IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Evangelização
Rio, 8/10/2007
 

Aspectos Fundamentais sobre Evangelização (Rev. Oziel Gomes)

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I - INTRODUÇÃO

Em certo país da América Latina duas Igrejas de uma mesma denominação estão em crise. Permanece somente uma fração de seus membros: a juventude se afasta em busca de soluções mais objetivas às suas profundas inquietudes. A influência destas Igrejas sobre suas respectivas comunidades é mínima. Uma sucessão de pastores não têm podido resolver esta lamentável situação. Portanto os líderes são tomados por uma profunda desilusão. Percebem que a situação é verdadeiramente angustiante.

Um ano mais tarde, em uma dessas duas Igrejas, que vamos chamar de Igreja “A”, operou-se uma transformação assombrosa. A quantidade de membros tem crescido assustadoramente. Se tem planejado uma série de grupos de estudos bíblicos nas casas de membros e pessoas interessados e pontos de pregação em toda cidade, e a Igreja tem assumido a responsabilidade de um campo missionário fora da cidade.

No entanto, na outra Igreja que chamamos de “B” prevalecem a apatia e a desilusão. Apesar dos esforços de seus líderes e de uma sucessão de novos pastores, cada um com métodos diferentes, a congregação se transforma com o transcorrer dos meses em um pequeno grupo de fiéis crentes.

Qual foi o segredo do crescimento surpreendente da Igreja “A”? Que estratégia usou? E qual método aplicado que a Igreja “B” também deveria usar?

Se procurarmos descobrir o segredo da explosão evangelística da Igreja “A”, não olhemos para uma estratégia pré-fabricada; nem um método determinado. A arma mais potente desta congregação foi seu dinâmico estilo de vida.

Estes dois exemplos contrastantes ressaltam o urgente problema de muitas Igrejas em nossos dias. Colocam em relevo o dilema da Igreja a qual Cristo implantou a quase vinte séculos.

II - PROBLEMAS QUE OCORREM NA IGREJA – O QUE FALTA?

1 – O primeiro século da história da Igreja não foi um período muito diferente, em realidade, da era em que vivemos. A paz, a tranquilidade e a liberdade de religião eram prometidas desde que estas não viessem a transgredir os limites do Estado. Porém a mensagem da Igreja primitiva não se propagou apenas em forma verbal. Apesar de ser uma instituição imperfeita, com uma compreensão limitada das implicações da Palavra de Deus para a missão que havia sido chamada, a Igreja proclamou ao mundo de sua época um estilo de vida radicalmente diferente. Vivendo e crescendo como um corpo íntegro, se submeteu ás ordens de seu Senhor, e o Espírito Santo derramou sobre ela muitos dons que foram usados a serviço da missão e do próximo. Valendo-se de métodos flexíveis adequados às oportunidades que lhe são apresentadas, ainda que sem depender delas, este punhado de homens e mulheres, a maioria deles iletrados, conseguiu no curto espaço de uma geração, levar o Evangelho a todo o mundo conhecido.

2 – Que contraste com a Igreja de nosso tempo! Tristemente dividida, A Igreja de hoje se comporta tìmidamente. Tem perdido muito de sua autoridade e vive dos louros. Desiludida ante seu escasso crescimento e impotente ante os complexos problemas que enfrenta em um mundo de desintegrações, a comunidade que Jesus Cristo deixou aqui para continuar sua missão na terra tem fracassado. E se isola do mundo e dedica uma grande parte de suas energias e recursos na defesa de seus próprios interesses e instituições. Desorienta, ora recorre a diversos métodos todos existentes, ora se lança para soluções extremas. Outras vezes é uma Igreja triunfalista, orgulhosa de seu ativismo e de um crescimento numérico enganoso. Inoperante, vive em um pequeno meio, ignorante das angústias do mundo e não percebe que a falta de conteúdo da sua mensagem tem ocultado a muitos corações o verdadeiro sentido do Evangelho.

3 – Falta “Álguém”!
Falta a presença da Igreja no mundo,
em dinâmica e corajosa
ação evangelizadora.

Falta “Alguém”!
Falta o reconhecimento da presença
do Soberano Senhor Jesus Cristo sobre o trono da Igreja.
Falta “Alguém “! Falta o Espírito Santo manifestado na multiplicação de seus dons e na plenitude de seu poder.
Falta “Alguém”! Falta o Verbo encarnado no mundo, na vida da Igreja. Falta a palavra escrita aplicada na vida e ação da Igreja.
Sim, falta “Alguém”! naturalmente, não faltam métodos, nem falta dinheiro, meios de comunicação. Faltam sim, homens e mulheres, jovens e adultos.
Faltam pastores e leigos. Falta a convocação total da Igreja, de seus líderes e membros. Faltamos todos nós sem exceção. Falta uma verdadeira profundidade na Evangelização.

