IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 9/4/2007
 

O Pastor(a) e a sua família

ZZ Outros Colaboradores ZZ


 

O PASTOR(A) E A SUA FAMÍLIA


PREÂMBULO
COMO pessoa, pastor e bispo tenho me preocupado com a vivência pastoral, sua vocação, seus relacionamentos, sua família e o seu ministério. A minha experiência pastoral e episcopal levaram-me a avaliar e refletir a respeito de diversos aspectos relacionados com a vida pastoral.

Tenho tido a oportunidade de expressar conceitos, preocupações e experiências em Encontros Pastorais, Ministeriais Regionais, Encontro Nacional de Pastores e Pastoras e uma série de outras oportunidades. De tudo isso iniciou-se um texto, como que, um Ensaio Pasto- ral que, pela primeira vez tenho a oportunidade de apresentá-lo a público. A minha intenção era a de ter feito um pequeno livro para que pudesse estimular a reflexão. Algo mais prático do que acadêmico. O tempo tem passado e ainda não consegui esse ideal. Todavia, surge agora, uma oportunidade singela: a formatura de alunos e alunas do Curso Bacharel em Teologia, da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, inserida na UMESP. Essa turma- 2001- tornou-se famosa por diversos motivos, dentre eles: ser a maior turma da história de nossa Faculdade Teologia e da Igreja Metodista; ser a primeira turma a se formar, depois do reconhecimento oficial, pelo governo do Brasil, de nossa amada Faculdade. Como uma homenagem a todos os formandos e formandas e àqueles (as) que iniciaram essa caminhada em 1999 apresento esse pequeno intento.

Com surpresa, fui agraciado tendo o meu nome simbolizado essa turma. Uma expressão amorosa e caridosa de todos (as) que se dedicaram na busca do ideal da formação pastoral.

Sou grato por essa expressão de carinho e solidariedade. Na verdade, nos últimos anos, tenho tido a oportunidade e a bênção de estar trabalhando junto da Faculdade de Teologia.

Experiências ricas têm sido acrescentadas à minha vida e ministério. O convívio com alunos, alunas, seus familiares, bem como, professores e professoras e seus queridos e funcionários e funcionárias têm proporcionado à minha pessoa desafios, alegrias e significativos acréscimos à minha existência.

Expresso a minha gratidão a todos e todas que, nessa caminhada pastoral, tem manifestado o carinho, o amor, a tolerância e o acolhimento à minha pessoa e familiares. Nesse sentido, também dedico essa minha busca e o início desta caminhada, através deste Ensaio Pastoral, a todos vocês – alunos, alunas, professores, professoras, funcionários, funcionárias e familiares, bem como a todos os segmentos da Faculdade de Teologia. Muito obrigado por me permitirem caminhar juntos, aprender juntos e vivenciar a vocação pastoral juntos.

Tem sido fundamental em todo o meu viver a Família. Sou grato ao Senhor pela família que me acolheu com a vida – pais, irmãos, sogros, cunhados e demais familiares – e pela família que me possibilitou constituir, ao lado da querida esposa Elcy (filhas, genros, netas e demais familiares).A eles todo o meu reconhecimento pelo sustento, apoio e enriquecimento dados à minha vida e vocação pastoral.

Para mim o chamado divino é tremendamente significativo em dois sentidos: à vida que me é concedida através de Cristo e do Espírito Santo e a vocação pastoral. Todo o meu viver tem sido dedicado na busca do vivenciar esse ministério, motivo maior de minha existência e a expressão de minha vida como um ato de louvor, dedicação e gratidão a Deus.

Amados (as) no Senhor. Louvo a Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – pela Graça que me tem concedido; pelo sustento a mim oferecido e por tudo quanto tem possibilitado participar na obra do Reino através da minha pessoa, família e querida Igreja Metodista. Sou grato a Deus por vocês, alunos e alunas, da turma de 2001 e, também, de turmas que por aqui já passaram e outras que continuam aqui a labutar; grato pelo carinho, amor, compreensão e apoio a mim oferecidos. Obrigado pela comunhão e união que, junto de vocês, pude receber. Aceitem a minha compreensão, solidariedade, partilha e oração. Os espaços de convivência foram muitos, desde a sala pastoral, os corredores e as salas de aula, o espaço vivencial do dia-a-dia, o ministério nas igrejas locais, os momentos informais até instantes de lazer e familiaridade, inclusive o Boliche.

Continuem a jornada, pois, ela não termina, apenas começa a ampliar-se. Façam do estudo uma contínua busca. Levem a sério a oração, a meditação e a comunhão com o Senhor.Amem o povo, as pessoas e as comunidades locais. Ofereçam-se como adoração ao Senhor!



INTRODUÇÃO

Essa pequena caminhada, através deste Ensaio, é apenas uma abertura para a vivência pastoral e sua reflexão.

Este humilde texto contempla alguns temas que estão envolvidos na dinâmica do ministério pastoral, da família pastoral e do relacionamento com a igreja local. Não é um texto completo, na verdade deixa muito a desejar. Houve uma seleção inicial de alguns temas que aqui são contemplados. Há muitos assuntos que estão apenas esquematizados ou sinalizados. O tempo não me permitiu conclui-los e aqui estão só mencionados e levemente elaborados. Ainda há muito o que se trabalhar.

Não sendo a abordagem acadêmica, sem pretensão maior, motiva-nos a ampliar essa caminhada. Os queridos alunos e alunas, agora formandos (as) ou continuadores nos estudos e nas pesquisas podem enriquecer e ampliar essas considerações.

A sua reflexão inicial foi motivada pelo Encontro Nacional de Pastores e Pastoras realizado em Grussaí, em 1998. A seguir continuei o assunto através do Curso de Licenciatura realizado no Seminário Bíblico Latinoamericano (hoje Universidade Bíblica) na Costa Rica. Tornou-se um projeto de pesquisa e estudo, ainda em processo.

Alguns temas não mencionados em estudos pastorais são aqui contemplados. As questões das Expectativas, da Percepção, das Necessidades, das Tensões, etc. e seus relacionamentos com a vida pastoral.

Há um início de reflexão, com um esboço maior a respeito da relação pastor (a) com a sua família – esposa(o), filhos (as) e outros participantes do núcleo familiar. Todavia nesse momento são mais contemplados a relação mais tradicional: esposa (o) e filhos (as).

Avalia-se, também, os espaços das crises mais acentuados e o que representa, hoje, as seduções e tentações mais constantes na expressão do ministério pastoral.

Outras breves reflexões são aqui apresentadas. Esperamos que elas possam estimular e contribuir, não apenas para a reflexão e pesquisa, mas, acima de tudo, para a vivência relacional de pastores e pastoras com Deus, consigo mesmos, com as pessoas, a comunidade, com destaque a vida da família.

Tenho a consciência que ficarei em dívida com o tema e com o Ministério Pastoral. É muito difícil não ser devedor, dentro de um contexto tão dinâmico que é a vida ministerial pastoral e seus relacionamentos. Lembrem-se, aqui temos um breve Ensaio Pastoral.

Sou grato a todos pela compreensão, estímulo, apoio e companheirismo. Em especial sou grato a Deus por tudo o que Ele é, fez, faz e possibilita fazer em Seu Nome. Ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo gratidão, honra e glória. Ao ser humano, motivo maior do amor divino e à Sociedade presente na História, o meu reconhecimento e a minha dedicação vocacional. À Igreja, Corpo do Senhor, presente na expressão eclesial da Igreja Metodista e nos seus relacionamentos intra, inter e extra-igreja, a gratidão por tudo quanto fez em mim, por mim, pela humanidade , a História , a Sociedade, o Universo e o Reino.

UM POUCO DO CONTEXTO ONDE VIVEMOS.

O individualismo, o personalismo, o egoísmo e o egocentrismo são expressões do que têm marcado a vida nos dias de hoje.

Temos presente em nós algumas carências básicas, em certo sentido fruto daquilo que chamamos prioridades para o nosso viver: amar e ser amado, perdoar e ser perdoado, servir e ser servido, dar e receber, viver em contínuos relacionamentos, em todos os níveis. Os valores do mundo presente têm deixado de lado o amar, o perdoar, o dar, o servir, o relacionar-se à luz da sua devida importância.

VIVEMOS nos dias de hoje no meio de tensões e expectativas as mais diversas. Elas afetam a vida das pessoas, seus relacionamentos, a sua maneira ser, de viver e de expressar as suas convicções, os seus valores, a sua vocação e a sua vivência pessoal, familiar, religiosa e social.

Nos tempos atuais, um dos grandes motivadores da vida é o que chamamos “Ter coisas, possui-las”

O ter está acima do Ser pessoa. Junto deste apelo está o chamado ao Fazer, Realizar. Em outras palavras a “compulsão pelo desempenho”. Ser pessoa, ter-se relacionamentos, expressar afetividades, desenvolver valores são deixados em segundo plano. O Evangelho coloca como prioridade o SER PESSOA E O TER RELACIONAMENTOS, fundamentados no amor, na afetividade, na intimidade e na comunhão. Isso em todas as dimensões: com Deus, consigo próprio, nos relacionamentos com as pessoas, na vida familiar, na vivência religiosa e na expressão vocacional, profissional e social.

Na vida humana atos, gestos, palavras geram sentimentos. Sentimentos que podem transformar-se em valores positivos ou negativos, tais como, ressentimentos, discriminação, etc. que virão prejudicar os nossos relacionamentos. Há muitas pessoas marcadas, desde a infância e no decorrer da sua existência por sentimentos fruto de palavras, gestos e ações que as feriram.Nos relacionamentos humanos, em todos os níveis, inclusive na Comunidade da fé, o mesmo pode acontecer. Deus nos chama para um relacionamento e uma convivência fundada no amor, no perdão, na solidariedade, no serviço e no apoio mútuo.

