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Rio, 17/9/2007
 

20 de novembro, dia do líder negro Zumbi (Hernani Francisco da Silva)

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Hernani Francisco da Silva, autodidata, é militante do Movimento Negro e diretor-fundador da Sociedade Cultural Missões Quilombo


Novembro é um mês de comemoração e reflexão para o povo negro. Mas não deveria ser só para o negro, e sim para todos os brasileiros, principalmente os evangélicos. No dia 20 de novembro, em alusão à morte do líder Zumbi dos Palmares, comemora-se o Dia da Consciência Negra. A história de Zumbi e do Quilombo dos Palmares foi recuperada nos anos 60 e 70 pelo movimento negro. A data oficial de seu assassinato, 20 de novembro, foi transformada em Dia Nacional da Consciência Negra pelo Movimento Negro Unificado em 1978. Zumbi nasceu no Quilombo dos Palmares, provavelmente em 1665, mas cresceu distante dele. Com poucos meses de vida, foi capturado por uma expedição militar e doado ao padre Antônio de Melo, do distrito de Porto Calvo. Batizado como Francisco, o menino aprendeu a ler e escrever na paróquia. Por volta de 1670, aos 15 anos, ele decidiu voltar, ao lado de escravos fugitivos, para sua terra natal. Em Palmares, Francisco assumiu o nome de Zumbi e destacou-se como chefe militar. A existência dos quilombos incomodava o sistema colonial português. Além disso, os negros no cativeiro ouviam histórias de Palmares e alimentavam a esperança de fugir e juntar-se aos quilombolas. Em seu apogeu, o Quilombo dos Palmares abrigou mais de 20 mil habitantes, em uma área de quase 27 mil quilômetros quadrados.

O povo negro sempre resistiu à escravidão. Mesmo após a abolição da escravidão, em 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea, o negro continuou a sua luta pela liberdade, e uma das mais importantes foi à Revolta da Chibata. No ano de 1910, o governo brasileiro adquiriu uma poderosa esquadra equipada com o que havia de mais moderno em tecnologia de guerra naval na época. Os navios, fabricados na Inglaterra, faziam do Brasil o país mais poderoso no Atlântico sul. A marujada das moderníssimas máquinas de guerra eram, na sua maioria, negros e pobres. Quando cometiam qualquer deslize ou ato que fosse considerado indisciplina, eram punidos com chibatadas como no tempo da escravidão. Além disso, o soldo era muito baixo e a comida de bordo insuportavelmente ruim, o que fazia com que esses descendentes de escravos se sentissem mais humilhados e ainda com o pesadelo da escravidão 22 anos após a abolição. Chefiados por um marinheiro negro chamado João Cândido, exigiram o fim do castigo da chibata e melhoria no soldo e na alimentação de bordo, e ameaçaram bombardear o palácio do Catete (sede do governo federal). João Cândido liderou a revolta no Rio de janeiro, capital do Brasil na época, tomando os navios mais potentes do mundo em 22 de novembro de 1910 e realizando proezas inimagináveis: marinheiros afrodescendentes manejaram e pilotaram os navios com beleza e maestria. O governo prometeu anistiar os revoltosos e atender todas as suas reivindicações, desde que eles se rendessem e entregassem os navios. Os marinheiros se renderam e a promessa de anistia não foi cumprida. Muitos foram presos ou enviados para o inferno da Clevelândia, nos confins da Amazônia.

O teólogo e historiador Walter Passos resgatou a luta do marinheiro negro João Cândido, apontando a sua fé protestante e considerando-o como o nome mais importante depois de Zumbi dos Palmares. O protestantismo brasileiro pouco ou quase nada fez para denunciar o racismo na sociedade brasileira e dentro de suas próprias denominações. Como diz James Cone "O racismo é a negação do evangelho". O protestantismo histórico brasileiro é oriundo do Sul dos Estados Unidos, e por isso manteve e mantém a questão racial como inexistente em nosso país. Aí está o exemplo de João Cândido como um homem de fé, que aceitou Jesus Cristo como seu Salvador pessoal. Converteu-se na Igreja Metodista do Brasil em Jardim América, no Rio de Janeiro, e passou a freqüentar a Igreja Metodista de Coelho da Rocha, em São João de Meriti. Deu um bom testemunho de homem simples e de muita fé até a sua morte, cujo ato fúnebre foi realizado pelo saudoso pastor metodista Rev. Lucas Monção, da I Região Eclesiástica. É por razões como essa que nossas igrejas devem abordar a questão do negro.

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