IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Vida Cristã
Rio, 17/10/2007
 

O ministério da consolação 2Co 1:3-4 (Pr. Edson Fernando)

ZZ Outros Colaboradores ZZ


 

O ministério da consolação 2Co 1:3-4

Introdução:
Ao tratar de temas como morte, sofrimento e dor é inevitável que reflitamos sobre o ministério da consolação. Consolar é aliviar a dor aquele que sofre, é servir de suporte para alguém necessitado(a) de carinho, de conforto, de amor. Consolar é uma arte que envolve despojamento, aceitação de si e do outro e principalmente disponibilidade para ouvir o semelhante.

A segunda carta aos Coríntios poderia ser descrita como a carta da consolação. No capítulo inicial Paulo fala do consolo que recebeu de Deus por ocasião das tribulações que lhe sobrevieram na Ásia. No capítulo final Paulo reafirma o consolo que vem do céus quando, ao confessar a suas lutas interiores e exteriores, a voz divina se lhe manifesta com ternura e força: a minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. (12:9)

Deus é, segundo o apóstolo, a fonte de toda a consolação (1:3). Ou seja, onde há conforto e consolo ali Deus está presente sem nenhuma sombra de duvida. Ali onde corações se sentiram fortalecidos e animados para continuar vivendo, Deus se fez presente, mesmo que seu nome não tenha sido invocado. Sua presença chegar a arder o coração daquele que se sente consolado, mesmo que não seja uma presença percebida.

Um exemplo disso está no capítulo 24 de Lucas, quando Jesus caminha com dois discípulos que vão de Jerusalém a Emaús. Seus corações estavam desolados pelos últimos acontecimentos em Jerusalém. A morte de Jesus e a diáspora dos discípulos trouxeram uma profunda tristeza, desânimo e desesperança. Podemos dizer que aquele era um momento de luto para os caminhantes de Emaús. Jesus se aproxima, caminha com eles e os ajuda a redescobrir a presença de Deus no drama dos últimos acontecimentos.

Dissemos, no começo desta lição, que consolar é uma arte que envolve os seguintes elementos: despojamento, aceitação e disponibilidade para ouvir. Reflitamos, pois, sobre esses aspectos.

1. A importância do despojamento – O ministério da consolação requer de nós grande despojamento. Despojar no sentido de esvaziar-se de si para acolher a pessoa necessitada. A idéia do esvaziamento é importante porque muitas vezes nós não conseguimos nos aproximar da pessoa atribulada e desolada porque estamos inflados, cheios de preconceitos que nos impedem uma real aproximação. Como poderei ouvir uma pessoa que precisa de minha ajuda, se fico julgando-a o tempo todo? Isso lembra a seguinte cena: uma criança que tropeça e cai e o irmãozinho ao invés de ajuda-la a refazer-se da dor, fica dizendo: eu te disse para não fazer isso! Certamente haverá um momento para essa criança refletir se não agiu bem indo por aquele caminho, mas, agora não é hora para isso. A hora é de socorro, de ajuda, de uma mão que a ajude a levantar-se. Jesus só pode aproximar-se da mulher samaritana e ser fonte de saúde para a vida daquela mulher, porque esvaziou-se dos preconceitos contra a mulher e os samaritanos e pode fitar-lhe com um olhar misericórdia, não de condenação. Barnabé, cujo nome significa filho da consolação, (At4:36-37) não ficou julgando ou ‘dando lições’ para Paulo, depois de sua conversão. Ao contrário apresentou Paulo aos apóstolos ressaltando o seu valor e sua dignidade (At 9:26ss). Mesmo assim, incompreendido o futuro apóstolo dos gentios teve que amargar um recolhimento de muitos meses na cidade de Tarso. Foi Barnabé quem mais tarde foi ao encontro de Paulo em Tarso para leva-lo a Antioquia (At 11:22ss). Foi o trabalho consolador, confortador e encorajador de Barnabé que criou condições para que Paulo respondesse ao chamado missionário.

2. O segundo aspecto do ministério da consolação diz respeito à aceitação da pessoa como ela é. Muitas vezes olhamos para as pessoas querendo ajustá-las, querendo que elas sejam à nossa imagem e semelhança. Esse comportamento impede que nossa presença seja realmente consoladora. Só há consolação naquele lugar em que nos sentimos verdadeiramente iguais àqueles e àquelas que nos propomos ajudar. Ou seja, na arte da consolação não há alguém bonzinho, são, certinho que vai consolar alguém mal, doente, errado. Não, no fundo trata-se sempre de uma troca de atos de solidariedade. No momento mesmo que nos aproximamos para consolar nós nos sentimos consolados com a presença do outro. Por que no fundo ambos, o que consola e o que é consolado, são absolutamente dependentes da graça de Deus. A graça de Deus nos impede qualquer tentativa de nos colocarmos como superiores ao outro. Para isso é necessária uma radical aceitação do outro. Pois quando a pessoa percebe que a aceitamos sem reservas, cria-se ponte de solidariedade para que se possa falar, confessar, expressar aquilo que há de mais profundo em nós. E então os lamentos, as mágoas, as emoções vêm à tona e o verdadeiro consolo se torna possível.

3. O terceiro aspecto é completar aos outros dois. Não há ministério da consolação sem que haja uma sincera disposição de ouvir outro. A orientação de Tiago é aqui fundamental: Todo ser humano seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar ( Tg 1:19). Se no ministério profético a palavra, a fala, os lábios cumprem um papel fundamental, no ministério da consolação os ouvidos e os braços acolhedores são de fundamental importância. E aqui vale ressaltar que o ouvir é diferente de escutar. Eu posso ficar horas escutando uma pessoa se expressar sem que necessariamente eu a ouça. Ouvir implica uma atitude de atenção, de verdadeiro interesse pelo que a pessoa está dizendo. Ouvir implica despojamento, suspensão dos nossos juízos, para que a pessoa se sinta à vontade para falar de suas dores, de suas dificuldades ou mesmo de suas alegrias mais profundas. Foi o teólogo Dietrich Boenhofer quem disse: Quem não ouve demorada e pausadamente o seu semelhante, provavelmente não ouvirá mais o próprio Deus.

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.