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Rio, 7/4/2007
 

A Evangelização à luz do ensinamento de Jesus (Rev. Odilon Chaves)

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A EVANGELIZAÇÃO QUE DEVEMOS PRÁTICAR À LUZ DO ENSINAMENTO DE JESUS
E NO CONTEXTO DA AMERICA LATINA (*)

Rev. Odilon Massolar Chaves

Quase a totalidade das Igrejas hoje tem entendido a evangelização simplesmente como anunciar Jesus às pessoas. A pregação falada e escrita fica sendo a única forma de transmitir o Evangelho. Porém "a mensagem da Igreja primitiva não se comunicou unicamente de forma verbal."(1)

Como já vimos, Jesus evangelizava, tornando realidade o Reino de Deus na vida das pessoas e no mundo, através da pregação, educação e libertação política e social. A preocupação de Jesus não era só com a vida eterna. Ele vem trazer o "ano da graça do Senhor" (Lc 4.19), isto é, a instalação do ano jubileu, quando os necessitados, doentes, pobres e oprimidos passam a ter acesso às promessas do Antigo Testamento, através do engajamento no Reino de Deus. Vimos até que a pregação não foi o elemento mais importante na vida e ministério de Jesus. Ele ensinou e curou mais do que pregou. Ele se preocupou mais com a prática do que com a teoria.

A evangelização realizada hoje na maioria das Igrejas está longe do verdadeiro propósito dos evangelhos sinóticos.

“A novidade da Boa Nova não está, como se tem pretendido, em alguns de seus conceitos: Deus o Pai, Deus Amor, perdão, universalidade da salvação, etc., pois nada disto falta no Antigo Testamento. Ela também não consiste na ênfase destes elementos (diz-se, por exemplo, que o Antigo Testamento insiste na santidade de Deus, enquanto o Novo Testamento insiste no Seu amor); ela reside muito mais no fato do cumprimento; aquilo que é prometido no Antigo Testamento, o alvo visado pela história que lá se desenrola, o desígnio de Deus, agora é cumprido e alcançado" (2). A Boa Nova que Jesus veio trazer foi o Reino do pleno amor, plena justiça, plena paz, plena liberdade. Jesus veio trazer vida em abundância!

Jesus criticou os fariseus, em seu tempo, porque eles se preocupavam com pequenas coisas e se esqueciam de praticar a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23.23). Hoje, a Igreja está sujeita às mesmas críticas de Jesus, pois ela tem colocado a Evangelização como tendo o único objetivo de oferecer a vida eterna.

Alguém de uma Igreja tradicional chegou a escrever em seu jornal que "devido a necessidade urgente de evangelizar, a Igreja não pode perder tempo com justiça social." Isto é não compreender que a Boa Nova de Jesus é uma salvação ampla para aqueles que vivem oprimidos de toda sorte, como os "franciscos e madalenas", que não têm direito a lazer, saúde, terra, casa, estudo e liberdade.


A VERDADEIRA BOA NOVA
Qual é afinal a missão da Igreja?

"A Igreja tem sido enviada para sarar os doentes, consolar os quebrantados de coração e libertar os oprimidos pelo demônio em todas as suas manifestações, pessoais e institucionais. As implicações desta missão e desta mensagem não se limitam apenas ao espiritual."(3)

Jesus trouxe e praticou uma evangelização que sarou as enfermidades (Mt 8.16-17); transformou o luto em alegria (Lc 7.1 1-17); perdoou os pecados (Mc 2.5); expulsou os demônios (Mt 12.28); libertou as pessoas daquilo que as oprimia (Lc 4.18); colocou os humildes no seu verdadeiro lugar (Mt 18.4); procurou restituir a terra aos seus verdadeiros donos (Mt 5.4) e procurou fazer justiça aos que são justos (Mt 5.6); ele saciou a fome dos famintos (Lc 6.21), etc.

Esta é a Evangelização bíblica que Jesus praticou e ordenou que seus discípulos a praticassem.