O contexto social em que vivemos tem afetado diretamente o pastor (a) e a sua família. A temática, “O pastor (a) e a sua Família”, é demasiadamente amplo. Tem aspectos e facetas as mais múltiplas. Nos dias de hoje exigiria de todos nós um esforço concentrado visando analisar, sob todos os aspectos, essa realidade em que nos encontramos. Infelizmente, no momento, buscando atender ao objetivo do momento iremos considerar apenas, e de forma genérica, alguns dos aspectos e dos componentes aqui presentes. Se conseguirmos nos despertar para a urgência e a necessidade de levarmos a sério esta questão e começarmos a tomar algumas providências a nível pessoal, familiar e institucional isso nos levará a alcançar o objetivo estabelecido para o momento.


UMA VISÃO BÍBLICA A RESPEITO DO PASTORADO

A Bíblia nos apresenta uma visão bem ampla a respeito da figura do pastor/a. Há uma série de textos que nos dão diversos referenciais. Vejamos alguns:

Jr. 3.15 apresenta-nos a promessa do Senhor para o seu povo. “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração... que vos apascentem com sabedoria e conhecimento”. Há um povo carente, desobediente, inseguro e necessitado de orientação e amparo há esta expectativa do Senhor.

Ez. 34. Apresenta-nos o questionamento de Deus para com os pastores de Israel. Os pastores apascentam a si mesmos... deixando de cuidar das ovelhas e usando-as para o seu próprio proveito. Deus mesmo decide cuidar das ovelhas, dar a vida por elas, amá-las, buscá-las, curá-las... Em Jesus Cristo Ele cumpre essa determinação da Sua Graça.

No Evangelho de João, Jesus cumpre esta visão. Ele torna-se o bom pastor: amando-as, conhecendo-as, servindo-as, guiando-as e dando a vida por elas,- 10.7-18.

Quando avaliamos os chamamentos feitos aos profetas encontramos elementos significativos que nos orientam: o chamamento feito pelo Senhor, nossa dependência DELE, a nossa insuficiência, a visão da obra, o cuidado de Deus, a nossa responsabilidade, a dependência da Graça, etc.

O apóstolo Paulo coloca diversas perspectivas pastorais e familiares em algumas de suas cartas. Em 1Tm 3 fala-nos das qualificações que deveriam ser encontradas nos bispos e diáconos. No livro de Tito 1.5-9 apresenta novamente características que deveriam ser encontradas nos presbíteros e bispos. Nelas encontramos princípios que se relacionam com a vida pessoal, vocacional, ministerial, familiar, interpessoal e social do pastor (a)

Em suas diversas cartas temos orientações, de nível geral, que direcionam o relacionamento dos cristãos consigo mesmos, no relacionamento com as pessoas, na vida social, na convivência com a comunidade de fé, em especial com Deus. Esses textos são em sua gênese destinados aos pastores e pastoras. Como exemplo podemos citar Efésios 4,5 e 6; Rm. 12.9-21, Cl. 3.12-4.6; Fp. 2.l-11 dentre tantos outros.

O apóstolo Pedro em sua primeira carta apresenta-nos no capítulo 5,1-4 um significativo perfil pastoral. Aqui ele coloca Cristo como o Supremo Pastor e Bispo, tornando-se Ele o nosso referencial.

Como destaque cito a orientação pastoral que Paulo dá a seu filho e colaborador Timóteo. 1Tm 4.1-5-2 vemos algumas recomendações específicas. Dentre elas destacamos o verso l6: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”

De certa forma temos procurado dar ênfase ao cuidado doutrinário. Mesmo assim isso tem sido feito de forma descuidada. Contudo o cuidar-nos de nós mesmos tem sido deixado de lado.

Cuidar de si mesmo, na vida pastoral torna-se o grande desafio para todos nós. Esse cuidado é bem abrangente. Diz respeito a todos os aspectos pessoais presentes em nossas vidas; a todos os componentes do nosso ser; aos relacionamentos que mantemos com as pessoas, a igreja e a sociedade; a vida familiar, em todos os seus aspectos; ao relacionamento pessoal com Deus, através de nossa vivência cúltica e devocional, do nosso ministério e do testemunho dado pelo nosso viver.

Somos seres com características biológicas, psicológicas, dentre elas destacamos os aspectos mentais, emocionais, sociais (relacionamo-nos com pessoas), éticas, morais e espirituais. A totalidade do nosso ser, com seus valores, seu histórico, sua formação, seu temperamento, caráter e personalidade devem ser alcançados e trabalhados pela Graça de Deus.
Temos que reconhecer que somos “seres humanos” e não super-seres ou anjos. Deus nos constituiu com valores, possibilidades e potencialidades. Com o decorrer do tempo fragilidades foram anexadas às nossas vidas. Carecemos do cuidado humano e divino destinado a todo o nosso ser. Em especial às diversas áreas de nosso viver, dentre elas a Vida Familiar. No meio de uma sociedade onde mitos são criados - todo-poderoso, super-seres, messias - somos chamados a reconhecer os nossos valores e as nossas debilidades e buscarmos no Senhor, na vivência inter-pessoal e comunitária e nos recursos humanos e sociais as forças e as condições necessários visando o aprimoramento de nossas vidas e de nossos relacionamentos.


UMA ESCALA DE PRIORIDADE

Ao estabelecermos uma escala de prioridade na vida podemos e numerar as seguintes:

1. Deus
2. Família
3. Trabalho
4. Igreja
5. Sociedade

O pastor Jaime Kemp, da Sepal, em seus estudos e livros tem apresentado uma relação próxima a essa, mas um pouco diferenciada:

1. Deus
2. Pessoas - antes do que Coisas
3. Família - antes do que a Igreja
4. Esposa - antes do que os filhos
5. Filhos - antes do que amigos
6. Conjuge - antes de Si mesmo
7. Espírito - antes do que matéria

Num primeiro momento estas duas colocações nos chocam, tendo em vista as prioridades que temos estabelecidos para as nossas vidas, em especial para o nosso ministério pastoral. É normal vermos constantemente a prioridade, após a Deus, estar colocada na Igreja. Muita discussão isso tem provocado. Não queremos, neste momento, nos fixar nesses pontos. O que necessitamos avaliar e rever são as questões das prioridades, em especial, daquela concedida à família. Na escala apresentada, família e trabalho estão acima da prioridade da Igreja como instituição. É claro que na vida pastoral, como ser pastor ou pastora inclui-se também na área do trabalho, há uma interação e um relacionamento mais dinâmico entre essas duas áreas: trabalho e Igreja. Está aqui uma temática que nos desafio a uma avaliação mais profunda e a uma redefinição de prioridades.

Procurando relacionar o impacto das crises na vida pessoal, familiar, vocacional e eclesial podemos constatar a dimensão do seu impacto.

Ao fazer-se uma análise a respeito das crises nas vidas das pessoas e do seus relacionamentos ocorreu a seguinte observação:

1. A CRISE PESSOAL afeta o aspecto interior, relacional, familiar e a vida no trabalho.

2. A CRISE NO TRABALHO afeta a vida pessoal, familiar, relacional e o próprio trabalho.

3. A CRISE RELACIONAL afeta o trabalho, a pessoa e a família.

Qualquer natureza que seja a origem ou o âmbito de uma crise, a vivência familiar e relacional é afetada.

É FUNDAMENTAL VISANDO DESENVOLVER A NOSSA VOCACÃO, A VIVÊNCIA PESSOAL, RELACIONAL E FAMILIAR TER EM MENTE O SEGUINTE ESQUEMA:

Conhecer  Compreender  Aceitar  Tolerar  Acolher  Apoiar  Servir  Restaurar 


AMAR
CUIDANDO DE SI MESMO...

Em I Timóteo 4.1-5 temos a orientação paulina a seu discípulo Timóteo. Dentre tantas recomendações significativas encontramos a preocupação para não “menosprezar ou ser negligente para com o dom que há em ti”. Dentre esses dons temos o dom da vida, o dom de Cristo, o dom do Espírito, o dom para a vida pessoal e vocacional... A seguir vem uma consideração nem sempre valorizada: CUIDAR-SE DE SI MESMO E DA DOUTRINA.

Aparentemente achamos que temos cuidado da doutrina, pelo menos esta tem sido uma preocupação. Todavia, cuidar-se de si mesmo, em especial da família, tem sido algo deixado de lado. A vida é um precioso dom que necessita receber os devidos cuidados.

Cuidar de si mesmo torna-se o grande desafio para todos nós. Esse cuidado é bem abrangente. Diz respeito a todos os aspectos pessoais presentes em nossas vidas; a todos os componentes do nosso ser, aos relacionamentos que mantemos com as pessoas, com a família, com a sociedade e com a natureza e, acima de tudo, com Deus.

Somos seres com características biológicas, psicológicas (dentre elas destacamos os aspectos mentais, emocionais, sentimentais...), éticos, morais, espirituais e sociais. A totalidade do nosso ser, com seus valores, seu histórico, suas raízes, sua formação, seu temperamento, seu caráter e sua personalidade, carece ser cuidado. Todo o ser e toda a vida necessitam da graça divina.

O que enfatizamos aqui é a necessidade que temos em cuidar de nossa pessoa, nossa vida e de nossos relacionamentos.
PERSONAGEM OU PESSOA

Somos humanos e temos que reconhecer que não somos “super-seres ou anjos e muito menos “mini-deuses”. Deus nos criou com valores, possibilidades e potencialidades. Com o decorrer do tempo fragilidades foram anexadas às nossas vidas. Carecemos dos cuidados humanos e divinos destinados a todo o nosso ser, em especial, às diversas áreas de nosso viver. Dentre elas consideramos como de vital importância a de nossa família, qualquer descrição ou limitação que ela tenha.

