IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Vida Cristã
Rio, 17/10/2007
 

O luto segundo Dt 34:5-8 (Pr. Edson Fernando)

ZZ Outros Colaboradores ZZ


 

O luto Dt 34:5-8

Introdução:
Hoje refletiremos sobre um aspecto absolutamente necessário quando vivenciamos a experiência da morte de pessoas que fazem parte do nosso convívio: a necessidade do luto.

O texto de Dt refere-se ao luto vivido pelo povo de Deus com a morte de Moisés. Foram necessários trinta dias para as lágrimas daquelas pessoas fossem enxugadas pelo lenço de Deus. O luto de Saul e Jônatas durou sete dias (I Sm 31:13).

No mundo em que vivemos há uma dificuldade muito grande em lidarmos com a experiência da finitude. No que se refere ao luto o mesmo acontece. Alguns estudiosos do assunto dizem que os momentos de luto se tornam cada vez mais escassos a cada dia. Um deles chega a dizer: vai chegar um tempo em que os enterros acontecerão à noite, para não atrapalhar a vida da cidade. No luto nos é dada a oportunidade de entrar em contato com aquilo que é fundamental em nós: o amor que sentimos pelos outros. Esse amor que, de repente, com a morte do nosso semelhante tem de voltar para a casa do nosso coração. Não há nada mais doloroso nesta vida que a perda de uma pessoa querida. Um antiga canção brasileira imortalizou esse processo com os seguintes dizeres: naquela mesa tá faltando ele e ao saudade dele tá doendo em mim.

Ora, como vimos na lição anterior, uma das características do nosso tempo é uma certa dificuldade de lidar com as tristezas que nos assolam. E na hora da morte, por mais que creiamos na força da ressurreição, por mais que nos consolemos na esperança do amparo divino, nada impedirá que as lágrimas da saudade e aquela tristeza doída nos visite. Então a necessidade do luto será imperiosa. Um Deus que nos impedisse as lágrimas do tempo do luto seria, segundo a tradição bíblica, qualquer deus, menos o Deus de Jesus.

Importa aqui nos perguntarmos sobre o porque dessa dificuldade de vivermos os nossos lutos como momentos nos quais a graça de Deus pode se tornar fecunda em nós.
Apontemos um dos principais aspectos que estão na base dessa dificuldade de elaborar as perdas que experimentamos na vida: o dever de ser feliz.

Com essa expressão quero me referir a um certo imperativo que paira sobre todos nós o tempo todo. Trata-se de uma cobrança que está presente o tempo todo na vida da gente. Repare: uma criança está brincando e cai. Começa a chorar imediatamente, afinal está doendo o joelho que raspou no chão. A mãe imediatamente diz: não chore, não chore, pronto, pronto, já passou. Não foi nada. Ora, a criança teve que abafar a expressão da sua dor, em nome de dever de estar bem, de estar ajustada ao comportamento dos adultos. E o que acontece é que desde cedo vamos aprendendo a mentir para nós mesmos. Ora se estou com dor, o melhor a fazer é chorar, até que a dor se vá. É verdade que há crianças que não param de chorar nunca. Bem, mas aí é uma outra história... O fato é que a criança precisa viver as suas dores, aceitar as suas limitações, acolher as dores que no seu brincar serão inevitáveis. É vivendo essas dores, chorando as feridas que o seu crescimento trará, que a criança aprende a arte de se reerguer, a arte de dar a volta por cima, a arte de recomeçar, a arte de esperar... Podemos dizer que em tudo isso há uma experiência de luto.

Isso que estamos chamando de dever de ser feliz, permeia também a nossa vida adulta. Esse ideal de felicidade aparece muito nas propagandas que nos bombardeiam o tempo todo: Se você consumir tal produto, seus problemas estarão todos resolvidos. Se você usar tal marca de tênis, todas as pessoas vão olhar para você. Se você usar tal sabonete você vai parecer bela(o) o tempo todo. Então quando perdemos algo ou alguém na vida e a necessidade do choro e do recolhimento nos visitam, muitas vezes vivemos isso como se estivéssemos pecando contra o dever de ser feliz. Até as propagandas religiosas alimentam esse comportamento. Você haverá de lembrar dos dizeres: Pare de sofrer!

Ora quanto mais envergonhados nos tornamos de chorar nossas perdas, de fazer poemas e cânticos de nossas tristezas, mais vai diminuindo a intensidade da vida em nós. Mais apáticos vamos nos tornando. Apático é isso: uma pessoa que vai ficando sem sentimento. É provável que ela sofra menos, mas é igualmente provável que ela ame menos. Por isso todos os povos elaboraram maneiras coletivas de se viver essas perdas que sofremos na vida.

O tempo luto pode ser para os cristãos um tempo fecundo. Ao acolher nossos lutos não como sinal de derrota ou castigo divino, mas como tempo bonito de reaprendermos a arte do recomeço e da transformação, então verdadeiramente poderá brilhar em nós a luz de Cristo, Aquele em quem o luto transforma-se em dança, a dor em alegria; o desespero em esperança, o medo em amor. Um bom começo seria reaprendermos a beleza de chorar, de colocar para fora as nossas saudades. Faze-las conhecidas dAquele cujo lenço verdadeiramente enxuga dos nossos olhos toda lágrima.

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.