IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Oração
Rio, 7/5/2007
 

Oração: Caminho de Deus para a Missão

Bispo Paulo Lockmann


 

Oração: Caminho de Deus para a Missão

“Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele.” Atos 12.5

1) A história pertence aos intercessores.
Eu continuo a escrever acerca de oração, especialmente porque sinto uma chama ardente em meu peito, sim, o Senhor me dizendo: “insista que busquem a minha presença”.
O texto de Atos 12.1-19 é um relato muito forte, pois nos mostra a verdadeira batalha espiritual que se deu entre as forças das trevas contra a Igreja, encabeçada por Herodes, mas com o apoio dos religiosos judeus. A morte de Estêvão representou o início de um processo mais violento, pois, antes, ficara em advertência, como mostra o texto: “mas, para que não haja maior divulgação entre o povo, ameacemo-los, para não mais falarem neste nome a quem quer que seja. Chamando-os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem em o nome de Jesus.” (Atos 4.17-18). Mas o que se registrou em seguida foi que a Igreja havia sido movida a orar. A terra tremeu! Mas as lutas se intensificaram; Atos 5.17 descreve que os apóstolos foram todos presos, Deus como resposta das intercessões os livra da prisão e voltam a pregar, e são presos de novo, e levados ao Sinédrio; Pedro prega o seu 4º sermão, Atos 5.29. A perseguição que se levanta violentamente após a morte de Estevão causa a expansão missionária da Igreja (Atos 8.1). O que parecia tribulação se transforma em bênção e missão. Vejamos como a forma que as missões vão se processando é sempre entremeada de referências às orações: “perseveravam...e nas orações” (Atos 2.42). “...levantaram a voz a Deus...”(Atos 4.24). “...mas de noite um anjo do Senhor” (Atos 5.19). “...e quanto a nós, nos consagraremos a oração e ao ministério da palavra” (Atos 6.4). “...Estevão, cheio do Espírito...fitou os olhos no céu...” (Atos 7.55)

Esta marca da Igreja Primitiva, faz com que possamos reconhecer que a história pertence aos intercessores, homens e mulheres que oram fazem diferença. Com Wesley somos herdeiros desta disciplina de oração.
Gosto das palavras de Richard Foster em seu livro, Celebração da Disciplina, quando diz: “Estamos trabalhando com Deus para definir o futuro. Certas coisas acontecerão na história se nos pusermos a orar corretamente.” B. Andrew diz em seu livro “Deus muda seus pensamentos”. Ele defende a idéia de que Deus muda seus planos, considera as várias vezes onde a bíblia diz que Deus se arrependeu do que fez ou iria fazer, e na maioria das vezes o faz em resposta de oração. Ele afirma: “Os planos de Deus para nós não foram moldados em concreto. Somente o seu caráter e a sua natureza são imutáveis; suas decisões não!” (1). Um Exemplo clássico é quando Moisés retorna com as tabuas da lei, Deus em sua ira quis consumir o povo, mas Moisés, ora, clama com insistência, e a Bíblia diz: “Então o Senhor arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.” (Ex 32.14). Sim! A história pode ser mudada com intercessão e ação missionária.

2) Aprendendo com o texto
Vamos considerar alguns princípios que o texto nos dá.

a) “...fazendo passar a fio da espada a Tiago irmão de João” (Atos 12.2)
Primeiro Estevão, em seguida Tiago. Sempre me perguntei: Por que Pedro foi preso tantas vezes e não foi morto, Tiago foi preso e morto? (2). Devemos buscar a resposta em quem o prendeu, aparentemente não houvera prisões feitas por Herodes, antes sempre foram presos por ordem do Sumo Sacerdote, por razões religiosas, o Sinédrio lhes advertira mais de uma vez, para não pregar no nome de Jesus (Atos 5.28-40). Ao que tudo indica, Herodes se sentiu ameaçado não pela mensagem e as curas, mas por uma implicação política do anúncio de Jesus como Rei.

