IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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MOrdomia Cristã
Rio, 17/9/2007
 

A Contribuição Cristã

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A CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ
(Revista Cruz de Malta, 2º Trimestre de 1973, Bispo Nelson Luiz Campos Leite – texto adaptado)

A contribuição para a igreja é um dos aspectos da mordomia crista do dinheiro. Mesmo que você dê os 10% do salário para Deus, não significa que você esteja sendo fiel no trato de todo seu dinheiro. Deus requer, de cada um: a) uma forma justa e cristã de se ganhar o dinheiro; b) uma forma certa, equilibrada e justa de se gastar o dinheiro; c) uma forma amorosa e dadivosa de se guardar e aplicar o dinheiro, e d) um oferecimento, em espírito cristão, do dinheiro para a Igreja e o serviço ao próximo.

Qual o motivo para contribuir? Por que contribuir? Para muitos a contribuição é uma espécie de dever moral, uma obrigatoriedade religiosa (não sentem o valor ou a alegria da dádiva de contribuir; dão, porque devem dar). Outros contribuem porque a igreja tem necessidade (o que, aliás, é verdade). Mas o motivo cristão para a contribuição não pode ser apenas isto.

Acontece ainda haver os que contribuem porque se simpatizam com o pastor (ou com a tesoureira da Igreja!). Mas quando o pastor é transferido de sua igreja, estes não contribuem mais. Ou quando as coisas não caminham da forma como desejam, deixam de contribuir, numa tentativa de protesto e chantagem à custa do dinheiro.

A verdade é que a maioria contribui com muito pouco ou quase nada e dentre as pessoas que contribuem, muitos contribuem sem ter uma consciência espiritual, missionária e bíblica da dádiva de contribuir. De modo geral vamos encontrar os seguintes tipos de contribuintes nas igrejas:
a) os dizimistas regulares (que de fato contribuem mensalmente com 10% sobre o valor de seus ganhos);
b) os contribuintes “quase” dizimistas regulares (os que contribuem mensalmente mas não com os 10%, dificilmente com um valor acima dos 10%);
c) os contribuintes que oferecem muito abaixo de suas possibilidades;
d) os que contribuem apenas com ofertas;
e) os que contribuem apenas com ofertas especiais, ou seja, apenas uma vez ou outra; e
f) os que dizem que administram o próprio dízimo ou ofertas com pessoas e situações fora da administração da Igreja local.

A verdade é que o número de membros que mantém financeiramente (e investem!) a Igreja é bem reduzido. Por que disso? Bem, há muitas razões e desculpas.

FALTA DE CONSCIÊNCIA E DE AMOR - Primeiro, muitos cristãos não têm a consciência e o amor necessário para participarem da manutenção da Igreja (para desenvolvimento de seus programas regulares e missionários, para pagamento de salário dos pastores e dos funcionários, por serviços como água e luz, aquisição de equipamentos e material de uso regular como revistas para a Escola Dominical e até mesmo o papel higiênico, etc) e para investirem nos tão urgentes e necessários serviços missionários, seja a compra de folhetos para serem distribuídos, a manutenção de pontos de pregação e congregações, dos serviços de assistência e ação social da Igreja local, mas também projetos missionários maiores como por exemplo as instituições regionais que atendem pessoas idosas, crianças e população pobre e, ainda como outro exemplo, a ação missionária das Regiões Eclesiásticas ou da área nacional da Igreja como por exemplo no Nordeste e na região Amazônica, onde estamos plantando Igrejas, alargando as tendas do Reino de Deus, proclamando salvação e juntando as pessoas em comunidades de fé.

OUTRAS DESCULPAS – O crente não ganha o suficiente (e muitas vezes, quanto mais ganha menos sobra para sua contribuição cristã!), não gosta do pastor, não gosta do tesoureiro, não gosta do Bispo da Região, não gosta da administração da Igreja, não concorda que a Igreja local envie dinheiro para as instituições regionais que trabalham com comunidades pobres, não concorda que a Igreja local envie dinheiro para o sustento de projetos missionários no Nordeste ou na Amazônia, não tem tempo de pegar o envelope com a tesoureira, gosta de contribuir anonimamente e sem compromissos, acha que dízimo é coisa legalista do Antigo Testamento, etc...

Diante disso, o que pode e o que deve ser feito? Falemos de fé, gratidão e amor.

FÉ, GRATIDÃO E AMOR – A solução para a consciência de que a contribuição cristã é o dízimo, e também para a compreensão de que o dízimo é a menor contribuição financeira que devemos oferecer ao Senhor e à Sua Obra Missionária através da Igreja, passa pela fé, pela gratidão e amor.

Precisamos educar-nos e compreender que o dízimo é um ato de fé, um ato de gratidão e um ato de amor. Nesse ato espiritual e regular o membro da Igreja (que assumiu os votos de ser membro da Igreja do Senhor Jesus e os votos de sustentar a Igreja e trabalhar para a expansão do Reino de Deus!), contribui para a causa cristã com 10% dos seus ganhos, dos seus rendimentos. Assim fazendo, reconhece que Deus é o Senhor de todas as coisas e que nós somos servos e mordomos Seus. Como Senhor, Deus é doador. Em Deus, tudo tem sua origem e subsiste.

