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Rio, 27/9/2007
 

Mortos pela nossa própria cobiça (Pr. Nilton Telles Frota)

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Mortos pela nossa própria cobiça
Escrito por Pr. Nilton Telles Frota
Qui, 27 de setembro de 2007

(Texto extraído do site da Igreja Metodista do Distrito de Resende, RJ. Endereço do texto: http://jornaldistrital.com/index.php/home/235-mortos-pela-nossa-propria-cobica)

Ontem à noite, no chamado show gospel realizado na Exapicor, com um cantor gospel de renome nacional e em meio a malabarismos pirotécnicos com muita luz, gelo seco e um som cuja batida fazia o coração perder o compasso, não pude deixar de me lembrar de Asaph Borba em um evento do Congresso Louvor Profético.

Em uma de suas ministrações, os organizadores decidiram no meio da música lançar no altar uma fumacinha de gelo seco para dar "mais vida" a ministração.

Asaph imediatamente parou sua ministração e mandou desligarem a tal "fumacinha" pois o seu Deus e a Glória Dele não necessitavam disto.

Como pastor sofro as consequencias de uma sociedade imediatista, que não tem capacidade de esperar, onde tudo está ao alcance de nossas mãos com muita facilidade. E vejo este imediatismo entrando de forma arrasadora em nossas Igrejas corrompendo o rebanho de Deus. Somos filhos do Deus das bençãos e as queremos para ontem, se Deus não nos der simplesmente ordenamos que elas aconteçam.

Determinamos e damos ordens a um deus que não é o Deus da criação mas o deus de nosso ego não convertido e indisposto a passar por transformações. Um ego incapaz de transcender a si próprio e ao consumismo de nossos dias. Somos consumidores de bençãos e quando ela já não nos servem mais corremos atrás de quem puder nos dar outras e melhores.

Enquanto o show gospel (não tenho coragem de chamar aquilo de ministração) acontecia de baixo de muita "unção"(sic!), abaixo do palco, jovens permaneciam aglomerados e hipnotizados, não pelo poder de Deus, mas pela força de uma música eletrônica pesada, jogos de luzes e um vestir-se do mundo com a desculpa de estratégia para ganhar a juventude; algo bem diferente do conselho do apóstolo Paulo: "...revestivos de Cristo..."

Ao meu lado uma banca vendia bebida alcoólica, alguns rapazes fumavam e olhares de cobiça passeavam sobre corpos revestidos de sensualidade. Mas o que importa é que o evangelho estava sendo pregado(?).

Ao olhar tudo aquilo veio ao meu coração as frases de Pedro em sua segunda carta:

"...farão comércio de vós, com palavras fictícias..." (2 Pedro 2:3b)

Quão verdadeiras e reais são estas palavras nos dias de hoje. Fomos reduzidos a cifras monetárias. Compramos as bençãos com o dízimo, compramos a vitória com campanhas, compramos o emprego nos tornando colaboradores e nos esquecemos que "aos seus amados Ele dá enquanto dormem" (Salmo 127). Algo que Deus levou ao pé da letra morrendo em nosso lugar, perdoando nossas dívidas, repartindo conosco sua eternidade, sua graça, não comprada por nós, mas obtida por ele e estendida a todos de forma incondicional.

Desperta Igreja, tu que dormes!!!!

Não posso deixar de registrar que afirmei ao nosso Vice Prefeito que eu como pastor na Igreja de Deus me envergonho que nossa prefeitura gaste uma quantia exorbitante com a desculpa de uma ministração evangélica enquanto nós, como Igreja, muitas vezes deixamos de internar um dependente químico por falta de R$150,00 reais.

Valores invertidos, a diversão no lugar da unção, o determinar no lugar do obedecer, o vestir-se de mundo no lugar do revestivos de Cristo.

Onde vamos parar? Já estamos lá... uma Igreja incapaz de transformar os bairros, incapaz de transtornar o mundo, nossa vóz profética se cala acovardada ante o gigante da prosperidade, e o arrependimento, a mudança de mente, a transformação de caráter, tornaram-se coadjuvantes do show dos homens das "palavras fictícias".

Fui pra casa compartilhando em meu coração a tristeza do coração do meu Deus ao ver a sua Igreja deslumbrada e hipnotizada pelas infinitas portas e possibilidades que hoje estão ao seu alcançe... no mundo.

Pude entender finalmente o porquê da grande festa, nos céus, quando um pecador se converte (e hoje temos que acrescentar: de verdade) ao nosso Deus.

Em Cristo, orando para que você não perca o melhor de Deus...

Pr. Nilton Frota


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