COISAS QUE COMPLICAM O ENTENDIMENTO DA BOA NOVA DE LIBERTAÇÃO

A Igreja, pensando em facilitar o seu trabalho, tem dividido a missão em partes compartimentadas: evangelização, ação social e educação. Assim, fica-se entendendo que a evangelização é pregar e distribuir folhetos. A ação social e a educação, então, não se entende como parte da Evangelização. É algo à parte. Ora, nós vimos que com Jesus não foi assim. A evangelização era algo amplo:
"Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do Reino e curando toda e qualquer doença ou enfermidade do povo."
(Mt 4.23; cf. Mt 9.35)

O texto acima mostra a integração da ação e prática do Evangelho: educação, pregação e ação social. Isto é Evangelização! Com os seus discípulos, Jesus deu a mesma ordem:
"Convocando os doze, deu-lhes autoridade sobre todos os demônios, bem como para curar doenças, e enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar."
(Lc 9.1-2)

Como afirma o Conselho Mundial de Igrejas (CMI): "É necessário eliminar esta separação entre evangelização e ação social. O evangelho espiritual e o evangelho material eram um só Evangelho em Jesus."(4)

A divisão da missão da Igreja traz também outras dificuldades: leva a Igreja a fazer, muitas vezes, ação social desvinculada da evangelização. Isto é, ajuda-se pessoas, através de roupas, alimentos, remédios, dinheiro, etc., sem que estas pessoas tenham conhecimento ou participem plenamente do Reino de Deus. O simples assistencialismo fica sendo a missão da Igreja. Não se pensa em salvar integralmente a pessoa. Isto não é fazer proselitismo. É anunciar e concretizar o Reino na vida das pessoas, como Jesus fez.

Na educação acontece a mesma coisa. Jesus ensinava o Reino de Deus. Ele usava a educação como meio de tornar conhecido, aceito e concretizado os valores do Reino. A Igreja de nossos tempos quer participar da educação do povo. É uma forma de ajudar as pessoas a terem conhecimento, formá-las e educá-las para a participação na sociedade. Acontece que há sistemas educacionais que cooperam muito mais para que a pessoa adquira valores e práticas, como o individualismo, competição, egoísmo, interesse só pelo lucro, etc., que não são os valores e práticas recomendados e enfatizados pelo Evangelho. A Igreja assim acaba reforçando os valores do reino das trevas.

A Igreja não pode separar ação social e educação da evangelização. A Evangelização deve ser a missão única da Igreja, que deve chegar na vida das pessoas e no mundo através da pregação, educação, ação social, libertação política e restituição dos direitos e dignidade do povo oprimido. Esta foi a Evangelização de Jesus e esta deve ser a evangelização da Igreja hoje.

À luz do ensinamento de Jesus e no contexto da América Latina, a seguir, damos algumas diretrizes de como deve ser a evangelização da Igreja hoje:


UMA EVANGELIZAÇÃO QUE ESTEJA CENTRALIZADA NO REINO DE DEUS

O que significa isto?
Significa que a evangelização que enfatizamos não poderá ser buscada somente na doutrina da Igreja, ou seja, não podemos enfatizar a missão como sendo pregar doutrinas tipo "nosso batismo é o início correto, por isso, você tem que vir para a nossa Igreja".

Isto não significa negligenciar as doutrinas, nem deixar de crer que elas sejam as mais corretas, mas evangelizar não é pregar doutrinas, embora isto possa estar incluído dentro do Evangelho.

Hoje o que costumamos ver é uma disputa, entre as Igrejas, para mostrar que esta ou aquela doutrina é a mais correta.

A Evangelização também não pode ser resumida no “crer” e pronto. O “crer” em Jesus é parte também do Evangelho, Jesus faz parte da Boa Nova. Ele transforma a nosso coração e nos dá a vida eterna. Pode parecer estranho, mas se quisermos seguir os ensinamentos do próprio Jesus, não podemos reduzir a evangelização simplesmente no “crer” em Jesus.

A evangelização centralizada no Reino de Deus não significa também pregar apenas a salvação futura para viver eterna e confortavelmente na Jerusalém celestial. Isto é parte da Evangelização, mas não é o básico, não é o mais importante.

O que, então, é uma evangelização centralizada no Reino de Deus?
Segundo as promessas e profecias do Antigo Testamento e segundo os ensinamentos a práticas de Jesus nos evangelhos sinóticos, uma evangelização centralizada no Reino de Deus é salvar o ser humano totalmente: uma salvação física, social e espiritual. E ter em mente que este mundo precisa ser transformado totalmente para que todos tenham os mesmos direitos e deveres e recuperem a imagem de Deus que foi distorcida por todo pecado individual e coletivo .da sociedade.