III - CONSCIÊNCIA DA MISSÃO

“Mas vós sois raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa o povo de sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excelências D’Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa”( I Pedro 2:9)

Como raça eleita, a Igreja tem sido chamada a proclamar o Reino de Cristo sobre os poderes demoníacos que usurpam seu domínio. Como primícias do reino que virá, tem sido comissionada para demonstrar, com um estilo de vida radicalmente diferente, a realidade da soberania absoluta de seu Senhor neste presente século.

A Igreja tem também o ministério sacerdotal da intercessão. Em sua vida, proclamação e adoração, a Igreja intercede pelo mundo, mostrando a Cristo que é o único caminho para Deus. A ela lhe tem sido dado o ministério da reconciliação. Exerce este ministério na terra na proclamação da palavra, sempre por meio de sua presença no mundo como sal da terra e luz nas trevas. Sua adoração não é uma expressão de seu próprio egoísmo, separatismo e desejo de satisfação pessoal, mas sim de seu regozijo ante o sucesso glorioso de ver Cristo no meio de seu povo, oferecendo ao mundo graça e salvação.

Em sua condição de povo anunciante, a Igreja exerce o ministério profético. Valentemente aponta o dedo implacável do juízo de Deus contra todo aquele que atenta contra a autoridade de Cristo e a integridade de sua criação, contra as injustiças e contra as opressões, contra o arbítrio desumano e irresponsável. Com poder e autoridade, proclama a mensagem de redenção e de libertação em Jesus Cristo de todo pecado e escravidão. E com toda ternura se preocupa em levar a um pobre pecador o Evangelho de Cristo.

A Igreja que se mantém aberta ao mundo e ao Espírito Santo, perceberá que nosso povo latino-americano é hoje mais complexo que nunca. Já não se trata simplesmente de “converte católicos romanos ao protestantismo” ou “protestantes ao catolicismo”. É preciso que haja uma consciência mais concreta da missão da Igreja, e isto só poderá existir a partir de uma experiência pessoal com Cristo.

IV - ENCARNAÇÃO DA MISSÃO
Talvez nos ajude em nossa reflexão pensar também sobre a estreita relação que existe entre a missão de Cristo e a missão de sua Igreja. Desde a perspectiva dos quatros grandes feitos relacionados com seu ministério sobre a terra: sua encarnação, vida, crucificação, ressurreição e exaltação. Paulo descreveu muito diretamente o primeiro grande feito no ministério de Jesus nos seguintes termos:

“Porque já conheceis a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que por amor de vós se fez pobre, sendo rico, para que vós, por sua pobreza vos tornásseis ricos” (II Cor. 8:9).

O Filho de Deus que se fez carne, identificando-se assim totalmente com a natureza humana, ainda que sem pecado, se comunica em nossos dias por meio de uma Igreja que é ao mesmo tempo povo santo e instituição humana. Jesus de Nazaré, cujas mãos se estenderam para tocar o corpo podre de um leproso indesejado, e com ele contaminar-se ante a Lei Levítica, só pode salvar o mundo se a Igreja, que é seu instrumento, estiver disposta a encarnar sua própria vida e missão, e se dispuser a entrar em contato direto com um mundo cheio de males e pestes.

Uma Igreja que se aliena em seu próprio mundo de santidade pessoal ou de sua pureza doutrinária, que se recusa a descer da presença de seu Senhor de onde professa habitar, para correr o risco de se contaminar com a imundície deste mundo, não pode ser verdadeiro instrumento de Deus na evangelização. Não é a Igreja meramente institucional, rica em bens, em métodos e em pessoal eclesiástico, que, portanto, poderá falar ao mundo, de todas as maneiras, desta mensagem redentora. A única Igreja que pode comunicar eficazmente o Evangelho a um mundo em angustiante escravidão, é aquela que está livre de compromissos, pobre de espírito, disposta a abandonar toda pretensão de riqueza e que reconheça sua total dependência da abundância que o Senhor pode prover.

Esta foi precisamente, a atitude de Jesus durante todo seu ministério. Deixando de lado todas as suas prerrogativas divinas (não sua natureza divina – Fil. 2: 5-7), o Filho do homem viveu e atuou neste mundo, não em seu próprio poder, mas sim na autoridade do Espírito.

A Igreja é chamada também com sua vida a renunciar a qualquer privilégio que possa pretender e a qualquer autoridade humana. Sua única fonte de poder é o Espírito Santo de Deus. Só quando a Igreja se renuncia, a plenitude do poder do Senhor pode realizar, em nome de Cristo, os grandes prodígios e milagres de redenção e libertação que constituem sua missão aqui na terra. Esta submissão total à vontade de Deus tem sua máxima expressão na cruz. Foi na cruz que Cristo demonstrou sua total submissão à vontade do Pai, sua renúncia absoluta à glória deste mundo. O Cristo ressurreto é, por último, o Senhor exaltado. Ao assentar-se à destra do Pai, enviou seu Espírito à Igreja com abundância de Dons (Ef. 1:17-20; 4:8). Toda vez que a Igreja se reúne para proclamar a Cristo, experimenta em seu meio a manifestação do poder do Espírito de Deus.