Assim o crente que consagra seus dízimos, antes de contribuir para a Igreja, a fim de suprir as necessidades desta instituição, oferta à causa de Deus, à causa do Evangelho do Reino, reconhecendo a origem, a causa e a manutenção de sua vida como uma dádiva de Deus. Ao oferecer seu dízimo, o crente afirma sua dependência na graça e no favor de Deus. Os 10% ao serem colocados no altar representam os outros 90% e toda a vida de quem dá por gratidão e amor a Deus a sua oferenda. O dízimo significa que submissos ao Senhor, continuamos dependentes de sua graça e favor. Nosso dízimo honra àquEle que nos criou e salvou, pois é um modo de nossa participação na Sua Obra de encontrar, amar e cuidar das pessoas que precisam ser ajudadas e salvas pelo poder de Deus.

Além de um ato de fé em Deus como Senhor e Salvador e além de um ato de gratidão pelos cuidados do Senhor, o dízimo é também um ato de amor. Sem parecer um comércio, uma troca ou algo assim, o dízimo é uma dádiva, um presente, um reconhecimento, uma resposta do nosso amor ao Deus que nos amou primeiro. Só quem ama pode entender o dízimo não como obrigação legalista, mas é um canal de colaboração à Obra de Deus que por amor quer salvar o mundo. E tal como de graça recebemos, de graça devemos dar...

Nossos olhos sempre podem ver a coisas por muitos ângulos. Graça ou lei, legalismo ou dádiva, etc... Vamos deixar que a Bíblia nos ajude a ver o dízimo como graça de Deus. Vejamos o texto de Gn 14:20. No texto Abraão oferece o dízimo ao sacerdote Melquisedeque. Aqui nasce o dízimo como compreendido pela fé judaica. Mesmo aqui, o dízimo era uma expressão de gratidão pela presença e poder de Deus na vida.

Em Lv 27:30 o dízimo é reconhecido como um padrão de dádiva, de oferta. Dez por cento dos frutos do campo seriam do Senhor. Este era um primeiro modo de oferecer o dízimo ao Senhor. Mas com o estabelecimento dos filhos de Israel na Terra Prometida, aparece então um segundo modo: o dízimo dado em dinheiro. Isto está em Deuteronômio 14:22-25. Dt 14:28-29 trata ainda de um dízimo de cunho espiritual e social para atender as necessidades dos levitas, das viúvas e dos órfãos.

O dízimo é gratidão a Deus. É oferecido como reconhecimento pelo “dom” da presença de Deus, por seus atos de livramento e pelas bênçãos concedidas. O dízimo é louvor, memorial e reconhecimento das bênçãos de Deus. Não existe por causa de uma lei, mas devido a um princípio religioso: resposta e oferecimento de gratidão a Deus. Dt 26:7-11 diz que ao mesmo tempo que o povo oferece seus dízimos é lembrado a respeito dos atos salvadores e libertadores de Deus.

O legalismo e alguns outros deslizes (como o querer fazer “negociata” com Deus) surgiram como conseqüência de um procedimento de infidelidade religiosa. A perda de consciência da presença de Deus, a confiança do homem em suas próprias obras e o abuso do poder da Lei levaram o povo a praticar o dízimo com um espírito puramente legalista. Através dele o judeu tenta trocar favores com Deus. Veja-se o exemplo de Jacó (Gn 28.20-2)2 e outros tantos casos encontrados no AT.

Todavia, esta atitude legalista não era a atitude correta nem a que prevalecia. A motivação da prática do dízimo está em considerar este ato como "ato de adoração". É um ato de devoção pelo qual os agradecidos filhos e filhas de Deus reconhecem Sua providência amorosa e, como gratidão, oferecem a Ele o dízimo do que Deus lhes tem dado.

A dádiva do dízimo é sacrifical. Envolve uma renúncia, um sacrifício. Lv 22:18-21 apresenta esta visão. O melhor de tudo deveria ser oferecido a Deus (2Sm 24:24). Isto, muitas vezes, exigia renúncia e sacrifício, mas sobretudo confiança no Deus que nos supre em nossas necessidades. Não era o resto que se oferecia a Deus, mas as primícias, o primeiro, o melhor.

A nossa confiança colocada em Deus é sempre canal de uma resposta, de uma graça, de uma bênção de Deus para nós. Nesse sentido há também uma promessa de Deus para quem o honra com o dizimo. Como vimos, esta não é razão para sermos dizimistas, mas é uma conseqüência, um efeito. A promessa inclui a presença de Deus e a continuidade de sua Graça. Em Gn 15:1-5, após Abraão dar o dízimo, há a promessa da bênção de Deus sobre ele. Em Pv 3:9-10) é afirmado que aquele que honrar ao Senhor com sua fazenda e primícias terá seus celeiros abundantemente transbordados. Em Ml 3:6-12 há também uma promessa semelhante. Talvez fosse mais um desafio. Mas não é por isto que se dá o dízimo. A maior recompensa para nós deve ser a bênção de se dar, de se reconhecer a presença e os dons do Senhor e de oferecer com nossa oferenda a própria vida. “Porque, se vivemos, para Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14:8).

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