A evangelização centralizada no Reino de Deus deve ser sensível ao desemprego, à fome, à miséria, à opressão que as pessoas sofrem. A Igreja tem que lutar para que tenhamos um mundo de igualdade, dignidade e vida em abundância. Agindo assim, a mensagem e prática da Igreja será uma Boa Nova e será bem recebida.

A evangelização centralizada no Reino de Deus, à semelhança do Antigo Testamento e das palavras e atitudes de Jesus, tem que se preocupar com o problema da terra, da injustiça. A Igreja tem que lutar para que os pobres, os lavradores, os camponeses tenham a sua própria terra para morar e cultivar. Como disse Jesus: "possuirão a terra" (Mt 5.5). A Igreja tem que lutar pela justiça. Como disse Jesus: "Os que tem fome e sede de justiça serão fartos" (Mt 5.6). Lutar pela justiça é lutar para que o Reino de Deus se estabeleça definitivamente na terra, eliminando os poderes da morte. Não pode haver Reino de Deus onde haja pecado, fome, miséria, opressão política.

É assim que temos uma evangelização centralizada no Reino de Deus!


UMA EVANGELIZAÇÃO QUE ANUNCIE, ENSINE E LIBERTE O SER HUMANO
Para que o Reino de Deus se estabeleça definitivamente a Igreja não pode utilizar só a pregação, o anúncio do Evangelho. Evangelho não e só pregar! A pregação é importante porque mostra ao povo, ao pecador, àqueles que vivem em situação sub-humana, que Deus ama ao mundo, ao ser humano e quer lhe dar vida em abundância, através da aceitação do reinado de Jesus na vida da pessoa e no mundo. A Igreja fará isto adequadamente, através da capacitação do Espírito (cf. At 1.8).

O reinado de Jesus na vida das pessoas e no mundo significa a chegada e a permanência entre nós do Reino de paz, amor, justiça e fraternidade. Para que este Reino, que não é só espiritual, se torne realidade, é necessário também ensinar e libertar as pessoas de tudo que as escraviza.

Jesus ensinava a realidade do Reino de Deus às pessoas, principalmente, através das parábolas. O educar é também parte da evangelização. A educação conscientiza as pessoas a viverem segundo os propósitos do Reino do Deus. A Igreja deve lançar mão sempre da educação, para que a novidade e os valores do Reino de Deus sejam conhecidos e praticados.

O Reino de Deus, porém, não se instalará definitivamente somente com a pregação e a educação. Estas têm sido as armas que a Igreja tem utilizado. Ela, porém, deve utilizar a arma da libertação que Jesus usou (cf. Lc 4.16-19). Sim, a Igreja precisa libertar também as pessoas daquilo que as escraviza.

O que tem escravizado as pessoas? Os vícios, fome, doença, opressão, falta ou má qualidade das habitações, desemprego, etc.

A Igreja não deve atuar tanto no sentido de apresentar planos e sim de dizer que é injusto o sistema econômico que aumenta a riqueza e faz com que poucos retenham grande quantidade de terras, riquezas e lucros, enquanto a maioria está "vegetando", por não viver plenamente. Aliás, a justiça que a Bíblia prega é alem da justiça comum, que se fundamenta no direito romano, que procura dar a cada um o que é seu, o que lhe pertence. A justiça que a Bíblia enfatiza vai além: "busca a integridade da criatura, sua paz e sua plenitude." (5) Por isso, Jesus disse:
"Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus."
(Mt 5.20)

A Igreja deve também dar o exemplo e deve viver em seu meio como uma comunidade onde todos vivam em igualdade (cf. At 2.42-47).

A Igreja deve denunciar a falta de liberdade para escolher os governantes, a falta de liberdade para se organizar, expressar seu pensamento, etc. Ela deve fazer isto sem, contudo concordar com a libertinagem, que é uma outra forma também de oprimir aos que querem seus direitos garantidos.

Só atuando globalmente a Igreja cooperará para que o Reino de Deus se instale definitivamente na terra.


