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Rio, 17/9/2007
 

Um tapinha pode não doer, mas o que ele representa é doloroso (Luciano Trigo)

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UM TAPINHA PODE NÃO DOER, MAS O QUE ELE REPRESENTA É DOLOROSO
Lucino Trigo, jornalista do O Globo (adaptado)

A virada do milênio jogou muita coisa na lata do lixo da História, e acho que neste processo foi junto a nossa capacidade de indignação. Tiveram o mesmo destino, para o bem ou para o mal, diversas conquis-tas das feministas, que depois de lutarem durante décadas contra a opressão machista, devem estar vendo, consternadas, suas filhas em-barcarem no “bonde do Tigrão”. É intrigante, aliás, a inexistência absoluta de reação, por parte das mulheres pensantes do país ao processo em curso de vulgarização radical da imagem feminina, que já ultrapassou todos os limites da imaginação.

Mas o mais intrigante mesmo é a questão moral, ou melhor, a ausência de moral como questão. Não se trata mais de uma inversão de valores, mas da eliminação total de qualquer valor relacionado à conduta sexual: todo comportamento é legitimado, e o que no passado era motivo de escândalo hoje pode ser assimilado, maquiado e até incentivado pela mídia, em horário nobre.

Um exemplo desse fenômeno é o novo status de uma variação da profissão mais antiga do mundo: a “garota de programa”. Hoje, a julgar pela mídia, esta é uma atividade natural, que não contraria as normas da vida em sociedade nem estigmatiza quem a pratica. Sem alicerces morais, sem noção de certo e errado e com exemplos como este, o que impedirá uma menina bonita de usar seu corpo para ascender socialmente, num mundo que a estimula permanentemente a se transformar num bem de consumo para que ela própria possa consumir outros bens? Ou, para não irmos tão longe, o que a convencerá de que o sexo deve ser vinculado ao amor, e não transformado num instrumento de exploração mútua, num mundo regido pelas aparências e pelo dinheiro, onde um carro importado vale mais que a honestidade e o caráter?

Não se trata de defender uma sociedades repressiva, mas o fato é que essa total ausência de freios (limites, valores, etc) explica a proliferação de orgulhosas "cachorras" e "preparadas" como di-zem a melodia funk em todas as frestas do tecido social.

É claro que elas sempre existiram, mas antes pelo menos havia um pudor em relação às aparências que as confinava simbolicamente a uma margem, a uma periferia simbólica da vida cotidiana. Numa palavra: havia vergonha.

Este pudor e esta vergonha desapareceram, e hoje a cidade mais parece um faroeste, e sua vida noturna o cenário de uma caça desesperada ao prazer e à grana. E isto durante o ano inteiro: o Carnaval só tornou mais evidente essa dinâmica. Um tapinha pode não doer, mas o que ele representa é doloroso, pelo menos para aqueles que ainda têm capacidade de indignar-se, para os que lutam pela justiça e cidadania.

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