IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Calendário Cristão
Rio, 26/6/2007
 

Pela vivência do Reino de Deus

Messias Valverde


 

O Calendário Litúrgico Cristão denomina o atual período do ano de "Tempo Comum" - II fase, com a ênfase temática da "vivência do Reino de Deus", como se pode observar no Anuário Litúrgico da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista e em obras afins. Trata-se de uma preocupação teológica interessante, porque, depois de celebrar os ciclos do Natal e da Páscoa e também o tempo do Anúncio do Reino de Deus, na primeira fase do tempo comum - que situa entre a Epifania e a Quaresma - os cristãos e cristãs têm a oportunidade de enfatizarem a importância de uma vivência na sociedade compativel com o papel do "sal e da Luz" recomendados pelo Evangelho (Mt 5.13-16).

Nessa perspectiva, seria importante verificar como Jesus está sendo tratado por homens e mulheres que afirmam tê-lo como centro da fé, do culto, e das normativas para a vida. Um dos textos relevantes para essa reflexão é Mt 25.34b-37: "Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que meu Pai preparou para vocês desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram comida; estava com sede e me deram água. Era estrangeiro, e me receberam na sua casa. Estava sem roupa, e me vestiram; estava do ente e cuidaram de mim. Estava na cadeia, e foram me visitar...Quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram" (Mt 5.13-16;40).

Olhar o ser humano na perspectiva ensinada por Jesus é um desafio que nos impulsiona a transcender em muito as práticas convencionais, mesmo aquelas desenvolvidas por cristãos e cristãs considerados(as) exemplares. Afinal, Jesus, por meio dos ensinos do Evangelho, pode abrir nossos olhos (cf Lc 24.31) para que possamos fazer da leitura bíblica instrumento de graça para transformar o nosso compromisso com Deus e com as pessoas.

Retomando-se o texto de Mt 25.34b-37 - que é nosso referencial maior aqui - é possível constatar que se quisermos transformar em realidade prática a firmação de Jesus: "...eu estava com fome, e vocês me deram comida" (v.35a) teremos que ir muito além das preocupações apresentadas nos primeiros capítulos do Evangelho de Mateus sobre a dimensão não exibicionista da esmola (Mt 6.1s). Além da ação profética de questionar a estrutura social injusta que leva alguns a acumular pão e uma gande maioria a mendigá-lo, é necessário participar de políticas públicas de alternativas de produçãode alimentos tais como plantio de àrvores frutíferas, hortas comunitárias, criação de pequenos animais como cabras, coelhos, galinhas e porcos, dentre outros.

"Estava com sede e me deram àgua" (v 35b), além da disponiblização da partilha da água propriamente dita, em situações concreta de sede, exige orientação e participação em projetos de preservação das fontes e da criação de novos poços para as famílias que lutam pelo acesso ao bem tão simples para alguns e, ao mesmo tempo tão escasso, pra tanta gente.

Desafios semelhantes nos impôem a responsabilidade por receber o Jesus "estrangeiro" em nossas casas (v.35b); de vestí-lo, em suas situações de nudez (36 a); de vistá-lo nos momentos de enfermidades e de prisão (v36b).

Todas essas circunstâncias pressupõem com promissos com o Reino de Deus muito além das práticas convencionais. A alegria de Jesus por ter sido "visitado" quando enfermo e preso, caracteriza uma prática de presença constante de seus (suas) seguidores(as) em hospitais e prisões. Não se trata de passagens periódicas e assustadas por esses espaços quando um membro da família estiver por lá mas de um compromisso com o Jesus internado e preso que precisa ser apoiado, consolado e fortalecido por seus (as) discípulos(as).

Não se descarta, num e noutro contexto, a luta por um sistema carcerário mais humanitário, por leis mais justas, e pela humanização do trato com as questões da saúde.

Em síntese, o servir a Jesus, na vivência dos Valores do Reino de Deus, deixa de ser apenas um espaço ritualizado no interior dos Templos Religiosos. Nesse caso já não haverá espaço para questões como: "Senhor, quando foi que o vimos com fome e lhe demos comida ou com sede e lhe demos água? Quando foi que vimos o Senhor como estrangeiro e o recebemos em casa? Ou sem roupa e o vestimos? Quando foi que vimos o Senhor doente ou na cadeia e fomos visitá-lo?" (v.37-40).

Que Deus nos abençoe nessa santa empreitada!

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.