉIAS E HISTÓRIAS QUE PODERÃO AJUDAR

Quando a criança nasce faz parte de uma família e recebe o nome desta família. A criança não tem escolha. Também ao ser batizada, o pastor(a) na autoridade de ministro do Evangelho dá um nome à criança: a criança ou bebê batizado em nome do Pai, Filho e Espírito Santo recebe o nome "Cristão". Este batismo e este nome a fazem ser reconhecida como parte da Família da fé, da Igreja, do Reino de Deus. A criança não escolheu isto: na Igreja Metodista os pais têm o dever de batizar seus filhos(as)! O batismo é o primeiro sacramento que a criança experimenta. Compete aos pais, padrinhos (testemunhas de batismo!) e membros da Igreja, acolher a criança batizada, acompanhar e orientar seu crescimento no conhecimento e no amor de Deus. Durante o batismo os pais prometem que farão tudo para que a criança aprenda sobre o amor e a salvação de Deus e sobre tudo o que Cristo fez por ela. Os padrinhos também fazem esse voto diante de Deus. E a congregação também.

Quando há batizados na nossa Igreja podemos aproveitar a oportunidade para falar com crianças da nossa alegria quando uma criança nasce, que gostamos de agradecer a Deus pela vida delas e que delas é o Reino de Deus. No momento em que uma criança é batizada podemos convidar os outros irmãos dela para virem até ao altar também, visto que eles são da família e mostrando que foi assim que eles também foram batizados, mesmo sem entender o que estava acontecendo.

Devemos tomar o batismo que é admissão para a igreja também como admissão para a Mesa do Senhor. A falta de entendimento das crianças é antes um desafio missionário e educacional para a igreja, e jamais (por limitação, excesso de zelo ou comodismo e falta de fé, de serviço e de boa vontade de nossa parte), motivo para exclusão e discriminação. O próprio Jesus disse aos discípulos acerca das crianças: "Não as impeçais!" A ênfase no batismo de crianças deverá ser feita a partir da passagem bíblica de I Pedro 2:9-10. "Vós porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus."

EUCARISTIA
Algumas pessoas podem achar que a participação de crianças na Mesa do Senhor é uma afronta a seriedade do ato! "Pois as crianças, repetem essas pessoas, não endentem o que estão fazendo!" Mas se elas não entendem, podem passar a entender... Não é porque as crianças não sabem ler que nós devemos lher afastar da Bíblia ou que não devemos ler com elas os textos bíblicos! A Ceia como um ato de lembrança (memorial) da refeição que Jesus tomou com seus discípulos pode ser entendida. A criança a quem é recusado o alimento sabe bem o que é ter fome, e sabe também muito bem o que é ser rejeitada pelo outros. Como podemos lhe negar o pão e vinho e excluí-las da comunhão com a Família?

Não é preciso esperar que a criança chegue ao "uso da razão" para ensiná-la acerca deste assunto. O tempo é agora: ensina a criança no caminho em que deve andar e mais tarde ela não se desviará dele... Para crianças pré-escolares podemos falar sobre como Jesus e seus discípulos deviam se sentir alegres ao tomarem uma refeição juntos. Para crianças maiores já podemos explicar que Jesus pediu que tomássemos o pão e o vinho para que lembrássemos de sua paixão e morte.

Em certa Igreja, por exemplo, planeja-se um almoço para a congregação. O Pastor(a) fala de como é bom estarmos reunidos em volta da mesa participando desta refeição juntos. É tão bom! É uma ocasião muito especial e alegre. E então podemos ser lembrados de que Jesus também tomou refeições com os seus discípulos e que, certamente, eram ocasiões de alegria estarem ali juntos, conversando, aprendendo do Mestre. Também pode ser lembrada a Última Ceia quando eles comeram pão e vinho (nossa Igreja geralmente usa suco de uva que é o vinho ainda não fermentado!). Lembrar do pedido de Jesus para que fizessem isto pra se lembrarem dele.

Este tipo de experiência oferece oportunidades da criança sentir o amor da igreja e entender prática e a participação na Ceia do Senhor como uma celebração que os cristãos fazem para lembrar de Jesus. Assim, o Pastor(a) ao oferecer o pão e o vinho por ocasião da celebração da Ceia do Senhor, fala a cada criança: "Quando você comer isto, lembre-se que Deus te ama".

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.