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Vida Cristã
Rio, 22/10/2007
 

Batalha Naval (Nilson da Silva Junior)

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Batalha Naval.


Sabe aqueles dias em que você fica em frente à televisão, passando canal por canal, sem nada específico para fazer? Pois bem, numa brincadeira dessas sintonizei um filme “começado” que acabou me colocando pra pensar.

“O outro lado do céu” é uma história verídica, passada nos anos 50, a experiência de John Groberg (Christopher Gorham), um jovem missionário americano que embarca em uma longa viagem com os nativos da ilha Tongan. Deixa pra trás a noiva e a família. Por todo período, escreve para seu amor relatando as aventuras para sobreviver em uma terra desconhecida, cheia de desafios e barreiras. Ao mesmo tempo, descobre a cultura e faz amigos nos três anos que passa longe de casa.

Uma das cenas mais importantes acontece em alto mar, onde, no ufanismo de uma viagem evangelística, o missionário e mais dois companheiros naufragam e quase perdem a vida. Nesse momento de dor e pânico ele chega a uma das mais singelas e profundas lições da vida, ao concluir que “às vezes Deus não acalma a tempestade, mas acalma o coração do marinheiro”.

Essas palavras bateram duro dentro de mim – é interessante pensar como Deus trabalha conosco em todas as horas da vida – quase me deprimi lembrando que a grande maioria das pessoas não encara os mares do dia a dia com a serenidade de quem crê na salvação e no livramento, independentemente de haver ou não um barco flutuando.

Lembrei de quantas afirmativas ouço nos altares dos templos, em muitas canções e sermões… aliás, mais que isso, ouço decretos, determinações, ordens para que os mares se abram, os barcos flutuem, as pessoas andem sobre as águas.

Eu sei, Jesus fez milagres, andou sobre as águas… Moisés abriu as águas do Mar… Jesus acalmou a tempestade… mas a minha tristeza é que a fé que tenho visto não vai além disso… são cenários prontos, sem inovações… crenças que só crêem no sucesso, na vitória, na saúde, na riqueza, na força.

Eu seria linchado se dissesse que pode existir fé e situações onde o mar não se abre? Seria mal interpretado se insistisse que existe Deus em meio a angústias e lutas?

Eu creio!

Lembro-me de vários momentos significativos da vida de irmãos/ãs! Há vários anos o “Irmão João” enfartou. Depois do corre-corre pra salvar sua vida e alguns dias de hospital, um parente dele ouviu de alguém: “Deus existe mesmo! Salvou a vida do João!” e prontamente respondeu: “Mas Deus continuaria existindo se o João não tivesse se salvado!” – isso é crer, apesar do mar!

Quando éramos adolescentes fazíamos visitas freqüentes à Igreja de uma cidade próxima à nossa… um dia fomos visitar um senhor que estava com câncer na perna. Entramos dentro do quarto apreensivos/as, imaginando o que encontraríamos… mas a cena era bonita, apesar da dor… um homem com aparência de idoso, sofrido pela grave enfermidade, mas, curiosamente sorridente. Ele dizia: “Quanto mais esse câncer me corrói, mais me chego a Deus”. Outro mar fechado… outro marinheiro consolado por Deus!

Poderíamos pensar em tantas ocasiões difíceis… simbolismos de barcos que, na interpretação de muitos/as, afundaram nas águas da existência, levando homens e mulheres fiéis. O espinho de Paulo – águas fechadas diante de um dos mais expressivos nomes da história bíblica – a dificuldade de Moisés para falar; a prisão de João na “ilha chamada Patmos”; a perseguição do menino Jesus, fazendo José e Maria se aventurar em fuga… e quantos outros relatos mostram a realidade afirmada pelo próprio Cristo ao dizer: “no mundo tereis aflições”!

Vivemos um momento perigoso em nossa fé. As pessoas se negam à normalidade. Ser servo/a de Deus passou de devoção a privilégio barato. Nosso credo tem sofrido alterações problemáticas… e as afirmações, agora, não são mais de fé, mas de vitória, de derrota, de ganho e sucesso. Grande parte dos/as fiéis não admite uma fé sem saúde, dinheiro e força. Uma fé que não desafia ninguém a nada. É cômodo ter fé sem provas!

A Igreja, de forma geral, tem se lançado em águas perigosas… em batalhas navais complexas, desprezando a condição humana que nos cerca… fazendo levitar a imaginação de muita gente, deixando de lado questões sérias como a realidade de que “o sol nasce sobre maus e bons”… e que, nem sempre, é da vontade de Deus que as águas se separem à nossa frente.

Fico com a lembrança do terrível naufrágio daquele missionário e seus amigos… guardo a cena de quando se debatia nas águas do mar em fúria… e louvo a Deus. Pelos mares que se levantam, pelos barcos que se afundam, pelas dores que nos ameaçam, pelos riscos que nos fazem lembrar que “às vezes Deus não acalma a tempestade, mas acalma o coração do marinheiro”.

Peço a Ele que me faça lembrar sempre disso, na esperança de um dia poder vencer as batalhas nos mares que navego todos os dias… mares da cobiça, do preconceito, do desamor, da separação.

No desejo de graça e paz,

Rev. Nilson.

Leia mais textos do Rev. Nilson em seu blog cujo endereço é:
http://revnilsonjr.wordpress.com

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