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Rio, 1/5/2007
 

Albores do protestantismo no Brasil (Eula L. Kennedy)

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ALBORES DO PROTESTANTISMO NO BRASIL

Por Eula L. Kennedy (texto extraído do Capírtulo I seu livro DO MEU VELHO BAÚ METODISTA)

Pascal, eminente cientista e filósofo francês do século XVII, fez certa vez o intrigante comentário: "Fosse o nariz de Cleópatra mais comprido, a história do mundo seria outra". Parece frívola tal observação, ainda mais quando falasse sobre o protestantismo; contudo, por meio destas palavras Pascal desejava mostrar que a influência de detalhes insignificantes em si e aparentemente sem conexão pode influenciar e até determinar o destino de pessoas e nações!

Foi uma série de eventos sem conexão nenhuma com o protestantismo, e conseqüentemente com o metodismo, que lhes ofereceu a oportunidade de penetrar no Brasil, tanto que podemos parafrasear Pascal, dizendo: "Não fora a ambição de Napoleão, a história do Evangelho no Brasil teria sido outra". O primeiro evento liga-se a fuga de D. João VI, rei de Portugal para a nossa terra, em 1808, e ao subseqüente abrir dos portos, ato que rompeu a "cortina de ferro" que até então isolara o Brasil, conservando-o na ignorância e no atraso material, intelectual e espiritual.

Tão cerrada fora esta cortina que um historiador brasileiro comentou que seria mais fácil desembarcar no Rio um passageiro com varíola, do que um judeu ou herege. Alexandre Von Humbolt, grande cientista alemão que explorava os países da América do Sul, e que foi proibido de entrar aqui, chamou o Brasil de "um jardim amuralhado". Tal era a dominância total pela Igreja Católica Romana que o padre Luiz Gonçalves dos Santos, que escreveu um livro em 1838 ("O Católico e o Metodista"), para combater os metodistas, declarou com a maior franqueza "até o presente nenhum herege se atreveu a levantar a voz para perverter os católicos, pois a Igreja Católica do Brasil era um jardim fechado onde não podia entrar nenhum animal daninho - um redil por todos os lados cerrado, ao qual nenhum lobo se atrevia a aproximar-se" (Introdução, págs. 25 e 26).

Abertura dos portos
Abertos os portos, especialmente do Rio de Janeiro, começaram logo a afluir ao Brasil muitos navios que traziam comerciantes de outros países, principalmente dos Estados Unidos e da Inglaterra, então a "rainha dos mares".

Aqui entra em operação o segundo daqueles pequenos itens que influenciaram o destino do protestantismo. Pois se não fosse o gênio inglês que sempre requer a confraternização com seus patrícios, o protestantismo teria demorado ainda mais a chegar às nossas plagas (estou ignorando o protestantismo dos huguenotes no Rio e dos holandeses em Pernambuco, que nos séculos XVI e XVII aqui vieram por motivos de colonização).

Os ingleses e seu templo
Dia chegou em que os ingleses, ao firmarem com D. João VI um tratado de comércio e amizade, pediram o direito de construírem as suas próprias igrejas anglicanas. O rei encontrou-se então "nos chifres de um dilema". Como recusar um favor aos aliados que o haviam protegido em sua fuga de Napoleão? Por outro lado, como arriscar a fúria da Igreja Católica Romana, que era oficial e não permitia a entrada de religiões acatólicas?

D. João mostrou-se astuto em resolver o problema, ainda que não ao contento da igreja oficial. Concedeu aos ingleses o direito de construírem seus templos, contanto que não tivessem a aparência exterior de um templo - particularmente nada de torre e sinos e, bem entendido, o culto seria somente para eles, os anglicanos.

Quando o rei viu o primeiro projeto do templo não o aprovou, porque as janelas pareciam com as de uma igreja. Todavia, como naquela época janelas até de residências particulares eram freqüentemente de estilo ogival ou gótico (como ainda vemos em casas antigas do Brasil), elas ficaram sem modificações. Assim foi que os ingleses, em 1819, terminaram o seu templo, a primeira igreja protestante, não somente no Brasil, mas em toda a América do Sul.

É interessante notar que já em 1938 o Padre Luiz G. dos Santos se queixava de "Um brasileiro católico que escandalizou toda a cidade (do Rio) indo comer pão e beber vinho na Rua dos Barbonos", como então se chamava a rua onde foi construído o templo inglês (O Católico e o Metodista, pág. 134)).

Esse mesmo tratado histórico também deu aos ingleses cemitérios próprios, pois até então era proibido o enterro de chamados "hereges" em cemitérios católicos. O mais conhecido era o da Gamboa no Rio de Janeiro, cujo local fora anteriormente uma chácara do rei, e que por coincidência, hoje adjacente ao nosso Instituto Central do Povo.

Assim, pois, pavimentava-se a estrada para os cultos protestantes - e para nós os metodistas.

Outras conseqüências do franqueamento dos portos
Este franqueamento também contribuiu para a divulgação de informações mais precisas sobre o Brasil, tão desconhecidas então pelo resto do mundo. Negociantes, capitães e tripulantes das naves, voltando à Inglaterra e aos Estados Unidos, descreviam a ignorância e o atraso e escuridão espiritual do Brasil.

Já em 1805, Henry Martyn, um capelão anglicano em viagem à Índia num vapor que aportara em Salvador, após várias experiências de conversas com padres, escreveu no seu diário palavras que se tornaram clássicas quanto à situação religiosa no Brasil: "Cruzes, cruzes, por todos os lados - mas quando se pregará a verdadeira doutrina da cruz?"

Todas estas observações não eram mentira e calúnias, como asseveraram os padres, pois são confirmadas por competentes historiadores brasileiros, como Gilberto Freyre e Vianna Moog. Já em 1843 o Ministro da Justiça e dos Negócios Eclesiásticos no Brasil relatara à Legislatura Imperial: "É notório o estado de decadência em que se encontra o nosso clero. E evidente a necessidade de se tomarem medidas capazes de remediar o mal".

Divulgação das Escrituras Sagradas
Capitães, marinheiros e negociantes ingleses e americanos, profundamente impressionados, começaram a trazer e a distribuir Bíblias, Novos Testamentos e folhetos religiosos que lhes eram fornecidos pelas Sociedades Bíblicas. Confirma isto Daniel Kidder (de quem digo algo adiante), relatando casos que provam que desde 1823, isso se fazia aqui e ali. Conta de um inglês que, recebendo uma consignação de Bíblias em 1833, para poupar-se o trabalho de distribuí-las pessoalmente, deixou-as num caixote na Alfândega, para serem levadas por quem as quisesse.

Outro caso era o de um pastor anglicano que dava ou vendia as Escrituras em 1836, porque se sentia "profundamente preocupado com o bem estar do povo em cujo seio residia; dizendo com verdadeira perspicácia que aquilo de que o Brasil mais necessitava era de bons pregadores brasileiros". Certo é que mesmo antes de as igrejas evangélicas se encarregarem de enviar missionários, já cristãos leigos de outras terras reconheciam a necessidade espiritual da nação e faziam empenho por satisfazê-la.

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