No meio de uma sociedade, na qual mitos são criados – todo poderoso, super-seres, messias -, somos chamados a reconhecer os nossos valores e as nossas debilidades e buscar, no Senhor, as forças e as condições necessárias visando o aprimoramento de nossas vidas e de nossos relacionamentos.

Quem somos nós? Personagem ou pessoa. Este é dos grandes dilemas presentes na sociedade moderna. O ser humano é “coisa”, “número”, “objeto”, “personagem” e uma série de outras coisas, menos pessoa.

Cumprimos determinados papéis na sociedade. Somos cobrados a partir do desempenho de nossos papéis. A pressão pelo desempenho predomina hoje criando angústias, tensões, desajustes de todos os tipos. Mediante uma diversidade de expectativas tenho que desempenhar determinados papéis: pastor/a, líder, esposo, pai, cidadão, familiar, amigo, etc. Mediante os valores de nossa sociedade este desempenho requer reconhecimento, sucesso, conquistas, crescimento, qualidade. Somos uma peça importante no esquema social ou eclesial. Se satisfizermos as expectativas e tivermos sucesso, tudo bem. Se não, seremos questionados, pressionados, marginalizados e descartados, afinal vivemos numa sociedade de “descartes”.

A grande tensão existente em nós, entre nós e através de nós é o da definição do que somos: pessoa ou personagem. O Evangelho revaloriza e recoloca a posição da Pessoa, acima da do Personagem. Inúmeros exemplos encontramos a esse respeito, em especial a da mulher Samaritana, citada por João 4. A sociedade a trata como uma personagem cheia de discriminação: sexista, social, moral, religiosa, racial, cultural... Jesus, no seu processo de restauração, dialoga com ela através do processo de acolhimento e reconhecimento do seu valor como pessoa, retirando dela o seu papel de personagem.

Na vida pastoral, eclesial, familiar e social estamos necessitando desta restauração. Isso inclusive na vida das famílias pastorais onde as pessoas são mais personagens do que outra coisa: o/a pastor/a, a/o esposa/o do/a pastor/a, o/a filho/a cobrando de todos a correspondência das expectativas as mais diversas. Isso acontece não somente da parte da Igreja, mas dos elementos componentes da própria família pastoral.


SUCESSO OU FIDELIDADE

Os valores da sociedade moderna têm nos levado ao mundo da competitividade. A sociedade do Mercado nos estimula a buscar o reconhecimento, o sucesso, a posição, o destaque, a autoridade.

Mesmo no meio religioso há uma grande competitividade onde Igrejas e líderes buscam destacar-se através de suas conquistas, seus carismas, suas posições, seu sucesso, o crescimento de suas Igrejas, os prodígios e sinais que realizam, etc.

Essa tendência tem influenciado muito as igrejas, os pastores/as e seus líderes em relação às expectativas tidas para consigo mesmos ou às exigências de uns sobre os outros. Como decorrência a família pastoral é afetada, pois há expectativas da mesma natureza presente nos relacionamentos de uns para com os outros. Passam-se a exigir sucesso, destaque e desempenho como referencias de reconhecimento, aceitação, mérito, instrumento de barganha e até concessão da afetividade.

Evangelho do Reino de Deus dá prioridade à Fidelidade no lugar do sucesso. Jesus analisado do ponto de vista dos valores do presente século seria um fracassado. Todavia, segundo as normas do Reino - a fidelidade - levou-O a estar soberano acima de todo nome, poder ou autoridade. Ef. 1.20-23; Fp. 2.5-11.

Por mais que tudo isso possa nos parecer sem relevância, a verdade é que essa questão tem afetado diretamente a vida do ministério pastoral, da missão da Igreja e dos relacionamentos encontrados na família pastoral.


CRISE PASTORAL, PESSOAL E FAMILIAR

Como pessoas fugimos das tensões e das crises. Ambas nos amedrontam. Todavia, a realidade em que vivemos indica que há sinais de crise em nós, na sociedade, na família, nos relacionamentos humanos e em diversas áreas presentes na vida.

Crise não significa falência ou morte. Ela pode indicar uma reação significativa, pois sinaliza vida e vitalidade. Muitos têm afirmado que a crise é sinal de Perigo, mas acima de tudo, de Oportunidade. Oportunidade que nos leva a nos avaliar, a nos refazer, a nos reestruturar, a redimensionar a vida. Neste sem tido a crise torna-se um sinal de grande valor e importância para todos nós.

Existem presentes nos dias de hoje alguns núcleos de crise. Eles afetam a vida pessoal, pastoral, social e familiar. Sinalizemos alguns de seus componentes:

1. Crise de Identidade
2. Crise de Intimidade
3. Crise de Integridade
4. Crise de Vocação
5. Crise de Participação
6. Crise de Relacionamentos
7. Crise de Valores

Há a presença dessas e outras crises na vida pastoral, eclesial e da família pastoral. Pesquisas têm sido feitas tentando localizar e avaliar essas crises. Pessoalmente temos observado e avaliado os núcleos de crise partindo de minha própria pessoa, do relacionamento e vivência com o ministério pastoral, de leituras e estudos. Um dado que considero significativo foi o que o publicado pelo encarte do boletim da CNBB, número 239 que trata da “Conjuntura Social e Documentação Eclesial”. Quatro itens são considerados como Núcleos da Crise: Identidade, Intimidade, Participação e Vocação. De forma similar temos visto, sinalizado e observado esses mesmos itens no Ministério Pastoral. À luz do que foi considerado no encarte podemos sinalizar alguns aspectos presentes nas crises, sem contudo, no presente, desenvolve-los mais adequadamente.

1. IDENTIDADE. Parece que vivemos de forma pessoal e social sem identidade. Quem somos nós? Para quê vivemos? Por quê vivemos? Qual sentido do meu viver? Com o que identifico a minha vida em relação a Deus? Quem é o Deus com que me relaciono? E a minha consciência vocacional? Que valores orientam a minha vida e os meus relacionamentos? O que move os meus sentimentos e os meus ideais? Quais são as minhas ambigüidades, os meus conflitos? No núcleo básico das crises encontramos o de nossa identidade pessoal, social, eclesial e existencial. Há a necessidade de um ajuste, e as vezes, mudança em nosso Ser e do Ser pastor ou pastora.

2. INTIMIDADE. Somos exclusivos e inclusivos. Há uma característica pessoal em cada um(a) de nós – a nossa pessoalidade.Temos um modo de ser pessoal e único.Não podemos levar a sério a vida sem valorizar e trabalhar a nossa intimidade conosco mesmos, com Deus e com a vida, em todos os seus aspectos. Há lutas e tensões dentro de nós, na nossa intimidade. Muitas vezes nos assustamos conosco mesmos.Desconhecemos o nosso interior. Isso nos leva a aprofundar a nossa intimidade pessoal e relacional. Os motivos que estão presentes em nossas vidas nem sempre são conhecidos e claros. Há crise de motivação. Hoje há grande tensão nos núcleos motivadores do ser, guiados e sustentados por valores de todas as espécies. Uma insatisfação constante existe dentro do Ser. Nem sempre nos aceitamos em virtude disso e de nossa falta de intimidade. Que desafio, penetrar no Eu, conhece-lo, acolhe-lo, consentir transforma-lo, estar aberto à graça divina!

3. INTEGRIDADE. Essa é uma das grandes crises de nossa época. A corrupção está por toda a parte.Ela está presente de forma marcante no Brasil, mas não apenas aqui e sim, em todo o mundo. Isso não nos deve confortar, ao contrário, alertar. No seio da religiosidade tem sido um grande fator de desintegração a falta de integridade. Esse tem sido considerado um grande valor (para não dizer item) que carece ser presente na vida pastoral, pessoal e eclesial.Ter ou não ter integridade está ligado à coerência na vida. A sociedade de poder requer, antes e acima do poder, caráter. Infelizmente temos assistido na Igreja Institucional e no meio Evangélico essa trágica situação. Carecemos urgentemente de autoridade, uma autoridade com caráter e integridade. Essa constatação não deve levar-nos ao desespero, mas sim, à busca da graça divina e dos valores prioritários do Reino de Deus Quando somos questionados, antes de tudo o somos, pela nossa integridade. Que o Senhor tenha misericórdia de todos (as) nós!

4. VOCAÇÃO. Aqui temos o sentido da vida. O para quê vivemos, não apenas no aspecto profissional, mas existencial. A vocação define o nosso Ser, o nosso Viver e a nossa Missão. Diz o boletim da CNBB: ”Aprender a inserir a Espiritualidade no cotidiano da vida e do ministério, é um dos grandes desafios. ”A espiritualidade é o tecido da vida , repetem. A nossa identidade vocacional está na pessoa de Cristo. Amar, dar-se para servir, transformar, libertar, salvar... A crise da vocação tem levado o pastorado a uma tensão de valores e prioridades. Tudo o que temos visto no meio evangélico e cristão e que tem descaracterizado o Evangelho é decorrência dessa crise. Onde temos fundamentado a nossa ação chamada vocacional? E a vocação da Igreja, da Missão? Constatamos que por detrás de tantas outras crises, a crise vocacional é um de seus fundamentos.Qual o nosso lugar, o nosso papel e a nossa missão pastoral? Da resposta a estas indagações surgirão os valores básicos de nossa vocação.