UMA EVANGELIZAÇÃO QUE LEVE EM CONTA A CULTURA DO CONVERTIDO

A pessoa ao aceitar a Cristo pela fé, como seu Senhor e Salvador, não precisa, necessariamente deixar a cultura do país ou o lugar onde vive.

Durante longos anos, a Igreja ensinou e pregou a necessidade de retirar a pessoa do "mundo" e salvá-la, colocando-a “dentro” da Igreja. A Igreja se entendia como o "refúgio" do mundo. A verdadeira conversão era conhecida como abandono de tudo que se praticava anteriormente. Pecado era freqüentar cinema, praticar esportes, usar as vestimentas do "mundo", beber vinho, participar de festas folclóricas, etc.

A conversão que Jesus enfatizou foi, acima de tudo, uma exigência de uma prática e de "frutos" que mostrassem justiça, e misericórdia em relação ao próximo. Jesus não exigia que o convertido deixasse seu modo de ser, desde que, naturalmente, não prejudicasse a prática dos valores do Reino de Deus.

Falando sobre a prática da Igreja Metodista em Angola, o Bispo Emílio Carvalho contou que, indo visitar uma determinada região acompanhado de um Superintendente Distrital (SD), os cristãos do lugar, ao recebê-los, começaram a dançar. O SD logo os repreendeu, mas o Bispo solicitou que o povo continuasse a dançar. É que o africano não sabe demonstrar a sua alegria, sem dançar. O Bispo Emílio afirma que "para ser cristão, o africano não precisa rejeitar (todos) os seus costumes e tradições" (6).

A Igreja hoje, na América Latina, também não precisa levar o convertido a rejeitar toda a sua cultura. O convertido deve, sim, demonstrar sinais de uma nova vida, ou seja, uma vida de humildade, justiça e misericórdia para com o próximo.

A Igreja deve levar em conta a cultura do convertido. Ele deve expressar o louvor a Deus através do ritmo e modo de ser de seu país. Ele deve participar das Associações de Moradores, organizações sindicais, partidos políticos, grupos culturais, etc. É neste meio que ele deverá dar testemunho do Evangelho. O próprio evangelho lhe dará discernimento das coisas que deverá praticar e evitar.

O que a Igreja fez durante longos anos foi retirar o convertido de sua cultura, introduzindo na sua prática a cultura de um outro país. Por isso, o Bispo Emílio afirma: “Inserir o Cristianismo bíblico nas categorias africanas de pensamento e vida é africanizar, é contextualizar, é descolonizar o Cristianismo na África".(7)

Não temos que fazer o mesmo na América Latina?
Por retirar o indivíduo da cultura de seu país, a Igreja não teve tanta aceitação, não teve a influência na sociedade que poderia ter tido. O próprio Jesus nos deu o exemplo: ele se encarnou na cultura israelita a fim de estar junto com o povo e salvá-lo adequadamente.


UMA EVANGELIZAÇÃO QUE LEVE A UMA VIVÊNCIA FRATERNA, JUSTA E COMUNITÁRIA.

Praticamente, em todas as Igrejas, temos hoje pessoas com fartura e outras com fome. Temos pessoas com boas casas e outras sem ter onde morar; temos pessoas que dão aos seus filhos ótimas escolas e outros que não podem nem estudar. Esta situação não era para existir no meio cristão. O evangelho veio trazer a Boa Nova do Reino de Deus, que significa uma vivência fraternal, justa e comunitária. A Igreja primitiva procurava colocar em prática o ensinamento de Jesus, por isso, em seu meio não havia quem passasse necessidade (cf. At 2.44; At 4.32-44). O que acontece hoje é uma distorção do Evangelho! É uma infidelidade a Jesus Cristo!

E por isso que a Igreja não pode fazer concessões, não pode deixar de constantemente questionar a sua prática. Onde o Evangelho chega, algo diferente tem que acontecer!

A Igreja precisa urgentemente retomar a prática da Igreja primitiva, segundo os relatos dos sinóticos e do livro de Atos.

O Evangelho que a Igreja deve anunciar aos poderosos, aos que têm posses, é um evangelho que leve a amar o próximo de forma concreta, à semelhança de Barnabé (At 4.36-37) e Zaqueu (Lc 19.1-10); à semelhança do que Jesus anunciou ao jovem rico (Mc 10.17-22). Se uma Igreja não tem uma relação justa, fraternal e comunitária entre seus membros, então, o verdadeiro Evangelho não está sendo praticado em seu meio.

