IGREJA METODISTA DE VILA ISABEL
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Pregação
Rio, 17/9/2007
 

O pastor, a pregação e o povo de Deus

Pr. Ronan Boechat de Amorim


 

Os Cânones (a lei, o regulamento) da Igreja Metodista diz que a tarefa do pastor é, entre outras, exercer a tarefa de edificar, equipar e aperfeiçoar os membros da igreja local, visando a sua capacitação sob ação do Espírito Santo, para o cumprimento da Missão, em todas as áreas da existência e da comunidade humana (artigo 176.2).

Ou seja, o pastor é chamado a exercer uma função sacerdotal, ministrando a Palavra e pastoreando o povo de Deus (conforme o chamado de Jesus a Pedro em Jo 21:17:“Apascenta as minhas ovelhas”).

Três funções sacerdotais podem ser encontradas em textos mais antigos. O sacerdote é quem: a) profere oráculos (Dt 33:7-11; Jz 18:5; 1Sm 14:41, 1Sm 28:6); b) instrui na lei (Dt 30:10; Ml 2:6-8); e, c) oferece sacrifícios (Dt 33:10), que hoje seria o próprio culto, onde celebramos o sacrifício único, suficiente e irrepetível do Senhor Jesus. Jesus é o fundamento de um novo culto (Hb 9:14; Hb 133:15ss). Assim o culto sacrificial é abolido (Hb 10:9; Hb 7:18; Hb 8:13).

A instrução na lei é um desenvolvimento da função oracular: o oráculo é uma comunicação da vontade revelada de Deus; uma pregação orientadora sobre como agir. A instrução na lei é uma comunicação mais sistemática da mesma coisa; já é um processo docente. O importante é que em ambos os casos, o sacerdote não tem uma palavra que seja propriamente sua. Mas deve ser portador da Palavra de Deus. A pregação, a revelação da vontade de Deus, é a tal profecia mencionada pelo apóstolo Paulo em 1Coríntios 14:3. “Quem profetiza, fala aos homens, edificando, exortando e consolando”.

A função do pastor ao pregar, portanto, não é falar de si mesmo e de suas idéias. Jr 23:28 diz que o profeta é chamado a profetizar a Palavra do Senhor e não pra falar de seus sonhos. Quem profetiza de si mesmo e não da parte do Senhor as palavras do Senhor é falso profeta, diz-nos claramente Jr 23:25-26.

O pastor também não pode usar a pregação para seduzir a Igreja, dizendo o que a Igreja quer ouvir. A pregação é para que seja dito o que Deus, Senhor da Igreja tem a dizer ao seu Povo: Palavras de Vida (“Ái de vós quando todos vos louvarem!”, alerta-nos Jesus em Lc 6:26). Em 1Rs 22:13-18 o mensageiro do rei Acabe ao consultar o profeta Micaías sobre um projeto do rei diz: “as palavras dos profetas (os falsos profetas mantidos pelo rei) a uma voz predizem coisas boas para o rei; seja, pois, a tua palavra como a palavra de um deles e fala o que é bom”. Mas o profeta Micaías, um verdadeiro homem de Deus diz: “Tão certo como vive o Senhor o que o Senhor me disser isso falarei”.

Como vimos em 1Co 14:3, a pregação tem de ser para edificar a Igreja, promovendo crescimento, maturidade e perfeição cristã. A palavra de Deus somada à oração é o alimento da fé, pois a fé nasce e cresce pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm 10:17). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11:6). Jesus adverte aos saduceus que eles erram por não conhecer o poder e a palavra de Deus (Mt 22:29), pois tudo que não provém da fé é pecado (Rm 14:23). Ainda segundo 1Co 14:3 a pregação é também para exortar, corrigindo, denunciando desvios e apontando os corretos parâmetros do Evangelho, chamando ao arrependimento. E também para consolar, sobretudo aos tristes, aos cansados e aos perseguidos por causa da Causa (do nome) de Jesus.

A pregação, por isso, nos alimenta, fortalece e dá convicções mais profundas e mais embasadas na Palavra de Deus. Mas também aponta nosso pecado, denuncia abusos e desvios, desmascarando a falsidade de nossa auto-suficiência. E sobretudo nos consola, seja pelo anúncio do perdão de Deus, seja pelo anúncio da presença de Deus que está conosco todos os dias de nossa vida (Mt 28:20). Ainda que andemos pelo vale da sombra da morte (Sl 23: 4).

Ocasionalmente, os sacerdotes foram alvos da crítica dos profetas. Eles são censurados por sua omissão em dar a instrução adequada (Jr 2:8; Ez 22:226; Os 4:4-6; Ml 2:6ss), por suas orgias (Is 28:7). Jeremias, por exemplo, associa os sacerdotes aos falsos profetas como enganadores do povo (Jr 5:30-31; Jr 6:13-14; Jr 8:10-11; Jr 23:11).