5. PARTICIPAÇÃO. Isto significa qual o lugar e o âmbito de participação que tenho como
Pastor (a) em minha igreja e comunidade. Grandes mudanças tem sido feito no contexto da História afetando a vivência pastoral e comunal na comunidade de fé, Os papéis de cada pessoa ou status não têm permanecido constante.Na reforma Lutero contemplou a
Igreja com a sua rica visão do Sacerdócio Universal dos que Crêem. Todos (as) participam do ministério do Senhor na História e no mundo. Ao surgir uma mudança um desequilíbrio surge temporariamente Diz o texto da CNBB:” A visão funcionalista em que cada um tem a sua função pré-determinada, ruiu por terra no Vaticano II . A Igreja como Povo de Deus e Serva do Mundo, sob a ação do Espírito suscitou “carismas e ministérios” que exigem uma revisão do lugar e da função do presbítero junto ao povo de Deus e a História. Todos – leigos – são chamados a participar. Mas ainda existe inadequação sacerdotal que “impede a participação de todo o povo de Deus, de forma ministerial”. Não foi o movimento Dons e Ministérios algo que veio, de início, desequilibrar o espaço e a dinâmica participativa do leigo e do pastor no contexto da igreja local e de todas as dimensões participativas na Igreja? A tensão ainda continua...os espaços abertos carecem ser preenchidos. Ainda vivemos esta crise.

6. CRISE DE RELACIONAMENTOS. Esta é a grande crise que vive o ser humano em todas as áreas da vida. Mesmo com o crescimento do conhecimento, da educação e da cultura ainda temos dificuldades em nos relacionar. Essa crise tem afetado diretamente a vivência da igreja local e da vida familiar. Há muita tensão, conflito e desequilibro na área dos relacionamentos. O relacionamento, também, de pastores e pastoras, com a hierarquia, em todos os seus níveis, continuam difíceis.O ocorrer dessa ruptura poderá trazer como conseqüência o surgir de uma comunidade de fé. É o fragmentar do Corpo de Cristo, muito comum nos dias de hoje.

7. CRISE DE VALORES. Talvez aqui encontremos a causa de muitas crises.O mundo vive uma crise de valores. A mudança dos valores tem causado uma mudança de paradigma. Quantos falsos valores têm sido inseridos na comunidade da fé e na vivência pastoral! Em muitos dos espaço da Igreja Evangélica vivenciamos valores materialistas deformando a natureza da comunidade do Senhor. Os valores que nortearam pastores e pastoras a se darem em prol do seu chamado vocacional hoje são trocados pela ambição, busca do poder, autoritarismo, prosperidade e outros mais. Vivemos um grande desequilíbrio como decorrência desta crise. Todos(as) somos tomados(as) por grandes tensões e tentações.

Outros espaços de crises existem. Preferimos, no momento, sinalizar estes. Isso não significa que outros aqui não mencionados não estejam confrontando e influenciando pessoas, famílias, toda a sociedade, em especial a pessoa do pastor e da pastora. Carecemos estar atentos (as) buscando detectar as fontes das crises, interpreta-las, avalia-las e minimizar os seus efeitos em, nós mesmos , em nossas família e nas nossas comunidades de fé.


O REFLEXO DE CRISES NOS RELACIONAMENTOS

Os relacionamentos estão tensos e desgastados. Há muitos sinais indicativos deste fato na família pastoral. O personalismo, o autoritarismo, sinais de violência física e sexual, infidelidade, tensão nos relacionamentos, carência de afetividade, impessoalidade, espiritualidade deformada, insensibilidade para com a fé, rejeição do institucionalismo eclesial, quebra de valores éticos e morais, problemas com o alcoolismo, os tóxicos, a sexualidade desvirtuada, expectativas de uns para com os outros fora do contexto da realidade e das necessidades pessoais, ausência de atenção, cuidado e diálogo, individualismo e egocentrismo...A Divisão e fratura na vida familiar é fruto, em grande parte, desta carência relacional.


ILUSTRANDO

Essas realidades poderão ser expressas através de depoimentos ou frases oriundos de esposas e filhos de pastores(as) ou deles (as) próprios (as).

• O meu esposo é um tirano dentro de casa...
• Ele comete adultério emocional e mental todos os dias,
• Casou-se com a Igreja e abandonou a/o esposa/o e os filhos.
• É incrível o que o meu esposo exige de mim nas relações íntimas e sexuais. Ele mais parece um animal.
• Não tenho vez e voz em casa. Tudo ele decide e impõe. No aspecto financeiro vivo mendigando as migalhas que sobram do orçamento mensal. Nada é participativo... tudo é imposto.
• Há uma distância muito grande entre o que o meu esposo prega e a sua vida no seio da família. O seu testemunho cristão não confere com aquilo que é pregado dominicalmente.
• Se eu não me submeto à sua autoridade, posicionamento e ordens a nossa vida parece um inferno: uma contínua discussão, tensão e brigas...


Por outro lado os/as filhos/as também se expressam:

• Não tenho um pai dentro de casa. Tenho um ditador ou impositor. Ele transfere sobre nós as expectativas da igreja.
• Não nos considera como pessoas e nem está atento às nossas necessidades.
• Papai não me dá atenção. Sempre está ocupado demais para me considerar. Não recebo dele nem carinho, nem amor e nem calor humano. Muitas vezes ele até é violento comigo.
• Não há diálogo em casa. Reconheço que erro muitas vezes. Todavia, falta compreensão, tolerância e perdão. Sou coagido em minhas decisões e ações. O perfeccionismo inatingível de meu pai recai sobre a minha pessoa.
• Sou tratado como criança. Nunca sou considerado responsável em nada. Vivo mendigando dinheiro, bens, roupas...
• Não me lembro de ter meus pais brincando comigo. Não há convivência mais íntima e amorosa entre nós. Papai está sempre ocupado. Não há tempo para lazer, diálogo, aconselhamento, carinho, férias...
• O meu lar é uma central de exigências e ordens. Às vezes me sinto como uma impressora de computador.


Por sua vez o/a pastor/a também tem as suas justificativas:

• Gostaria de dar tempo para a minha família, mas a igreja exige muito de mim e o pior é que os meus não entendem o meu drama.
• Minha esposa não me acompanha em nada. Ela é uma ausente em minha vida. Isso me tem levado a buscar amizades e apoio em outras pessoas. Sei que estou em perigo, mas o que fazer?
• Na igreja sou elogiado...bem tratado...amado, mas em casa nem considerado sou. Quando estou meditando, orando ou estudando indagam-me se “estou fazendo alguma coisa”. A natureza do meu trabalho pastoral nunca é entendido. Dificilmente sou elogiado ou valorizado.
• Há uma frieza nos relacionamentos que tenho com os meus familiares. Estou preocupado, pois sinto uma grande distância entre eu e minha esposa. Sei que isso é um perigo para mim. Vivo aconselhando mulheres carentes e numa dessas posso ser tentado.
• As pressões, exigências e múltiplas expectativas da igreja para com o meu ministério e as contínuas cobranças estão afetando a minha vida, os meus relacionamentos, a minha comunhão com Deus e, especialmente, a minha vida familiar.

Em síntese pode-se dizer, como o pastor Jaime Kemp – em seu livro “Pastores em perigo” – e outros estudiosos, que os desajustes mais presentes são decorrentes de “desentendimentos interpessoais, incluindo o uso do dinheiro, o pouco tempo dedicado à família, o baixo nível salarial, sentimentos negativos e contínuas mágoas presentes, diferenças de opinião sobre vários assuntos, inclusive a igreja e o ministério, ausência de tempo para diálogo, comunhão, vida devocional e lazer, questões a respeito dos filhos, sua educação, seus comportamentos e as questões disciplinares, dificuldades no relacionamento íntimo e nas questões da sexualidade, o trabalho da esposa fora de casa e os reflexos disto para a vida familiar, inclusive sobrecarga de atribuições sobre a esposa ou o esposo, a falta de sensibilidade para as reais necessidades da esposa, dos filhos e do próprio pai-pastor (privacidade, convivência, reconhecimento como pessoa, valor pessoal, de espaço visando expressar-se, etc.)

Com muita humildade, à luz da realidade e das necessidades pessoais e familiares, somos convidados através da graça divina a avaliar, reconhecer nossas carências e falhas, buscando caminhos alternativos que venham aprimorar o nosso relacionamento. Carecemos expressar de forma incondicional o nosso acolhimento, a nossa afetividade, a nossa empatia e o nosso amor para com a/o esposa/o, os/as filhos/as e os demais membros de nosso lar (pais, sogros, netos, etc).

Há carência de se dedicar mais atenção, tempo e cuidado para com nossas famílias. Semanalmente precisamos dedicar tempo para o nosso lar, separando um dia, pelo menos, e noites para convivência e atenção, inclusive de forma personalizada.

A presença, o tempo quantitativo e qualitativo, a disposição para o diálogo e o acolhimento, os momentos de recolhimento e lazer, as horas de intimidade familiar e pessoal, a capacidade para ouvir, dialogar, o ser sensível às realidades e ao momento ou fase em que vivem os seus queridos, o espírito compreensível, ajudador e perdoador, o cuidado com a vivência da espiritualidade, a expressão do carinho e do amor nos relacionamentos e a vivência evangélica para com os membros da família estão requerendo de todos nós uma prioridade ministerial familiar.


NECESSIDADES B ÁSICAS E FUNDAMENTAIS

Objetivando encontrar caminhos para o aprimoramento da vivência familiar é de
fundamental importância estarmos atentos/as às necessidades pessoais e globais dos membros de nosso lar.

Há diversos tipos de necessidades que precisam ser satisfeitas. Em geral nos preocupamos com as mais imediatas, geralmente ligadas às coisas materiais. A sociedade de consumo tem criado necessidades não fundamentais ao ser humano. A não obtenção daquilo que tem sido considerado fundamental traz insatisfação e desajustes interiores. Essa tendência consumista, mercadológica está demasiadamente presente na vida da Igreja e na sua forma de ser.

