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Rio, 5/4/2007
 

Um lugar chamado GetsÍmani - Mc 14.34-42; Mt 26.36-46

Bispo Paulo Lockmann


 

UM LUGAR CHAMADO GETSÊMANI
Mc 14.34-42; Mt 26.36-46


1) Um recanto de oração.
Getsêmani era o lagar da oliveira ou oliva. Lugar de plantio, mas também de prensar a oliva e extrair o azeite. Por causa da bela copa das oliveiras, pequenas flores se desenvolviam sob sua sombra. Por isso, também, se tornou conhecido como jardim. Ali, Jesus estivera em outras ocasiões, conforme nos menciona o Evangelho de João 18.2.
Quem não tem um lugar íntimo, nas cidades, usa o seu quarto, quem tem um escritório o utiliza para prover para si um lugar privado, que, além de lugar de trabalho, é um espaço de intimidade com Deus. Jesus fez desse olival seu recanto de oração; ali foi aonde Judas levou os guardas para prenderem Jesus (cf. Lc 22.47).

2) “Assentai-vos aqui, enquanto vou orar.” (Mc 14.32c).
A vida do Filho de Deus foi marcada pela oração. A começar já no batismo (cf. Lc 3.21), o céu se abre, enquanto Jesus ora. Enquanto o povo admirava-se com o poder de Deus n´Ele, Jesus buscava um lugar solitário para orar (cf. Lc 5.16). Quando Jesus se preparava para escolher seus doze apóstolos, passou a noite anterior em oração (cf. Lc 6.12). Após o reconhecimento público que ele era o Messias, através da confissão de Pedro, sobe o monte, para orar e se transfigura diante dos discípulos (cf. Lc 9.28). Esses são alguns registros da vida de oração de Jesus, certamente uma comunhão e busca diária. Era o Filho de Deus, mas não negligenciou sua conversa e comunhão com o Pai.
Quem se declara cristão não terá êxito em seus empreendimentos sem vida de oração diária, este é o ensino de Jesus, e Ele o demonstrou com a vida.

3) Aprendamos com o texto.
Não tenho espaço para sinalizar tudo que me impressiona no texto. Mas, sem sombra de dúvida, é um momento em que a humanidade de Jesus se manifesta intensamente; vejamos:
a. “... levando consigo a Pedro, Tiago e João ...” (Mc 14.33).
Na maioria dos registros do Evangelho, Jesus se retira para orar sozinho; neste instante em que a prisão e a morte se apresentam iminentes, o nosso Salvador se mostra profundamente humano: Jesus precisa da companhia de amigos para não sentir-se só. Algo muito humano. Neste verão, em férias, por problema transitório de saúde, fui parar na enfermaria de um hospital. Medicado, aguardava o médico me liberar. Deitada numa maca, logo os enfermeiros trouxeram uma jovem em adiantada gravidez; ela chorava, pedia para eles não se ausentarem, pedia que segurassem sua mão; no seu desespero, ela não queria ficar sozinha. Ajudei a acalmá-la; logo veio uma médica, segurou-lhe a mão, conversou, medicou-a e ela melhorou. Jesus também não queria ficar sozinho. Sabendo desse temor da alma humana, é que prometeu: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos.” (Mt 28.20). Jesus não nos deixa sozinhos; a oração é o melhor meio de sentir sua presença.

b. “... A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai.” (Mc 14.34).
Jesus se entristeceu por conta do nosso pecado, que o obrigou a sofrer na cruz. Ele é o justo, o santo de Deus (cf. Mc 1.24), e nós, os pecadores. Sublinhar isso é decisivo, porque sem a angústia e sofrimento não teria havido a expiação e o perdão dos pecados. Paulo ensina isso de modo brilhante, quando diz: “A si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Fp 2.8) “... para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para de algum modo alcançar a ressurreição dentre os mortos.” (Fp 3.10-11).
Sim, essa entrega pelos pecados de todo o mundo foi sentida pelo Filho de Deus; sua natureza humana se expressa com muita dor. E sua natureza divina não lhe deu nenhuma anestesia para suportar tal momento. Como vemos no texto, houve pavor, angústia e tristeza profunda.

Como Jesus lidou com isso? Buscou a presença de Deus em oração. Derramou sua alma, seus temores humanos, aos pés do Pai.

Nós não temos outra alternativa ao lidar com momentos de medo, angústia e tristeza: devemos aprender com Jesus o caminho da oração.

c. “Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice.”
A palavra Aba (pai) é um substantivo aramaico, e só entra no vocabulário judeu após o exílio de Babilônia; ela sequer é usada no Antigo Testamento . Joaquim Jeremias , conhecido estudioso do Novo Testamento, afirma ter sido essa expressão a maneira preferencial com que Jesus se referia a Deus. Na maioria das vezes, encontramos traduzida para o grego como Pater (Pai). Alguns afirmam que no cotidiano judeu, nos tempos de Jesus, Aba era uma expressão íntima, como paizinho.

Enfim, o que estava acontecendo era o clamor do Filho ao seu pai, que era e é o Todo-Poderoso. Por isso, na expressão: “... Pai, tudo te é possível ...” Jesus ensina que, quando oramos, devemos afirmar o poder de Deus, para fazer realizar o impossível, segundo o Seu propósito. Mas também aprendemos que devemos, sim, clamar, insistir, mas sempre sem perder a submissão à vontade de Deus. Sim, em tempos em que há pessoas querendo quase dar ordem a Deus, Jesus diz: “... passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres.” (Mc 14. 36). Não devemos desistir nunca de orar, insistir sempre, mas sujeitar-se sempre a Deus e a Sua vontade.

d. “... não pudestes vigiar, nem uma hora ...”
Além da tristeza e dor daquela hora, Jesus se defrontou com a falta de vigilância e solidariedade dos seus próprios discípulos. O tom é de desapontamento. Foram três anos de discipulado e preparo para a missão; na última hora, no momento que o Filho de Deus precisava deles, eles dormiram.

Paulo chama os efésios ao despertamento: “Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará.” (Ef 5.14). A razão deste clamor do Apóstolo é, exatamente, em meio a conselhos de como vencer a tentação e o pecado (cf. Ef 4.17-5.13). Do mesmo modo, Jesus é obrigado a dar uma repreensão nos discípulos, e isso por duas vezes, repreendendo porque, quando deveriam orar, dormiam.

O ensino é claro: a oração e a força do Espírito que por ela vem é a única forma de vencer a tentação e o pecado; por isso, Jesus instou: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mc 14.38).
Diante disso, cabe a pergunta: Seguimos dormindo, ou estamos vigiando?
Bispo Paulo Lockmann

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