IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 21/4/2007
 

A Criança e a Missão (Pr Otávio Júlio Torres e Pra. Hideíde Brito Torres)

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A CRIANÇA E A MISSÃO
Pr Otávio Júlio Torres e Pra. Hideíde Brito Torres
(pastores da Igreja metodista na IV Região Eclesiástica

Introdução
Ao falar sobre crianças para adultos, geralmente nos deparamos com o grande desafio que é reinterpretar nosso mundo adulto pelos olhos infantis; isto é, redescobrir e entender como as crianças enxergam a realidade e seus valores. Isso é importante, porque ao crescer, desaprendemos o que é ser criança. Às vezes, por isso, falamos sobre elas numa dimensão muito além; ou falamos com ela como se estivéssemos conversando conosco mesmos. Uma frase de Adélia Prado, famosa poetisa, pode ser nossa oração inicial no esforço da lição de hoje. Ela diz : “Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande”. Neste dia de Vigília Nacional pela Criança, é hora de pedir ao Senhor que nos dê a condição de ser como crianças, para herdarmos com elas, o Reino.
Abordaremos em nosso estudo, três aspectos ou dimensões que podem aparecer em nossas comunidades quando o tema relaciona criança com missão. A partir desses posicionamentos, da leitura bíblica e dos nossos documentos, veremos os caminhos a seguir para o cumprimento da missão, aventura possível.

Um conceito de missão
Antes de mais nada, é preciso ter em mente o que é missão para nós, pois este conceito define nossos alvos, metas, estratégias e posicionamento. Segundo uma definição histórica que temos, nossa missão é: “Reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica por toda a terra” (Conferência dos Metodistas na Inglaterra, 1744). Esta “reforma” inclui os aspectos da espiritualidade, mas também a economia, a política, a sociedade, isto é, proporcionar as condições para que ocorra o “Reino de Deus e a sua justiça”. No Plano para a Vida e Missão da Igreja, temos: “A Igreja deverá experimentar de modo cada vez mais claro que sua principal tarefa é repartir fora dos limites do templo o que ela de graça recebe de seu Senhor”. Sua missão é no mundo, pois “A missão de Deus no mundo é estabelecer o seu Reino. Participar da construção do Reino de Deus em nosso mundo, pelo Espírito Santo, constitui-se na tarefa evangelizante da Igreja” (PVMI, 3.ed., 2001, p.14).

Assim, o PVMI define também que trabalhar na missão de Deus é “trabalhar para o Senhor do Reino num mundo espremido pelas forças do pecado e da morte, participando, como comunidade, com dons e serviços, para o nascer da vida. É somar esforços com outras pessoas e grupos que também trabalham na promoção da vida”. (p.17). E por fim, outra idéia importante é que a Igreja só cresce em santificação quando “produz atos de piedade e obras de misericórdia”. Em outras palavras, quando “ora e labora”. Sua espiritualidade é engajada, de olhos atentos, para ler a realidade e responder, como voz e ação proféticas de Deus no mundo. Portanto, missão é tudo o que fazemos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, para que o Reino de Deus seja real e concreto no lugar em que estamos. Tendo isso em mente, como a criança se encaixa em nossa visão de missão? Pelo menos, de três formas.

1. A criança como alvo da missão
Talvez a mais óbvia forma de ver a criança seja a de que ela é o alvo preferencial da missão da Igreja. Vemos isso no slogan: “Se há prioridades, são para as crianças”. E, de fato, elas estão ávidas por receber, pois criança é aceitação, é a alegria de ganhar um presente. Cumpre destacar, neste item, que a Pastoral da Criança, publicada pela Igreja em 2002, ressalta que a criança não pode ser vista como “estratégia para alcançar os pais”. O trabalho dirigido a elas tem por objetivo alcançá-la nela mesma, com suas necessidades e desejos, visando seu desenvolvimento pleno como pessoa, como igreja de hoje, como filha de Deus.

Refletindo...
A Bíblia está repleta de exemplos de como podemos fazer da criança um alvo preferencial. Em grupos, examinem os textos bíblicos abaixo, tendo em mente as crianças ao redor de sua Igreja local, bairro e cidade: Êxodo 2.2-6; Deuteronômio 24.17; Isaías 13.16-18; Jeremias 9.21; Provérbios 22.6; Mateus 19.13; Tiago 1.27.

Como podemos atuar para que as crianças que se encontram nessas situações, nos dias de hoje, sejam atendidas pela missão da Igreja?

Alguns caminhos: por todo o Brasil muitas comunidades têm aberto suas portas para acolher as crianças. Além da Educação Cristã temos nos empenhado para contribuir na educação dessas crianças através de projetos de acompanhamento escolar, reforço alimentar, oportunidade de lazer, orientação sobre saúde, etc. O Sonho que embalamos é que cada Igreja local possa ser uma porta aberta para acolher e atender as crianças.

Para ajudar a organizar, orientar e capacitar as pessoas para este trabalho junto às crianças, nossa Igreja lançou o Projeto “Sombra e Água Fresca”. A proposta é organizar todas estas iniciativas formando uma rede; não mais cada um trabalhar no seu canto sozinho, isolado, mas estar ligado às outras comunidades locais que já disseram sim à este desafio de Deus. Dessa forma ficamos fortalecidos. Você conhece o Projeto “Sombra e Água Fresca”? Se desejar maiores informações sobre esta Iniciativa da Igreja Metodista no Brasil, entre em contato com o (a) agente do Projeto na sua região.