Considerando a questão das necessidades podemos enumerá-las em:

1. Necessidades Fisiológicas
2. Necessidades de Segurança
3. Necessidades de Amor e Afeição
4. Necessidades de Estima
5. Necessidades de Auto-atualização

Um dos fatores fundamentais do comportamento humano é o impulso que visa buscar a satisfação das necessidades. A não satisfação delas cria no ser humano certas tensões levando-o à ansiedade, angústia e ao desequilíbrio. Neste contexto somos levados a buscar a satisfação de nossas necessidades, qualquer que elas sejam. Ao nos sentirmos a caminho do suprir de nossas necessidades, inicia-se uma diminuição da ansiedade e começa em nós uma caminhada visando o processo de equilibração. Satisfazendo a necessidade diminui-se a ansiedade, a tensão e alcançamos o equilíbrio. Contudo, ao não atingir, entramos novamente num processo de busca de satisfação da ansiedade ou encontramos saídas alternativas, sinalizadas por diversos tipos de comportamento, tais como: fuga, fantasia, agressividade, autoritarismo, camuflagem, racionalização, indiferença, depressão e, até, espiritualização do processo (o que tem sido muito comum nos dias de hoje).

Um esquema pode resumir esta visão:

NECESSIDADE  ANSIEDADE  TENSÃO  DESEQUILÍBRIO  BUSCA DE SATISFAÇÃO  DIMINUIÇÃO DA TENSÃO  SATISFAÇÃO OU REINÍCIO DO PROCESSO

Na busca da satisfação, ao reiniciar o processo algum as alternativas encontramos, tais como, fuga, fantasia, agressividade, autoritarismo, ativismo, apatia, camuflagem, racionalização, indiferença, depressão, espiritualização. Devemos estar atentos visando avaliar, de forma correta, o que está por detrás de nossas motivações e que nos mobilização para a ação.

Estas questões estão diretamente ligadas com a nossa vivência e o nosso relacionamento na vida familiar, na Igreja e na sociedade. As necessidades podem ser de ordem física, emocional, relacional, material, econômica, moral, comportamental e espiritual.

Buscando avaliar o esquema das necessidades anteriormente apresentado procuremos enquadrar os elementos fundamentais constituintes de cada uma:

• FISIOLÓGICAS: fome, sede, fraqueza, cansaço, doença, dor...
• SEGURANÇA: intranqüilidade, insegurança, ansiedade, medo...
• AMOR/AFEIÇÃO: solidão, desvalorização, rejeição, isolamento, abandono...
• AUTO-ESTIMA: culpa, fracasso, inaptidão, confusão, falta de reconhecimento...
• AUTO-ATUALIZAÇÃO: frustração, vazio, inutilidade, tédio, irrealização...

Dependendo do nível de nossas exigências e expectativas o nosso relacionamento familiar, eclesial e social será mais adequado ou menos adequado, criando aspirações concretas, reais ou imaginárias possibilitando tensões, frustrações, ansiedades, insatisfação e desequilíbrio.

Objetivando entender melhor este processo de relacionamento vamos buscar avaliar e compreender o que significam as expectativas na vivência pastoral e familiar.


EXPECTATIVAS PASTORAIS NA VIVÊNCIA PASTORAL

Essas expectativas podem ter origem em diversas fontes:

1. Pessoais
2. Familiares
3. Eclesiais: Igreja a que pertence
4. Comunidade da fé
5. Comunidade social
6. Conceito de Deus
7. Vontade de Deus
8. Outras

Nos relacionamentos humanos a questão das expectativas é de fundamental importância. Sempre existem expectativas em nossos relacionamentos e envolvimentos humanos. Os pais têm as suas expectativas para com os filhos; os filhos para com as pais, o esposo para com a esposa e vice-versa, o pastor/a para com a igreja e esta para com o pastor/a... assim por diante. Quando as expectativas que possuímos são correspondidas ocorre o que chamamos “interação social”, ou seja uma correspondência de expectativa e um ajuste. Assim sendo haverá interação e integração pessoal, familiar, eclesial, social e grupal.

Se acontecer de não haver correspondência entre as expectativas, sejam por elas serem elevadas demais, inadequadas ou fora da realidade ocorrerá uma insatisfação que levará a pessoa ou o grupo à ausência de interação. Essa não correspondência vai exigir um processo de “readaptação” das expectativas, colocando-as a nível do perfil e da realidade das pessoas, da situação, da comunidade, etc. Não havendo o início do processo de “readaptação” as pessoas, a família ou o grupo podem seguir caminhos alternativos, tais como, Reavaliação da situação, das expectativas; mudança no nível de expectativas ou a ausência do reencaminhamento do processo provocando um caminho onde há a presença da Fuga e da Fantasia.

Em nossos relacionamentos diários em casa, na igreja, no trabalho, na escola, e em outros níveis esse processo está presente visando sempre a interação e a inter-relação pessoal, grupal e de múltiplas expectativas. Essa problemática está continuamente presente nos relacionamentos familiares.

Na Bíblia vemos inúmeros exemplos desta realidade:

• Moisés – tem as expectativas de Deus para com ele, dele para com Deus, do povo para com ele e com Deus e dele para com o povo. Se analisarmos Moisés e a sua presença na história do povo de Israel, vamos perceber e compreender bem este fato.

• Jonas – a não correspondência de suas expectativas missionárias com as expectativas de Deus, foge ao invés de entrar num processo de reestruturação e reavaliação.

• Jesus – O povo judeu tinha suas expectativas para com o Messias. Quem foi correspondido aceitou-o. Os que o rejeitaram tiveram as suas expectativas frustradas. Jesus tinha as suas expectativas para com Deus, o povo, o seu discipulado. Da mesma forma ocorria de maneira inversa.

Um caso de família bíblica citamos...

• Jacó – Todos os desacertos familiares, as confusões de relacionamentos surgem decorrentes do desencontro de expectativas e de comportamentos inadequados.

A não correspondência de expectativas, podem produzir tensões, tensões destrutivas, inibidoras ou criativas. Há a necessidade de aprendermos a viver em tensão sem nos desintegrarmos. Um certo nível de tensão no relacionamento humano é até benéfíco, desde que não entremos em “alta tensão”.

As tensões estão continuamente presentes na vida. Tensões e pressões afetam nossa vida pessoal, nossos relacionamentos inter-pessoais, familiares, eclesiais, sociais.

Em momentos de Crise e de Tensão temos a necessidade de compreender e interpretar a situação que estamos vivendo. Algumas questões fundamentais temos que levar em consideração:

• Como interpretar a situação?
• Estar consciente da importância a respeito da forma e do momento de agir.
• Ter uma correta percepção da situação
• Usar o momento visando uma análise, uma reflexão e o aproveitamento (uso) da situação.
• Não temer ser contestado. A contestação pode ser demasiada importante neste processo de confrontação e maturação.
• Verificar como a situação pode concorrer para o bem... É claro, tudo sob a presença e ação da graça divina.


UM OUTRO ELEMENTO IMPORTANTE SURGE AQUI: A PERCEPÇÃO.

• PERCEPÇÃO

A percepção é um dos elementos básicos presentes na vida humana. Ela é fundamental para a compreensão que temos a respeito de nós mesmos, dos outros, de nossos relacionamentos, Das situações espirituais, humanas e sociais. Em tudo na vida dependemos deste elemento fundamental: a percepção.

Se nossa percepção é inadequada e falha ela pode comprometer todo o nosso procedimento e a nossa compreensão e ação relativos a algum fato, situação ou pessoa. Uma percepção errada ou inadequada gera um conceito falso ou incorreto e consequentemente uma ação inapropriada. Uma percepção errada gera um conceito errado que provocará, como conseqüência, um comportamento inadequado com a realidade ou a situação. Daí considerarmos fundamental a questão da percepção em todos os níveis: pessoal, relacional, religioso, moral, familiar, social, etc.

A percepção é fundamental visando o nosso trabalho pastoral, no cuidado e vivência com os membros de nossas famílias; no acompanhamento pastoral e de apoio a pessoas e de grupos; nas questões doutrinárias e éticas. Muitos dos desentendimentos pessoais, relacionais, doutrinários, institucionais e comportamentais têm a sua gênese na Percepção.

IMAGENS geram IDÉIAS que geram a PERCEPÇÃO. A PERCEPÇÃO gera o CONCEITO e a partir daqui temos o nosso COMPORTAMENTO.

Percepção errada gera ações erradas ou inadequadas, devido partirem de compreensões ou pressupostos diferenciados.

O que isso significa para a vivência pessoal, familiar, pastoral, eclesial e social?

Nos aspectos mentais, emocionais, psicológicos, sociais, econômicos e políticos encontramos a questão da percepção.

Uma das percepções que temos, no que diz respeito a situação em que vivemos hoje, é de somos constantemente cobrados pelos diversos segmentos da vida humana e da sociedade nos dias de hoje. A questão do DESEMPENHO é um fator determinante na atualidade. Somos cobrados a partir do desempenho.

• Desempenho pessoal, profissional, familiar, eclesial, religioso, social. Sofremos uma contínua pressão que cria em nós a COMPULSÃO PELO DESEMPENHO. Essa compulsão gera em nós, em nossos lares e comunidades situações mentais, emocionais e psicológicas (na forma mais abrangente) provocando pressões, ansiedades, angústias e tensões as mais diversas e em níveis os mais variados. Necessitamos, neste contexto, ter como fundamento básico do nosso ser e de nossas motivação e ações a presença da Graça. A Graça que nos acolhe, nos valoriza e nos comissiona de forma INCONDICIONAL, como INCONDICIONAL é o amor divino.


TENTAÇÕES E SEDUÇÕES NA VIVÊNCIA PASTORAL

São muitas asa áreas de tentações e seduções na vida pastoral e que recaem sobre a vida da família, da igreja e da comunidade onde vivemos.

