IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 17/10/2007
 

Paulo e seu relacionamento com Cristo (Fp 1:1-2)

Bispo Paulo Lockmann


 


Uma mensagem vinda da prisão
A primeira característica salientada na carta é o nível do relacionamento de Paulo com esta igreja local, conseqüência, acima de tudo, da relação de Paulo com o Senhor Jesus Cristo.

Paulo usa diferentes nomes que definem sua relação com Jesus Cristo, quase sempre no prefácio das cartas. Para entender Paulo é necessário considerar cada um desses nomes, e o quanto eles definem a relação de Paulo com Jesus Cristo.

Vamos ver, neste estudo, Paulo como servo (escravo), e, a seguir, vamos vê-lo como prisioneiro de Cristo.

Paulo, o escravo do Senhor
A designação servo, usada para traduzir doulos é extremamente limitada, pois doulos designava literalmente escravo. É verdade que o escravo tinha por função servir ao seu Senhor; no entanto, em nossa língua a palavra correta, escravo, tem um significado muito mais forte. Foi como escravo de Jesus que Paulo se apresentou, com mais freqüência, às igrejas. Vejamos qual o significado deste termo para Paulo.

O que Paulo estava dizendo com a expressão doulos era não ser ele mais o senhor, dono de sua própria vida, mas sim que sua vida só tinha sentido em Cristo, e sob a direção de Cristo. Ele mesmo diz: "logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Gl 2:20). Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por amor do qual perdi todas as cousas e as considero como refugo para ganhar a Cristo" (Ef 3:8). Tal entendimento explica o desprendimento, paixão, espírito de doação e o sacrifício missionário encontrado em Paulo. Vejamos por exemplo o seu relato em II Coríntios 11:16-30.

Hoje, temos tido muita dificuldade porque o nível de compromisso dos cristãos, membros de nossas igrejas, é muito fraco. O senhorio de Cristo é meramente confessional, um item no credo. Para muitos o Evangelho é uma festa, não que de fato também não o seja, mas ser escravo é bem diferente, é estar disposto a sofrer humilhação e dor pelo Evangelho, é parar de reivindicar seus privilégios e buscar dar cada vez mais de si para o seu Senhor. Falta paixão e doação nos cristãos de hoje. A marca do metodismo primitivo era de desprendimento. João Wesley e os pregadores metodistas na Inglaterra e Estados Unidos da América eram movidos por uma paixão e submissão ao senhorio e autoridade de Jesus, os quais enfrentavam doenças, assaltantes, neve, chuva e frio para cumprir o mandato de seu Senhor. Verdadeiros escravos de Jesus Cristo, como Paulo. Trata-se do compromisso com Jesus, levado às últimas conseqüências.

Paulo, o prisioneiro do Senhor
Embora não seja usada a expressão désmios ton Kurion (= prisioneiro do Senhor) na carta aos Filipenses, esta é usada na carta aos Efésios, pois, na verdade, quando escreveu a carta aos Filipenses estava preso, provavelmente em Roma, como já nos referimos na introdução.

Na verdade, quero fazer referência a esta expressão por ser ela um tanto paradoxal. Explico: Por que Paulo declara ser prisioneiro do Senhor, quando na verdade era de Roma? Trata-se de uma visão do mundo, missionária e cristã. Para Paulo ele não era prisioneiro de César ou de Roma, porque de fato o domínio de César era circunstancial, pois, realmente, na convicção de Paulo quem dominava era o Senhor. Assim, Paulo Cria que quando o Senhor quisesse o libertaria do cárcere romano, como já fizera tantas outras vezes (At 16:26, II Co 11:23).

O quanto esta postura e visão de Paulo influenciaram seu ministério, podemos medir pela obra missionária do apóstolo. Paulo não teria fundado tantas igrejas, caso temesse mais os obstáculos do que confiasse na soberania e poder do Senhor Jesus. Quando encontramos igrejas fracas e vazias, vemos como causa cristãos que creram mais na força dos obstáculos do que no poder de Deus que os supera. Tenho ficado escandalizado com cristãos que são mais propagadores da fé nos obstáculos do que na fé em Deus. "Não temos dinheiro, não podemos, somos poucos, não dá", estas expressões, mais do que expressões de cautela, necessária na expansão missionária, são uma postura determinante e determinada pela falta de paixão e coragem missionárias. Não esqueçamos o que o próprio apóstolo disse: "Porque Deus não tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação" (II Tm 1:7). A diferença entre a cautela e a ousadia da fé missionária consiste em: 1) a cautela deve ser ocasional e ter em mente a estratégia de avanço, nunca o ser promotora do desânimo ou desencorajamento; 2) a ousadia da fé missionária deve ser o modo de ser da Igreja, que se sente presa a Jesus e à missão dEle recebida. Prisioneira, sim, mas de Jesus, nunca do medo ou da falta de fé.

Finalmente, ser prisioneiro do Senhor representou para Paulo uma extensão do ser escravo; na verdade ele se considerava irremediavelmente preso ao Senhor. Nunca como uma dominação forçada e pesada, mas como uma prisão voluntária e amorosa. Com isto, Paulo queria dizer que amarrava sua vida à do Senhor, e seu propósito de vida era amar e honrar ao Senhor, com seu serviço missionário.

Paulo, o Apóstolo do Senhor
Paulo, além de escravo e prisioneiro, se considerava apóstolo de Cristo (I Co 9:1-2; 15:9-10; II Co 1:1; Gl 1:1; Ef 1:1; I Tm 1:1).

Ser apóstolo era conseqüência da relação profunda que Paulo tinha com o Senhor. A verticalidade da experiência com Jesus fora intensa (II Co 12:1-5), ao ponto de Paulo ter sido arrebatado e ter visões que, segundo ele, não era lícito referir-se, indo ao terceiro céu, ao paraíso ou, como diz o salmista, à morada de Deus (Sl 46:4). Paulo não viu sua profunda experiência com o Senhor como motivo de vaidade ou um fim em si mesmo, mas como um meio de força e unção para o seu ministério apostólico.

Ser apóstolo é ser enviado. O verbo apostoleo quer dizer envio. Assim, Paulo era um enviado às nações. a igreja tem que ter esta visão de apostolado. No sentido bíblico, toda Igreja é apóstola e apostólica, ou seja, enviada (Jo 17:18; At 8:4; I Pe 2:9), e procedente dos apóstolos.

Paulo levou a sério seu apostolado, ao ponto de dar integralmente sua vida em seu cumprimento. Todos conhecemos um pouco das lutas e sacrifícios do apóstolo para cumprir o mandato recebido das próprias mãos de Jesus (At 9:5, 13-16). Ao mesmo tempo, é notória a alegria que Paulo sentia por estar a serviço de Jesus (Ef 3:7-10), não se importando com todos os sofrimentos e obstáculos, pelo contrário, tendo alegria nestes também (II Co 12:9-10).

(Texto extraído de Estudos bíblicos do Bispo Paulo Lockmann, da Carta de Paulo aos Filipenses, p. 11 a 16.

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