A criança como agente da missão
“A Igreja Metodista tem a missão, o ministério, o privilégio e a obrigação de ensinar a Palavra de Deus às nossas crianças, de forma adequada à capacidade de compreensão de cada uma delas. O objetivo dessa ação é a vivência das crianças como Igreja de Jesus, visando ao seu despertamento religioso, ao cultivo e desenvolvimento da sua fé e participação na missão de Deus, confiada à Igreja” (Colégio episcopal, Pastoral da Criança, 2002, p.12). Neste documento, fica claro que ter a criança como alvo da missão do Reino visa ao seu preparo para ser agente da mesma.

Nossa igreja acredita que a criança tem o seu lugar como discípula no anúncio e construção do Reino de Deus. Ela não é uma pessoa incompleta, improdutiva, e muito menos deve ser considerada como “a igreja do amanhã”. Na missão de Deus, esses predicativos marginais são quebrados pelo próprio Senhor Jesus, ao conceder às crianças atenção especial e primazia no Reino (Mateus 18.1-5; 19.13-15). Esta também é uma das razões pelas quais a Igreja Metodista orienta-se para afirmar a participação das crianças dos meios de graça, dos quais destacamos o batismo e a Ceia do Senhor.

E o que as crianças podem fazer como agentes da Missão? Um exemplo prático dessa realidade ocorreu em 1999, na Igreja Metodista em Cota 200, São Paulo. Na ocasião, a comunidade recebeu o valor de R$ 36,00 como alvo para o Dia Nacional da Oferta Missionária. As crianças, por iniciativa própria, venderam pipoca após os cultos. Sozinhas, elas alcançaram o alvo. Ao saber disso, ficaram muito felizes e satisfeitas por participar da missão e, principalmente, por vê-la cumprida, a exemplo dos discípulos de Jesus (Lucas 10.17). Essa iniciativa foi algo marcante para a comunidade, que naquele ano enviou cinco vezes a mais o valor do alvo estabelecido.

Refletindo...
Exemplos bíblicos da iniciativa da criança na missão de Deus não faltam. A classe é desafiada, mais uma vez, a ler os textos indicados na seqüência e reconhecer neles a importante tarefa realizada pela criança no “ardor da missão”: 1 Samuel 3; 2 Reis 5.1-4; Salmo 8.2; Mateus 21.15; Lucas 1.66 e 76; Lucas 2.38; João 6.9.

A criança como parceira na missão
Existe uma canção muito conhecida em nosso meio, que diz: “Sou criança e faço parte desta casa é que a casa de Deus”. Fazer parte significa não apenas que a criança recebe algo, nem que realiza algo, mas ainda mais: que atua em parceria, que contribui e é levada em conta nas diferentes etapas da vida da Igreja.
Sentimos que ainda há um isolamento prático, uma falta de interação no trabalho entre adultos e crianças. Os trabalhos desenvolvidos pela Igreja, particularmente em seus aspectos cultuais ou litúrgicos, propõem espaços separados para a adoração. Crianças aprendem a cantar as músicas dos adultos, mas o contrário acontece? A pregação não fala diretamente aos pequeninos, que se limitam a colorir, passear entre os bancos, “atrapalhar” o culto dos adultos... É preciso perceber e valorizar a interação entre adultos e crianças na missão da Igreja. Parceria é isso.

Refletindo...
Alguns textos bíblicos podem inspirar nossa busca pelos espaços de parceria entre crianças e adultos na vida da Igreja. Leiam e discutam possibilidades práticas para sua igreja local: Gênesis 21.17; Deuteronômio 31.12; Josué 8.35; 1 Samuel 2.11; 2 Crônicas 20.13; 2 Crônicas 31.18; Esdras 10.1; Neemias 12.43; Joel 2.16; Zacarias 8.5.

Conclusão
Como podemos perceber, a missão está relacionada com as crianças em, pelo menos, três aspectos: em termos de alvo, de iniciativa e de parceria. Cada atividade realizada ou planejada pela igreja local pode atingir as crianças em um ou mais aspectos. Cabe-nos tornar-nos conscientes desta realidade e trabalhar para elas (se assim for necessário); mas, principalmente, com elas, proporcionando-lhes condições necessárias para conhecer a Cristo, optar por Ele, desenvolver dons e talentos e crescerem, cada dia mais, em “estatura, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens”.

Orientações para o dirigente do grupo
O item “Refletindo”, que vem na seqüência de cada tópico, tem por objetivo participar da realidade atual a partir da Bíblia.

Assim, no primeiro aspecto, procure trabalhar com os grupos as situações demonstradas nos textos, verificando compatibilidades com a comunidade local: crianças abandonadas pela falta de condições dos pais; a questão da adoção (como Moisés); crianças órfãs; crianças vítimas da violência (como na guerra urbana das drogas e da pobreza); crianças seqüestradas de seus pais; a questão da educação cristã (relacionando com o texto de Provérbios), etc. Lembrar que a Igreja Metodista trabalha com o conceito de “educar” e não de “evangelizar” crianças.

No segundo aspecto, podemos destacar a fé dos pequenos e também sua atitude de entrega a Deus, como no caso da menina escrava; do rapaz que oferece seus pães e peixes. Também sua capacidade sincera de louvor, como no texto dos Salmos e no episódio de Jesus no templo. As crianças podem tomar a iniciativa da missão; este é o ponto-chave.

No terceiro aspecto, a possibilidade do trabalho conjunto aparece nos textos em que adultos e crianças participam da construção do templo; da leitura da lei; do aprendizado dos mandamentos divinos.

Assim, a idéia é a de que a criança pode ser vista com novos olhos, quando nos despimos do “olhar de gente grande”, para tentar ver como elas. Aliás, o ensino de Jesus é claro: “tem que ser como criança” para entrar no Reino dos céus!

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