Vamos citar e avaliar algumas das mais presentes no nosso cotidiano. Não pretendemos avaliar com amplitude este aspecto. O nosso objetivo é despertar a nossa atenção para algumas destas tentações mais presentes hoje e buscar o nosso fortalecimento interior e relacional visando evitá-las ou minimizá-las.

1. Sedução da Agenda

De uns bons tempos para cá, sob a forte influência da eficiência empresarial e executiva, passamos a nos preocupar com nossas agendas. A princípio era uma forma de organizar, mensurar, definir e estabelecer uma cronologia em nosso trabalho. Essa é uma das formas organizacional de trabalho importante. Todavia, o que veio a agravar o nosso ministério pastorar é a ansiedade por ver nossas agendas tomadas, cheias de compromissos, sem espaço para nada mais, em especial para nós mesmos, para a devoção pessoal e para as nossas famílias.Carecemos priorizar os espaços significativos em nossas vidas e ministérios evitando cair nessa tentação presente no mundo moderno.

2. Sedução do Ativismo

Talvez aqui encontremos o que caracteriza muitas vidas pastorais. Ficamos tranqüilos, de certa forma, quando nos sentimos em atividade. Não é incomum nos vermos correndo de cá para lá o dia todo, tendo o sentimento de que estamos cumprindo a nossa vocação. Parar nos causa um mal estar em que parecemos que estamos sendo infiéis. Alguns não conseguem parar para ler, meditar, tirar para si e a família um dia por semana e uns poucos dias de férias. Um grande incomodo surge dentro de nós e que leva-nos a buscar uma ação. Isso leva a nossa família e a igreja, com seus membros, a nos considerar pessoas “super-ocupadas”, sem tempo para nada.”Coitado(a) do nosso pastor (a) como trabalha! Não tem tempo para nada! Triste situação é essa. Tocamos levemente a respeito das prioridades na vida no início deste trabalho. Aqui encontramos uma questão de valores, de priorização do nosso ministério, das áreas de nossa ação e de como lideramos a nossa comunidade, fazendo-a como um todo participante do ministério que o Senhor nos tem dado.

3. Sedução pelo poder

A busca pelo poder é uma das maiores tentações da vida. O que vivemos e assistimos hoje é o drama pela luta do poder pessoal, institucional, nacional e mundial. Um antigo hino dizia:”Não ambicionando honras ou poder...” .Essa era a imagem de quem está ao lado de Cristo, o que não veio e não vivei para ser servido ou ter o poder, mas para ser servo. Inconscientemente, sob a luz dos mais sublimes motivos, dos chamamentos vocacional mais altruísta, da visão e inspiração divina nos vemos pelejando pela busca do poder. É comum vermos pessoas que pedem a Deus o poder, o poder do Espírito. Pedir poder sem antes ter caráter é uma loucura. O que mais necessitamos é de caráter. Melhor dizendo: o caráter de Deus. O poder sem caráter é demoníaco. Isso temos contemplado nos dias de hoje em todos os níveis da vida, inclusive na área da religiosidade. Aqui temos a questão da competitividade tão presente na religião de mercado que tem caracterizado a nossa época. Essa busca de poder desequilibra a vivência da igreja local, da Instituição da Igreja em níveis maiores e das Igrejas entre si. Tem reflexo em todas as áreas da vida, inclusive na vida familiar. Como usar o poder de forma que sejamos um instrumento da Graça divina, torna-se a grande questão. Nas relações humanas, institucionais e sociais temos a presença do poder – o poder constituído. Exercer o poder de forma ministerial é exerce-lo sob a graça, com humildade, com amor, vivendo para servir, não se beneficiando diretamente dele, tendo Cristo como o referencial.

4. Sedução pelo Sucesso, Nome e Autoridade

O sucesso nos seduz. Muitas das motivações da vida estão fundadas no sucesso. Boa parte da literatura visa ajudar a pessoa a ter sucesso. Guias e mais guias existem motivando e buscando ensinar como ter-se o sucesso. Tenho sempre dito que o Evangelho nos chama à fidelidade e não ao sucesso. Ele nos leva a atingir objetivos alcançando o ser humano em todos os seus aspectos com a graça divina. Ter nome, autoridade é algo que atrai a muitos, mais do que o dinheiro. Que grande é a sensação de ter pessoas sob o meu controle como pastor (a) e líder nos diversos setores da vida. Não buscar sucesso, nome e autoridade não é se despersonalizar, depreciar-se e não desenvolver os dons que Deus lhe concedeu. Você pode ser fiel, alcançar sublimes objetivos na vida e no ministério sem ser dominado pela busca da autoridade, elevação do seu nome e conquista do sucesso. Haveria muitas formas de analisar este item, contudo queremos apenas sinalizá-lo. Um dos grandes ídolos de nosso tempo nós encontramos no sucesso e na elevação do nome ao reconhecimento.

5. Sedução pelo Sexo

O Belo, o forte, o prazer... tornam-se símbolos do nosso século. No contexto do belo está o sexo. Os meios de comunicação (toda a mídia) dão um lugar central ao sexo. A sexualidade humana é Criação e dom de Deus.Isso nos leva a considerar o sexo do ponto de vista de Deus. A centralidade da vida no prazer e no sexo tem desvirtuado o lugar e a importância do sexo. Uma grande quantidade de líderes religiosos têm tido a infelicidade de verem o seu ministério pastoral e a sua família afetados e, até destruídos, devido a esta sedução. Como pastor (a) que convivemos com pessoas, lidando com elas em diferentes lugares, temos que ter a prudência, a cautela e as formas mais adequadas e disciplinadas de conduta em nossas relações pastorais. Os vídeos, a Internet, os computados... facilitam a esfera da sexualidade, inclusive tornando-a “virtual”, sim, relacionamentos virtuais.

6. Sedução pelo Dinheiro, bens, posses.

Ter coisas, possuí-las, usa-las têm sido um constante convite de nossa sociedade mercantil.É grande a tentação pelos bens e pelo acúmulo financeiro. Quando uma grande maioria nada possui somos motivados a ter sucesso na vida financeira. A vida pastoral tem sido afetada também nessa área. Grandes nomes pastorais tem estragado o seu ministério devido à busca e à ânsia pelo dinheiro e pelos bens. A mentalidade econômica pressiona as nossas vidas a encontrar espaços amplamente seguros para a nossa pessoa e família. Para muitos a luta é pela sobrevivência, para outros mais é pelo acúmulo de bens. É bom evitarmos lidar com dinheiro e bens na vida da igreja. O nosso papel é de orientar, supervisionar e encaminhar os recursos da comunidade a uma finalidade digna do Evangelho e que , como conseqüência, sirva a Deus e às pessoas. Nesta área não podemos nem ser descuidados e nem ambiciosos demais. O necessário para a nossa família (no fundamental) vamos providenciando ao longo do nosso ministério. Essa questão financeira tem levado muitos a disputarem o espaço de igrejas locais consideras abastadas ou com recursos mais disponíveis à vida pastoral. Ser busca o muito não é bom, da mesma forma, deixar a família sem recursos para viver é algo que devemos evitar.

7. Sedução pelo Púlpito

O púlpito, considerado por muitos como o lugar sagrado, pode ser motivo de tentação na vida pastoral. Pode causar estranheza esta afirmação, mas não deixa de ser verdade dizer-se que do púlpito podemos nos auto-afirmar. Não apenas isso, podemos dele tirar o nosso prazer ou faze-lo um instrumento de autoritarismo . É verdade que o púlpito é um lugar divino, mas podemos dele fazer um espaço tremendamente egoísta. Paulo dizia:”Aí de mim se não pregar o Evangelho! “ . Uma coisa é pregar o Evangelho, outra coisa é usar o púlpito para a auto-promoção ou torna-lo um espaço de expressão de nossas idéias e valores personalistas.Do púlpito honra-se a Deus e glorifica-se o Seu nome, da mesma forma em que pode tomar-se o nome de Deus em vão.Permita o Espírito do Senhor ser o inspirador e o condutor do seu ministério da Palavra.

8. Sedução pelo Academicismo

A busca pelo saber, o contínuo estudo,a reflexão são elementos sadios que devem nortear a vida do pastor e da pastora. Quando se fala em que o Academicismo pode tornar-se um motivo tentador ou sedutor não se está menosprezando-o. O que se está querendo dizer é a respeito do perigo de centralizar a vida pastoral apenas no acadêmico. Isso é tornar-se o ministério e o relacionamento com Deus apenas na base do intelectual, do racional e do sistemático. Ao tornar-se acadêmico poderemos nos distanciar do povo, de suas realidades, suas necessidades e seus reais interesses e nos fechar em torno de nós mesmos, de nossas idéias e pressupostos. Não somente nos afastarmos do povo, mas também de Deus, quando o academicismo torna-se o requisito básico de nossa fé. Wesley dizia que a nossa fé é racional, mas não parava aqui, pois ele valorizava todos os aspectos presentes na vida humana. A fé é racional, é experimental, é comunitária, mas acima de tudo é Bíblica. Bíblia e razão, sob a luz da inspiração divina tem o seu espaço contínuos na vivencia do ministério pastoral.

9. Sedução pastor pelo Místico

Na esfera religiosa há uma grande sedução pelo místico. O misticismo tem o seu espaço e o seu lugar na religiosidade. Todavia torna-lo o centro de nossa fé é deixar-nos ser levado ao léu. Há misticismo sadio e há muito de misticismo doentio na esfera da religiosidade hoje em dia. O que tem acontecido é a centralização da fé no poder místico. Muitos (as) pastores (as) têm caído nesta tentação transformando a igreja um centro de manifestação mística sem fundamentação bíblica (feita à luz de valores e instrumentos de análise e interpretação duvidosos). Quando fazemos do místico algo centralizado em nós mesmos a situação piora. Há líderes religiosos que se apresentam como a materialização do poder místico. Muitos aqui tornam-se os “messias da pátria”, pois entendem-se como os que têm a verdade divina presente em si. Que o Senhor nos ajude a manter o místico no seu devido lugar e a nos dar a sabedoria de estabelecer o sadio equilíbrio da fé na esfera de nossa religiosidade.

