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Graša de Deus
Rio, 3/6/2007
 

Os caminhos da Graša de Deus (Rabina Naamah Kelman)

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OS CAMINHOS DA GRAÇA DE DEUS

Naamah Kelman (*)

Reflexões sobre o tema da 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) acontecida em Porto Alegre, Brasil, de 14 a 23 de fevereiro de 2006, sob o tema "Deus, em tua graça, transforma o mundo".

Mais artigos e fotos gratuitas em www.wcc-assembly.info

"Deus, em tua graça, transforma o mundo" é uma oração que, em princípio, poderia expressar os anseios de pessoas de diferentes religiões. No artigo a seguir, a rabina Naamah Kelman, de Jerusalém, reflete sobre o tema da 9a Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas, do ponto de vista da tradição judaica.

Em Deus, buscamos força, sabedoria e coragem para mudar o mundo. Oramos a Deus para renovar nossa esperança e nutrir nosso espírito, de forma que possamos ser parceiros na transformação do mundo. Procuramos Deus para sentir amor e conforto, de modo que, quando falhamos em mudar o mundo, possamos tentar novamente.

Nós, das três religiões monoteístas - judaísmo, cristianismo e islã - compartilhamos um Deus de compaixão e justiça. E elas devem andar juntas. A compaixão sem justiça pode nos curar, mas não irá resolver, nem nos fazer avançar para onde devemos ir. A justiça sem compaixão pode consertar o que está errado, mas não nos dará a capacidade de proteger uns aos outros. Servimos a um Deus capaz de nos mover, curar, inspirar e encorajar.

A tradição judaica se baseia em dois pilares fundamentais que a sustentam: a criação e a redenção. A criação tanto é o ato original da criação do mundo quanto a idéia permanente de renovação - renovação da alma e renovação do mundo. A redenção é o ato original de êxodo da escravidão, e a esperança permanente de um mundo redimido.
Se, por um lado, Deus é a fonte desses poderes transformadores, devemos nos tornar parceiros de Deus, para garantir as forças permanente de renovação e redenção no mundo.

No sábado, essas duas forças são reunidas. Devemos descansar, não relaxar, mas com vistas a encontrar as energias para retornar a uma nova semana e ao mundo com a força da criação e da redenção. Talvez nesta semana possamos curar nossa família, nossa comunidade e nosso bairro. Mais do que isso, talvez possamos ir além de nossas estruturas familiares e buscar o outro.

Houve alguma época na história humana em que não desejássemos a graça de Deus? Ainda precisamos dela, como sempre? Sim!

Atualmente, a magnitude dos eventos é assustadora. As conexões globais nos transformaram em uma aldeia mundial. Mas a tecnologia desencadeou poderes curativos e poderes destrutivos como nunca se viu. Não podemos acompanhar a quantidade de catástrofes terríveis enfrentadas pela humanidade, e isso nos deixa entorpecidos de medo. Ainda assim, também nos sentimos desamparados em face da pobreza, da doença, da violência e da corrupção. A graça de Deus combate o desespero!

A ousadia de agir como Deus

O tema da 9a Assembléia de Conselho Mundial de Igrejas, em fevereiro próximo, lembra-me daquela maravilhosa parábola judaica sobre como devemos agir como Deus. É claro, assim que dizem isso, os rabinos respiram fundo diante de sua ousadia. Como podemos nós, seres humanos, ser como Deus?

Então eles respondem: assim como Deus visita os enfermos, nós também devemos fazê-lo. Aprendemos isso porque Deus "aparece diante de Abraão", em Gênesis, 18, pouco depois de sua circuncisão. Então os rabinos deduzem que Abraão está se recuperando e Deus "chama".

Os rabinos buscam escrituras que provem que Deus alimenta os famintos, veste os nus (Adão e Eva no jardim), consola os que estão de luto, etc, e que, portanto, devemos trilhar os caminhos de Deus. Esses são os caminhos da graça de Deus.

Obviamente, a prova textual mais poderosa vem de Gênesis 1:27. O texto deixa muito claro que fomos criados à imagem de Deus, todos nós. Devo tratar a você como se você representasse a imagem de Deus na Terra. Mas ninguém tem monopólio do sofrimento, assim como ninguém tem monopólio da santidade. Damos as mãos como representantes de Deus nesta gloriosa Terra.

Sendo assim, de fato começamos pelos que estão perto de nós em dor e sofrimento, e espalhamos nossa obra. A justiça, segundo nossos profetas, também é nossa missão. Cuide dos órfãos, da viúvas, daqueles mais desamparados em nossas sociedades. Construa um mundo de igualdade.

Buscamos Deus na oração e na ação, para encher o mundo com a sua graça. Renovemos a criação a cada dia; busquemos a redenção de todas as formas.

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(*) Naamah Kelman, a primeira mulher a ser ordenada rabina em Israel, é diretora de iniciativas educacionais no Hebrew Union College de Jerusalém e membro da diretoria da Rabbis for Human Rights. Também atua nas áreas de pluralismo religioso, feminismo judaico, paz e no trabalho inter-religioso.

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