Não importa tanto o motivo, o fato é que o Evangelho, como tesouro maior, pode pedir como preço a vida de servos de Deus, pois o mesmo capítulo que fala do livramento de Pedro, através das “incessantes orações”. Fala da prisão e morte de Tiago. Hoje, nós não absorvemos o risco de morte, por motivo de fé, alias a fé que se prega é a que tira do risco, não mais problemas, não mais doenças, não mais pobreza. Nossa leitura do texto nos põe diante de uma constatação: precisamos orar sim, e muito. Deus responde sempre, de acordo com seus planos. Mas oração não é instrumento de manipular Deus.

b) “Então, Pedro, caindo em si, disse: Agora, sei, verdadeiramente, que o Senhor enviou o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo judaico” (Atos 12.11)
Há nesta parte do texto uma explicação que esclarece porque Pedro não foi morto. A expressão: “e me livrou da mão de Herodes, e toda expectativa do povo judaico”. Pedro era o grande adversário das autoridades judaicas, a própria sentença de morte dada por Herodes contra Tiago visava agradar o povo, a prisão de Pedro se deu por isso. Assim que cortar a cabeça do movimento que para uns era religioso para outros, como Gamaliel (cf. At 5.38), ou Herodes podia ser político. Em torno a Pedro se dá uma grande luta espiritual, o texto não fala que houve terremoto, nem que as cadeias se abriram, como com Paulo em Filipos (Atos 16.20). Foi um anjo de Deus, que pessoalmente, e fez as cadeias se soltarem e conduziu Pedro para fora da prisão, à semelhança do que ocorrera no capítulo 5. A oração foi o canal pelo qual a igreja fez as coisas mudarem, frustrando os planos de Herodes, possivelmente a morte de Tiago foi que impactando a Igreja, a lança em clamor de oração, Deus responde às orações: “...havia oração incessante a Deus, em favor de Pedro.” Cremos então que entre o caso de Tiago e de Pedro o que fez diferença foi o estado de alerta e vigilância espiritual.

c) “...reconhecendo a voz de Pedro tão alegre ficou, que nem o fez entrar, mas voltou correndo para anunciar que Pedro estava junto do portão.” (Atos 12.14)
A resposta da oração põe a Igreja em euforia, a serva vibra e anuncia a libertação de Pedro. A história do texto fez questão de recordar a euforia de Rode, mas também a incredulidade dos que oravam. As expressões foram: “está louca”, “é um anjo”. O que nos parece é ter havido uma incredulidade quanto a libertação de Pedro, a qual tomou conta de todos eles. Oravam, mas não acreditavam. Sim, a morte de Tiago ferira profundamente a comunidade. Hoje, podemos ver este acontecimento de duas maneiras, uma negativa, que seria: Como este povo depois de ver Deus atuar no meio da nascente Igreja assume um papel tão cético? Ou positivamente: Como a Bíblia, e o testemunho histórico da Igreja primitiva, põe as pessoas abençoadas como os servos de Deus, tão próximo de nós, com situações de incredulidade mesclada com ousada fé? Não é à toa que os discípulos pediram que Jesus aumentasse a fé deles (cf. Lc 17.5). No texto eles não pararam de orar, mas a reação foi muito humana, eles romperam os limites de incredulidade e prosseguiram em oração até ter uma resposta. Ainda que não tivessem reagido com fé, em momento algum eles haviam parado de orar por Pedro.

Eis aí um testemunho de oração e fé, com o qual precisamos aprender.

NOTAS:
(1) Wagner, Peter – Igrejas que Oram, São Paulo, 1993: Ed. Bom Pastor. pg. 92
(2) Herodes Agripa I, neto de Herodes, o Grande (Mt 2.1) e pai de Herodes Agripa II (Atos 25.13). Governou toda a Palestina de 41-44d.c. – O Imperador Romano lhe dera o título de Rei.

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