10. Sedução pelo mágico e pelo mistério

Se a dominação do místico em nossos dias é grande, o quanto não temos de tentação no que podemos chamar o “místico mágico”. Fazer da fé uma questão de magia é coloca-la no mesmo nível das crendices humanas. O estilo de vida de hoje de buscar-se a ter ou conseguir-se as coisas de um momento para o outro leva-nos à busca da “imediaticidade”. A pessoa deseja conseguir as coisas já, no agora do tempo. Isso tem levado os religiosos a fazer de seus espaços lugares em que o “já” ocorre”agora”. Esse místico e mágico quanto mais ungido de mistério ou do sobrenatural, melhor. Não estamos questionando a esfera do sobrenatural. Essa esfera está sob a soberania de Deus. O que questionamos é fazer do sobrenatural o chamamento básico para a fé e usando esse chamamento nos tornarmos os instrumentos do sobrenatural. Pessoas, Igrejas e inúmeras comunidades de fé, cristãs ou não, tem ocupado um espaço que somente compete a Deus. Quanto do ministério pastoral de homens e mulheres não estão presos a este caminho de uma única mão!

Temos aqui a citação de algumas das tentações ou seduções mais comuns no ministério pastoral. Talvez tenhamos deixado de citar algumas que você possa considerar importante. O objetivo aqui não esgotar o assunto, citando tudo, mas enumerar algumas para nos advertir e nos levar a ter o zelo e o cuidado necessários a um desenvolvimento sadio de nosso pastorado.

Essas seduções afetam não apenas a vida pessoal do/a pastor/a, mas todos os seus níveis e relacionamentos: familiar, social, eclesial... Dependendo do acatar ou não essas seduções os/as pastores/as podem estar sujeitos a cair nas barras de ouro, barras da saia, barras do sucesso, barras do poder, finalizando nas barras do tribunal.

Essas tentações e seduções podem gerar crises as mais diversas. Os espaços de crise que podemos encontrar podem estar:
• Nas expectativas
• Na busca pelo sentido da vida e da vocação.
• No anseio de encontrar a sua Identidade.
• Nas tensões interiores e exteriores.
• No objetivo ministerial.
• Na questão da Integridade.
• No sentido da auto-estima.
• Na super valorização pessoal ou comunitária.
• Na sexualidade.
• Nos relacionamentos pessoais, inter-pessoais e familiares.
• Nos valores pessoais e sociais.
• Na vivência econômica e social.
• Nas questões do temperamento e do caráter.
• Na ausência de interação e integração sociais.
• Nos alvos e objetivos estabelecidos para si.
• Na frustração ministerial.
• Nas questões da espiritualidade pessoal, familiar eclesial. Nos aspectos éticos e morais.
• Outros...

A FAMÍLIA PASTORAL

Os aspectos estudados e enunciados até agora estão diretamente relacionados com a vivência da família pastoral. Não podemos fugir e nem ignorar as nossas necessidades e realidades.

Há uma urgente necessidade de dar-se mais atenção e cuidado ao/à pastor/a e seus familiares. Ministérios específicos carecem ser estabelecidos. Atenção, acompanhamento e treinamento devem ser desenvolvidos. Núcleos de apoio locais, distritais, regionais e nacionais carecem ser estabelecidos. Pessoas com confiabilidade e capacidade serão fundamentais nos estabelecimentos dessa ação pastoral visando a interação, a integração, o restabelecimento, a unidade, a restauração e o aprimoramento das relações da família pastoral consigo mesma, com a Igreja, com as igrejas e com a sociedade. Cabe aos/às pastores/as terem esta consciência e dar de si visando a melhoria da qualidade da vivência e dos relacionamentos na família pastores. À Igreja fica a responsabilidade e a urgência de criar-se espaços de sustentação, apoio, acompanhamento e aprimoramento. Se tudo o que foi dito e escrito conseguisse esses dois objetivos aqui colocados teríamos conseguido alcançar tudo quanto tem sido proposto até aqui e todos os anseios presentes no íntimo do/da pastor/a e de sua família.


SENTIMENTO DE ACOLHIMENTO

UM SENTIMENTO DE ACOLHIMENTO carece ser estabelecido nos relacionamentos pessoais, inter-pessoais e sociais.

1. Ser acolhido por Deus – Aceitar o acolhimento do Senhor e de Sua Graça é fundamental à vivência pessoal e familiar.
2. Acolher-se a Si mesmo é algo essencial para a comunhão consigo, com Deus e com os outros. Isso requer um aprimoramento no conhecimento de nós mesmos e um trabalho honesto e intensivo com respeito àquilo que nós somos.
3. Acolher as outras pessoas e ser acolhidos por elas. Ampliar os níveis de conhecimento, compreensão, aceitação, tolerância e apoio às outras pessoas. Da mesma forma ser acolhido por elas no mesmo nível e dimensão.
4. Ser acolhido pela comunidade – a Igreja e as igrejas. Diminuir as relações de tensão pelo desempenho e ampliar os níveis de comunhão convivência e relacionamento.
5. O SENTIMENTO DE ACOLHIMENTO TEM COMO PONTO DE REFERENCIA A ATITUDE EVANGÉLICA HAVIDA EM CRISTO. Ele nos acolheu, nos recebeu... Da mesma forma devemos “acolher uns aos outros” conforme Cristo nos acolheu. Rm.15.7.


CONFIGURANDO A FAMÍLIA PASTORAL

Semelhantemente às outras famílias a configuração da família pastoral tem diferenciações.

Em geral podemos configurar famílias no aspecto tradicional – pai, mãe, filhos, irmãos e demais familiares. Todavia este modelo pode variar, tendo a mulher como o cabeça da família, tendo a ausência do esposo ou mesmo o homem como cabeça não contando com a presença da mulher. Temos também pastores/as solteiros/as, viúvos/as, separados/ as, divorciados/as, acompanhados de pais, irmãos, sobrinhos e outros familiares, alguns com adoção de crianças.Muitas vezes os avós têm sido na verdade os responsáveis pela família. Hoje existe uma série de imagens e realidades que tipificam a família, inclusive a família pastoral

Especial consideração deve ser dado aos lares desfeitos por morte, infidelidade e separação e aos que estabeleceram novos casamentos.

Vamos procurar esquematizar, sem descrever ou aprofundar, aspectos presentes na família pastoral mais comum, onde temos a presença da esposa e dos filhos. Esse item é apenas uma iniciação a algo que precisa ser melhor pesquisado e explanado.


A ESPOSA DO PASTOR - ESPOSO DA PASTORA

Quem somos em relação a eles/elas: amigo/a, companheiro/a, amante, esposo/a e pastor/a?

Quem é a/o esposa/o?
1. Personagem ou pessoa - Super mulher (homem)

2. Mulher sem nome. Personagem sem Identidade Pessoal

3. Pessoa com suas características a quem devemos dedicar tempo, privacidade, amizade, cooperação, apoio e lazer.

4. Pessoa a quem concedemos um Amor incondicional e sacrificial: com amizade, desejo de intimidade e prazer, mas dadivoso e sacrificial.

5. Algumas questões fundamentais:
• Disponibilidade familiar.
• Participação.
• Superar barreiras como as instabilidades.
• Os picos emocionais do/a pastor/a.
• A exaustão da esposa.
• A colocação de situações e problemas de forma inadequada e em momentos errados.

6. PRIORIDADES FAMILIARES
• Acerto entre agenda pastoral e familiar.
• Dar tempo visando a convivência, o lazer semanal e as férias.
• Relacionamento familiar em nível mais amplo: um dia por semana para a família; uma noite para a esposa; momentos globais e individuais para com os/as filhos/as.Férias pessoais e familiares.
• Estabelecer prioridades e metodologia na Agenda: dias e horas, respeitando-os.

7. MORADIA PASTORAL: questões relativas à moradia: proximidade ou distância; privacidade e intimidade ou abertura (escancaramento familiar).

8. TRABALHO. ESTUDO. RESPONSABILIDADES
• Apoio quanto ao trabalho da/do esposa/o.
• Cooperação com atividades e atribuições domésticas.
• Participação no crescimento, formação e o caminho à maturidade.
• Cooperação nas tarefas familiares, em especial, no cuidado com os/as filhos/as.

9. FINANÇAS
• A importância do orçamento elaborado.
• Estabelecimento de prioridades. O cuidado para com os gastos não básicos e com o cartão de crédito e as prestações.
• Estabelecimento de prioridades. Evitar a compulsão pela compra.

10. SEXUALIDADE
• Expressar amor, afetividade, fidelidde e compromisso.
• Ter cuidado com as tentações e seduções presentes na vivência pastoral e da/o esposa/o.
• Ter carinho, romantismo, relacionamento afetivo.
• Partilhar o ser total.
• Ter cuidado com a rotina, as seduções e os modismos.

11. IGREJA.
• Cuidados com as demandas e expectativas da igreja.
• Ajuda através de prática pastoral e pedagógica a uma mudança de mentalidade.
• Participação com seus dons e ministérios.
• Outras situações.


FILHOS/AS DE PASTORES/AS

São vistos em geral como “pessoas ideais” e não pessoas reais com suas características, realidades e necessidades. Isso tanto por parte da igreja como, as vezes do/a próprio/a pastor/a. Grandes expectativas recaem sobre eles/elas. Há casos em que os/as filhos/as são sempre considerados problemas.

