IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 8/5/2007
 

Um Deus que não é Mãe é um Deus sem sentido

Steve e Maria Newnum


 

Um Deus que não é Mãe é um Deus sem sentido

Maria Newnum

Uma imagem fala mais que mil palavras... Sinta essa imagem...
Para uma mulher criada por uma mãe que cumpriu o papel do pai ausente para 4 filhas, essa imagem é de fazer chorar.

Como tantas meninas, meu referencial de pai veio de mi-nha mãe, uma mulher cujo nome também é Maria - Josefa Maria-, Maria, como eu e como a mãe de Jesus.
Quando criança, recordo o martírio que era os festejos do "dia dos pais" na escola e na igreja. Com o tempo me chegou Bíblia e com ela o en-tendimento de Deus, não como Pai, mas como mãe. Na adolescência me lembro do Deus da Bíblia que como uma galinha, acolhia seus pintainhos sob as asas... - Mateus 23:37. Eu adorava quando o padre pregava sobre essa passagem. Saía da igreja me sentindo filha de um Deus que me amava e me cuidada igualzinho minha mãe. Tenho certeza que veio daí minha confiança no Deus do cristianismo. Não poderia confiar num Deus apenas macho, como meu pai. Tinha aprendido que o pai abandonava suas filhas, que não cuidava delas. Antes de conhecer o Deus-mãe, isso com 11 anos, havia decidido não casar, nem ter filhos. Era pé no chão, não iria correr riscos.

Quando vejo a abominação que alguns religiosos têm da imagem de Deus como Mãe, essas lembranças voltam. Felizmente tenho as lembranças do encontro com o Deus-Mãe. Todavia me preocupa as meninas que ainda não o encontraram. Quantas ainda têm a figura do pai violento que as abusam ou abusaram sexualmente? Dos que as abandonaram? Dos que dizem que elas não prestam para nada? Dos que a renegaram no nas-cimento por serem meninas e não meninos?

Minha mãe, uma mulher simples, sem estudo e que nos criou trabalhando de boa-fria, conta que no nascimento meu e de minhas irmãs, nosso pai ao chegar em casa e constatar que não éramos meninos, diziam que podíamos ter nascido mortas. Ele não era uma pessoa má, era pobre ignorante e machista. O fato é que crescemos com essa carga de rejeição paterna e não fomos as primeiras nem as únicas. O mundo está cheio de meninas cujo sentido de um Deus só significa quando ele se revela na figura de mãe.
Enquanto religiosos insistem na figura exclusivamente masculina de Deus, meninas e mulheres, meninos e homens permanecem órfãos; mesmo que muitos nem tenham consciência disso.

Quer aceitem ou não os religiosos, a essência materna es-tá impregnada na raça humana. Os que renegam esse fato demonstram falência de capacidade de anunciar um Deus que é masculino e feminino. O lado feminino de Deus remete ao afago de mãe que consola, cuida e perdoa até mesmo aos maiores pecados que cometemos.
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Maria Newnum é pedagoga, mestre em teologia prática, vice-presidente do Movimento Ecumênico de Maringá e Coordenadora da Spiritual care Consultoria.
Para comentar ou ler outros artigos acesse: http://br.groups.yahoo.com/group/LittleThinks/ e http://www.maringa.news.com.br/newnum/

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