Talvez pudéssemos ousar dizer que os profetas tal qual os conhecemos na Bíblia só apareceram porque os sacerdotes, a quem cabiam originalmente proferir os oráculos de Deus, corromperam-se e foram corrompidos. “Porque os pastores se tornaram estúpidos e não buscaram ao Senhor; por isso não prosperaram, e todos os seus rebanhos se acham dispersos! (Jr 10:21). “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento... e rejeitaste a lei do teu Deus... (Os 4:6).

Provérbios 29:18 já sentencia: “Não havendo profecia o povo se corrompe!” Jesus olha para a multidão e sente profunda compaixão: “São ovelhas sem pastor!” (Mt 9:36). Na verdade, em Israel o que não faltava era gente que se dizia pastor: fariseus, saduceus, doutores da lei, sacerdotes, sumo-sacerdotes... mas não eram aprovados por Deus. Por isso Jesus se apresenta como “o bom pastor” (Jo 10:11), opondo-se certamente aos maus pastores, os tais “devoradores” das casas das viúvas e dos órfãos (Mt 23:14). Mas “ai dos pastores” que destróem e dispersam as ovelhas do meu pasto! Diz o Senhor” (Jr 23:1). “...eu cuidarei de vos castigar a maldade de vossas ações, diz o Senhor” (Jr 23:2).

Por outro lado, Deus chama pastores para a tarefa de profetizar ao seu povo. “Palavra que veio a Jeremias, da parte do Senhor dizendo: Ouve as palavras desta aliança, e fala aos homens de Judá, e aos habitantes de Jerusalém; dize-lhes: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Maldito o homem que não atentar para as palavras desta aliança...” (Jr 11:1-2). “Profetiza a estes ossos e dize-lhes: ossos secos ouvi a Palavra do Senhor. Assim diz o Senhor... ...então profetizei segundo o que me fora ordenado” (Ez 37:3,4 e 7). “Então o Senhor me disse: profetiza... Profetizei como ele me ordenara (Ez 37:9-10). “...profetiza-lhes e dize-lhes: Assim diz o Senhor... (Ez 37:12).

Outro exemplo clássico é o que acontece com o profeta Jonas, o primeiro missionário enviado aos gentios. “Veio a palavra do Senhor a Jonas: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive (Jn 1:1-2). “Levantou-se, pois Jonas e foi a Nínive, segundo a Palavra do Senhor” (Jn 3:3). Começou Jonas a percorrer a cidade caminho de um dia, e pregava...” (Jn 3:4). Como resultado, “os ninivitas creram em Deus” (Jn 3:5). É como diz o Senhor em Isaías 55:11: “assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a designei”.

Na pregação, portanto, a palavra só é verdadeiramente do Senhor, se procede dele, se é dada por ele e mandada ser dita por ele. Por isso a própria palavra do Senhor nos orienta: “Toda profecia precisa ser julgada!” (1Co 14:29). Parafraseando o apóstolo Paulo em 1Co 2:4-5, “a pregação do pastor não pode consistir em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a fé do povo de Deus não se apoie em sabedoria humana; e sim, no poder de Deus” .

O pastor aprovado por Deus, e consequentemente a sua pregação, é aquele que se coloca no seu verdadeiro lugar: aos pés do Mestre. É aquele que sua maior importância é a de ser servo porta-voz de uma palavra que não é sua, mas de Deus. É aquele que não se deixa seduzir pelo púlpito, pelos primeiros lugares, pelo lugar mais alto na congregação, e que, tal como João Batista, tem certeza que é pecador e vive numa crescente dependência de Deus e sua graça: “importa que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30). “Porque só tu tens as palavras da vida eterna”(Jo 6:68).

A autoridade de um pastor está em seu chamado, em sua vocação. A autoridade de sua pregação está na autenticidade de sua vida e na fidelidade de sua pregação à palavra de Deus, e mais precisamente, na fidelidade às Sagradas Escrituras, a Palavra revelada de Deus. Deus esse que não mente e cuja Palavra permanece para sempre: é a mesma ontem, hoje e sempre.

Ore pelo seu pastor, sustentando-o também com suas orações. Que a pregação do seu pastor incomode você, desafiando-o ao crescimento espiritual, à fidelidade ao Evangelho e à vida por modo digno do Evangelho de Cristo, à prática do amor ao próximo, ao envolvimento maior e visível com a Missão de Deus. Que nós pastores possamos ser instrumentos de Deus em sua vida e reconhecidos como obreiros que, tal qual 2Tm 2:15, se apresentam aprovados diante de Deus e à frente do ministério, como obreiros e sacerdotes que não têm de que se envergonhar, e que manejam bem (com unção e fidelidade!) a palavra da Verdade. Pregando a Palavra, corrigindo, repreendendo, exortando com toda longanimidade e doutrina (2Tm 4:2), sendo sóbrios em todas as coisas, fazendo o trabalho de evangelista e cumprindo cabalmente o nosso ministério (2Tm 4:5).

Que Deus nos abençoe, a todos nós, ministros seus, povo de Deus.

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