V - CUMPRIMENTO DA MISSÃO

Neste ponto, um exemplo muito claro, nós podemos encontrar no ministério de Jesus e de seus discípulos. Em Lucas 4:18 e 19, Cristo definiu seu ministério em termos das necessidades tanto físicas como espirituais do mundo de sua época. Podemos ver o mesmo em Lucas 7:22 e 23 em sua resposta à interrogativa de João, o Batista. A concepção de Jesus sobre o homem foi a mesma que permeia toda a Bíblia. O conceito hebreu do homem, ao contrário do conceito pagão da filosofia grega que predomina em nossa teologia tradicional, não faz distinção entre corpo e alma. Deus está interessado no homem total e sua mensagem é dirigida ao homem em sua totalidade. Cristo não veio somente salvar almas, mas sim resgatar pessoas de carne e osso.

O cumprimento no mundo da obra de Cristo por meio do testemunho unido da Igreja é uma das grandes metas da evangelização. Este é o sentido da oração de Cristo: “Que todos sejam um em nós”. A igreja não se propõe apenas dar a conhecer a Glória de Deus ao mundo, seu propósito mais concreto é colocar em prática os sinais desta glória através de sua vida. Crucificada com Cristo, a Igreja tem a missão de comunicar e viver a mensagem da cruz “para que o mundo creia”. CRER, no sentido bíblico, não é apenas uma concepção intelectual nem emocional. Implica uma entrega total de todo nosso ser a Deus e a comunicação deste feito ao mundo pela totalidade de nossas vidas.

É neste contexto que a Igreja se enfrenta, também ao imperativo de proclamar e demonstrar em vida e em palavras a realidade do senhorio de Cristo sobre as estruturas e os poderes dominantes e demoníacos deste mundo. Evangelismo que só destaca as implicações individuais deste senhorio é uma comunicação parcial de uma mensagem de amor e de esperança que, como já temos visto, afeta a todo o mundo.

Talvez um dos grandes problemas da Igreja seja o de se buscar o seu Senhor na solidão do individualismo, em lugar de buscá-lo na comunhão de todo o povo Deus. Este individualismo – seja pessoal, eclesiástico ou doutrinário, nos impede que reconheçamos a Cristo em nossos irmãos cristãos, e impede que a chama divina que está nele penetre também em nossos corações. A brasa que arde na fogueira foi acesa por um tição que fora dela só seguirá ardente se mantivermos estreita comunhão com outras brasas de quem recebe e a quem transmite seu intenso calor. Evangelho sem amor é uma contradição. Evangelizar sem reconhecer nossas necessidades de um entrosamento como irmãos, por mais diferentes que sejam nossos pontos de vista, é contradizer o próprio sentido do Evangelho que proclamamos.

VI - CONCLUSÃO

Existem muitos evangelistas orientados aos diferentes recursos, oportunidade e necessidades que a igreja tem. Alguns pecam por uma base teológica superficial, e outros por uma compreensão sociológica muito ingênua. Em fim, os líderes das Igrejas precisam examiná-los para saber escolher entre estes métodos, aqueles que mais se ajustam à realidade de suas Igrejas, e sejam mais capazes de responder às verdadeiras e profundas necessidades do mundo. A profundidade metodológica não se aprende em nenhuma escola nem em nenhum curso sobre métodos de evangelismo. Fluem muito mais da profundidade de nossas reflexões sobre as implicações da Grande Missão, no contexto do Corpo de Cristo. Surge, também, no terreno da prática. Tanto a Igreja como o crente aprendem a evangelizar, evangelizando. Nenhum método, portanto, poderá substituir a vida do crente e da Igreja. Se seu estilo de vida contradiz o que diz, a evangelização não passará de um método superficial e seus resultados de pouca duração.

Portanto, em toda estratégia de mobilização para a evangelização, a função do pastor e dos líderes das Igrejas, é importante. A função do pastor é importante em todo o processo de mobilização para a evangelização. Excetuando ao Espírito Santo que atua soberanamente no meio da Igreja, Ele é a pessoa mais importante. Sem dúvida, não deve a Igreja fugir à sua responsabilidade junta a seu pastor, porque o próprio pastor pode ser o principal impedimento para uma evangelização em profundidade.

Como disse o Papa João Paulo I em uma de suas últimas expressões ao povo:
“Se Cristo foi bom, amou o ser humano e se deu por ele, a Igreja como continuadora de seu ministério, deve ser boa, amar também o ser humano e se dar por ele”.

Somente nesta perspectiva, de bondade, de amor e de renúncia e entrega total, podemos compreender o sentido profundo do Evangelho de Cristo. Só assim poderemos evangelizar.

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