O Espírito Santo dá esta consciência e nos leva a praticar o amor fraternal. O Espírito Santo cria a vivência justa e comunitária (cf. At 2.37-47). Esta vivência justa, fraternal e comunitária deverá existir também na sociedade. O Reino de Deus veio exatamente criar esta prática. A nova Jerusalém descreve esta vivência, onde não mais haverá fome, morte, opressão, desigualdade. A Igreja tem esta missão de anunciar e concretizar em seu meio e na sociedade o Reino pleno de Deus.


UMA EVANGELIZAÇÃO QUE LEVE A CONFESSAR A JESUS COMO SENHOR E SALVADOR

Jesus é o Rei do Reino que ele quer instalar definitivamente no mundo. A fé, a crença, a confiança plena em Jesus é fundamental para que o Reino se instale, interiormente, em nossa vida e para que, como súditos, como servos de Jesus, também cooperemos e sejamos instrumentos importantes para instalar o Reino de justiça e paz no mundo. Neste sentido, devemos seguir o exemplo de Paulo. Aliás, ele disse para sermos seus imitadores, como ele foi de Jesus.

Sem a presença de Cristo em nossa vida, ninguém poderá, por muito tempo, por mais boa vontade que tenha, continuar com o propósito de lutar contra o reino das trevas. É o Espírito Santo que nos capacita, nos dá forças, nos esclarece, nos impulsiona para a Missão.

Além do Cristo libertador, a Igreja deverá anunciar o Cristo crucificado, o Cristo ressurreto, o Cristo Senhor e Salvador. Somente com Cristo sendo o Cabeça, é que o Corpo, que somos nós, poderá viver a vida comunitária, a vida fraterna, a vida justa com o próximo.

Neste sentido, o exemplo de Paulo é fundamental! Ele tudo deixou por causa de Cristo! Paulo era rico, era cidadão romano, era pessoa influente na religião em Israel. A conversão de Paulo o levou a considerar tudo isto insignificante. O amor de Cristo o transformou! Paulo em muitas ocasiões citou o exemplo de Cristo, que se esvaziou e se tornou servo (Fl 2.6-7). Ele pediu que a Igreja tivesse o mesmo sentimento de Jesus (FI 2.1.5). Paulo vivenciava o Reino de Deus plenamente.

A Igreja hoje deve seguir o exemplo dos discípulos de Jesus, que tudo deixaram por causa do Evangelho. Se a Igreja hoje vive tão cheia de propriedades ociosas, se a Igreja é constituída de pessoas que estão mais prontas a mandar do que a servir, se a Igreja é constituída de pessoas riquíssimas e outras paupérrimas, é exatamente devido a falta de confessar a Jesus como Senhor e Salvador.

Somente uma conversão autêntica levará o convertido à prática da justiça, da misericórdia, da fraternidade. Naturalmente, há muitas conversões autênticas, mas a Igreja não tem enfatizado a prática do Evangelho ou a vivência do Reino de Deus, conforme o ensinamento de Jesus.

Se enfatizarmos somente o Reino de justiça e paz, a evangelização estará incompleta. Se enfatizarmos também somente o Cristo crucificado, a evangelização ficará incompleta. Portanto, se a Igreja quiser seguir a Bíblia por inteiro e todo o evangelho, é necessário enfatizar a fé no Cristo crucificado e a prática do Reino de justiça e paz.

Citações:
(1) COOK, G., op. cit., p. X III,
(2) ALLMEN, J., op. cit., pp. 136-7.
(3) COOK, G.. op. cit., p. 3.
(4) CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS, op. cit., p. 27.
(5) GONZALEZ, A., op. cit., p. 92.
(6) CARVALHO, E. J. M., Teologia e Prática do Metodismo — Uma Experiência da Igreja em Angola, SP, Imprensa Metodista e Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, 1984, p. 52.
(7) Ibid, pág. 54


(*) Texto extraído do livro "A Evangelização Libertadora de Jesus", escrito pelo Rev. Odilon Massolar Chaves e publicado pela Imprensa Metodista em 1985. Esse livro pode ser lido e copiado integral e gratuitamente no site da Igreja Metodista de Vila Isabel (http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricao.asp?n=1)

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