ALGUMAS SITUAÇÕES

1. Expectativas irreais e injustas
• Por parte da igreja.
• Dos pais.
• Da família.
• Da sociedade (colegas e amigos)

2. Quebra da Imagem Ideal. Pai é também pessoa.
• Tirar a máscara.
• Admitir a sua humanidade.
• Reconhecer os erros e as falhas.
• Ser humilde.
• Pedir perdão e conceder perdão.

3. Conversação familiar.
• A importância do ouvir e do diálogo.
• O lugar da verdade.
• O cuidado para com terminologia e expressões.
• Autenticidade.
• Ética Pastoral: não expor a Igreja e nem as pessoas.
• Cuidado com os comentários sobre situações, tensões e relacionamentos.

4. Dificuldades da Itinerância.
• Mudanças constantes.
• Perda do ambiente, dos amigos e convivência.
• Os problemas oriundos das mudanças de escolas e de trabalho.

5. O estigma de ser filho/a de pastor/a.
• Aspectos positivos e Aspectos negativos.

6. Expressar amor incondicional.
• Aceitar. Acatar. Mesmo não concordando, acolher.
• O cuidado com a disciplina: firme, amorosa, não desgastante, preocupado com a pessoa e não com as imagens ou expectativas de terceiros.
• “Não irritar... e nem desanimar...
• Nos relacionamentos expressar acolhimento, Graça, perdão e apoio.
• Valorizar o que faz e é bom.
• Cuidar da auto-estima.
• Evitar o contínuo espírito crítico.
• Cuidado com a forma do falar. A palavra tem grande valor, em especial no período da infância.
• Lembrar sempre: por trás das palavras há sentimentos.

7. Dar tempo aos filhos/as.
• A importância da qualidade do tempo, do lazer, da convivência.
• Respeitar as diferenças individuais.(Suzana Wesley).

8. Comunicação.
• Abrir espaços… ter confiabilidade.
• Dar tempo.
• Ouvir: atenciosa, amorosa, paciente e empaticamente.
• Dialogar com pessoas da família.
• Orar pessoalmente e de forma objetiva.
• Criar valores ligados à espiritualidade.
• Dar testemunho.

9. Acompanhando e aprimorando os alvos.
• Alvos reais ou imaginários.
• Crescimento progressivo dos alvos.
• Estímulo, apoio, compreensão e companheirismo.

10. Vivência da Espiritualidade.
• Valorização dos momentos significativos.
• Informalidade e sentido de relevância no lugar da formalidade da imposição.
• O momento devocional: evoluir conforme a faixa etária.
• Testemunho prático da fé: no lar, na Igreja e na sociedade.

11. Situações diferenciáveis.
• Carências afetivas especiais conforme a realidade e a necessidade de cada um. Há situações que exigem uma atenção mais adequada - são algumas delas bem específicas.

12. Sexualidade.
• Formação.
• Clareza.
• Abertura para o diálogo.
• Avaliação dos valores e das formas existentes na sociedade.
• Evitar extremismos: tabus ou liberalidade.
• Conversar francamente sobre o tema e outros, tais como, o alcoolismo, tóxicos, Aids, divertimentos, etc.


RELACIONAMENTOS E SENTIMENTOS

É de fundamental importância na vivência familiar os relacionamentos entre os membros da família. Temos que reconhecer que nem sempre esses relacionamentos estão abertos e francos entre todos os membros da família. Há relacionamentos truncados, carentes de restauração.

Nos relacionamentos humanos palavras e sentimentos são fundamentais. A palavra deve ser boa para a “edificação e transmitir graça”, conforme diz a Palavra de Deus. Todavia nem sempre essa palavra tem sido “boa e adequada”. Muitas vezes ela tem magoado, ferido, criado sentimentos negativos. Por detrás das palavras existem sentimentos em ambos os comunicadores. Há uma carga muito forte de sentimentos negativos nos relacionamentos humanos que necessitam de restauração. No decorrer do histórico da vida das pessoas, desde a infância até a fase adulta há o acúmulo de sentimentos os mais diversos no interior das pessoas. Mágoas, traumas, ódios, inferioridade, complexos os mais diversos, oriundos por diversos fatores, tendo a palavra um dos principais dentre eles.

Na família pastoral há a necessidade da restauração das palavras e dos sentimentos pessoais e relacionais. Barreiras as mais diversas têm sido aqui construídas. Carecemos da graça de Cristo, da compreensão dos fatores presentes e da disponibilidade de cada pessoa para caminhar pela trilha da compreensão, do perdão, da reconciliação e da restauração. O Espírito Santo carece trabalhar de forma individual e comunitária na vida familiar, não somente restaurando relacionamentos, mas transmitindo “graça e edificação” nas palavras, nos gestos, nos toques e em todos os outros meios presentes na comunicação e na comunhão entre as pessoas e nas pessoas consigo mesmas, restaurando sentimentos e criando pontes para que haja na família pastoral um relacionamento evangélico.

Aqui vale relembrar o que já foi citado: a importância da convivência, da intimidade, do estar junto, do ouvir, do dar atenção, do compreender, acolher, tolerar, perdoar, amar verdadeiramente. O conhecimento da realidade e das necessidades pessoais e da comunidade familiar e a questão anteriormente mencionada da “percepção” são fundamentais neste processo dinâmico de relacionamento pessoal e inter-pessoal.


FINALIZANDO

Há um espaço evangélico a ser vivido na vida pastoral e nos relacionamentos familiares. A Graça de Cristo, através da ação e vivência do Espírito Santo, a mútua participação de todos os membros da família pastoral, a cooperação e prática dos conhecimentos humanos, o apoio da comunidade eclesial e, quando necessário, a ajuda de pessoas e grupos especializados devem continuamente se inter-relacionarem.

É possível e necessária uma vivência evangélica nos relacionamentos entre os membros da família pastoral. Aqui é o primeiro, e talvez o mais difícil, lugar para o testemunho de nossa fé.

Semelhantemente a qualquer lar ou família é possível o milagre da graça divina concedendo-nos uma vida plena e abundante em nossas famílias.

Os elementos presentes no texto das Bodas de Caná da Galiléia são indicativos para todos nós:

1. A presença ativa de Cristo. Ele foi convidado.
2. O cumprimento da orientação de Maria: “Fazei tudo quanto Ele vos disser. Obediência à Palavra.
3. O detectar das dificuldades e problemas: “falta vinho...
4. A disponibilidade e cooperação para com Cristo: enchei as talhas...
5. O fazer tudo quanto é de nossa responsabilidade e está dentro de nossas possibilidades - a ação dos serventes.
6. Experimentar vivencialmente a ação da Graça de Cristo - “provar do vinho transformado, como o mestre-sala”
7. Permitir a Cristo realizar no lar os sinais da Sua Graça. Crer nEle. Jo. 2.1-11

A Palavra do Senhor nos dá alguns indicativos para essa vivência evangélica no relacionamento da família pastoral:

• Suportar as fragilidades uns dos outros – Rm 15.1
• Agradar à outra pessoa no que for bom para a edificação.
• Acolher uns aos outros – Rm .15.7
• Seguindo a verdade e o amor, crescer em tudo – Ef.4.15
• Despojamento e revestimento – Ef. 4.20-24.
• Deixar tudo quanto impede um autêntico relacionamento – Ef 4.25; 1Pd 2.1.
• Perdoar uns aos outros – Ef 4.32
• Andar em amor uns para com os outros – Ef. 5.2
• Levar os fardos uns dos outros – Gl .6.2
• Ser unidos de alma... tendo o mesmo sentimento uns para com os outros – Fp. 2.3
• Ter em vista a situação e a posição da outra pessoa – Fp. 2.4
• Expressar a alegria do Senhor – Fp .4.5
• Exercitar a moderação para com todos – Fp. 5
• Permitir o habitar da paz de Cristo – Cl. 3.15
• Deixar Cristo ser o “árbitro”... – Cl .3.15
• Fazer tudo, de coração, e em nome do Senhor – Cl. 3.l7,23
• Andar no Espírito ... – Gl .5.16
• Permitir ao Senhor produzir os frutos do Espíritos – Gl. 5.22
• Deixar habitar Cristo e a Sua Palavra no lar – Cl. 3.16
• Instruir-vos e aconselhai-vos mutuamente – Cl. 3.16
• Confessar as fragilidades e os pecados... – Tg. 5.16
• Orar uns pelos outros – Tg .5.16
• Servir uns aos outros, no Senhor.
• Permitir e receber o acolhimento da comunidade da fé – Rm.15.7.
• Lavar os pés uns dos outros – Jo. 13.14-16
• Cremos na ação da Graça divina na vivência da família pastoral. A presença da Graça, do Amor, do Acolhimento, do Perdão, da Reconciliação e da Restauração em Cristo, através do Espírito são constituintes fundamentais para a vida pessoal e relacional do pastor/a e da sua querida família.

Com certeza temos dificuldades em nossos relacionamentos. Temos que reconhecer, como Paulo que não temos alcançado muitos de nossos desejos e objetivos. Contudo uma coisa é necessário, levando a sério os acontecimentos passados, buscando superá-los, carecemos esquecer o que para trás fica e avançar em busca daquilo que Cristo tem proposto para nós e os nossos familiares. Fp. 3.12-16. Com a presença da Graça divina, a nossa vontade e ação em superar as nossas dificuldades e melhorar os nossos relacionamentos e a mútua cooperação de cada membro do Corpo, estaremos crescendo no amor, na comunhão, e na edificação do todo o organismo familiar.

“Se souberdes essas coisas, bem-aventurado sois se as praticardes” – Jo. 13.17

Esse é o grande desafio do Evangelho.

Que a Graça do Senhor sobre todos nós! Amém!


Com carinho e amor cristãos,
O amigo...Irmão e colega,

Bispo Nelson

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