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Rio, 23/10/2007
 

Solidariedade: o Novo Nome da Fé (Rev. Fred B. Morris)

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Marcos 9:30-37

Depois, tendo partido dali, passavam pela Galiléia, e ele não queria que ninguém o soubesse;
porque ensinava a seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, que o matarão; e morto ele, depois de três dias ressurgirá.
Mas eles não entendiam esta palavra, e temiam interrogá-lo.
Chegaram a Cafarnaum. E estando ele em casa, perguntou-lhes: Que estáveis discutindo pelo caminho?
Mas eles se calaram, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles era o maior.
E ele, sentando-se, chamou os doze e lhes disse: se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.
Então tomou uma criança, pôs no meio deles e, abraçando-a, disse-lhes:
Qualquer que em meu nome receber uma destas crianças, a mim me recebe; e qualquer que me recebe a mim, recebe não a mim mas aquele que me enviou.

A astronomia moderna nos diz que o telescópio Hubble tem revelado que existem mais que sete galáxias na parte do universo que podemos conhecer. Quer dizer que tem mais que 45 bilhões de galáxias; e mais: cada galáxia tem pelo menos um bilhão de estrelas! Você pode compreender estes números? Eu não.

Pense um momento: se tem 45 bilhões de galáxias por um bilhão de estrelas no que a gente, com muito presunção chama “o universo conhecido,” parece um pouco ridículo imaginar que este Deus que a gente adora e que chamamos o Criador dos Céus e da Terra, poderia ser Metodista! Ou Batista; ou Presbiteriano; ou Muçulmano; ou Judeu: Hindu; Sikh; ou qualquer outro dos nossos esforços humanos para compreender o Criador e a Criação. Este Deus, o Deus Criador, é muito mais que qualquer coisa que a gente poderia imaginar. Na melhor das hipóteses, nossos esforços para compreender Deus e a Criação e nossas religiões, são tentativas muito fracas para compreender o que claramente é incompreensível para nós.

Ponto Primeiro: Nós, seres humanos, não poderemos chegar a uma compreensão de Deus pelos nossos próprios esforços intelectuais ou outros. No melhor, podemos responder ao que este Deus Criador decidiu revelar a nós sobre o seu “Ser Divino”.

Todas as religiões do mundo são esforços humanos de fazer sentido do mundo que ocupamos - e a maioria é fruto de tentativas humanas. Mas a pesar de destes esforços, eles não nos dão um entendimento definitivo de Deus, apenas uma sombra de uma aproximação da realidade. A prova desta afirmação se encontra nos fatos que na maior parte do tempo nossas religiões estão trabalhando a todo vapor para destruir as outras ou, pelo menos, menosprezar as outras.

Ponto Segundo: Assim chegamos ao “escândalo” da nossa fé como Cristãos: como Cristãos a gente proclama que este Deus Criador decidiu, no momento exato, no kairos que iniciou esta história Cristã, revelar a sua personalidade divina a nós. Nós cremos e proclamamos que Deus fez isto por meio da história de um povo, o Povo de Israel, e depois por meio do Novo Israel; a Igreja de Jesus Cristo.

Esta proclamação “fora de série” e realmente “inacreditável” que fazemos é exatamente esta: que o Deus Criador se preocupa com a gente (a Raça Humana e nosso planeta insignificante) e está envolvido pessoalmente em nossa história. Esta proclamação da Fé Crista, é o sentido da Encanação: Jesus, Emanuel, Deus conosco e envolvido com a gente.

Ponto Terceiro: Este mesmo Deus tem nos chamado, cada um individualmente e todos nós coletivamente a viver juntos, a cuidar uns aos outros e a servir uns aos outros. Isso me traz o ponto principal que tenho para a gente hoje, realmente uma lembrança de quem somos: Solidariedade é o novo nome da fé.

Eu, pessoalmente, tenho tido o grande privilégio de ter passado mais que 25 anos da minha vida na América Latina. Um dos muitos presentes que recebi do povo da América Latina durante este tempo foi o conceito da solidariedade.

Temos esta palavra em inglês, claro, mas ela não carrega o peso em inglês que leva em Espanhol ou em Português. Nestas línguas e culturas, solidariedade quer dizer família, amigos, vizinhos, torcedores do mesmo time de futebol, sua igreja, sua cidade, sua nação, e, de fato, o mundo inteiro como ele toca a você.

Infelizmente, nós, nos Estados Unidos, fomos nutridos numa cultura que adoramos chamar “individualismo forte.” A fronteira Norte-americana produziu este tipo de mentalidade e as igrejas Norte-americanas cultivaram este ideal, resultando no que eu chamo a Grande Heresia Americana: a individualização da Fé Cristã - ou, em outras palavras, talvez mais conhecidas, o Eu-e-Jesus Síndrome. Aceite Jesus e nada mais importa. Levanta sua mão ou braço; vá ao altar; fale com Jesus, e daí, você pode continuar a bater na sua mulher e filhos e explorar seus empregados e ainda vai pra o Céu. Seja o que for o sentido desta frase hoje, porque você está OK com Jesus. (Ninguém parece se preocupar se Jesus está OK com a gente.) Muitas pessoas “fala com Jesus todos os dias”, nosso presidente é um deles, um fato que anima milhões de pessoas em todo o país, mas não parece que muitas pessoas estão escutando Jesus—de nenhuma forma. Porque Jesus nos chama a servir uns aos outros, e isto não acontece muito no mundo de hoje.

Deus nos chama individualmente e nos perdoa individualmente, mas Deus faz isto para que possamos viver juntos em amor e serviço a uns aos outros e a todas as criaturas de Deus, humanas e animais; a Criação em si.

A história que celebramos na Igreja, a história do povo de Israel e da Igreja é exatamente assim, a história de um “povo”.

Nosso Deus Criador está muito mais preocupado com nossa vida como “um povo” do que com nossos pecados e falhas individuais.

Quando lemos as Escrituras Hebraicas, as que nós Cristãos chamamos o Velho Testamento, vemos que Deus chamou o povo, julgou o povo, castigou o povo e salvou o povo, como “um povo”. Não é que pecados e falhas individuais não tinham importância, mas Deus estava muito mais preocupado com os pecados e falhas “da nação” do que sobre pecados individuais.

Nós como uma Nação, vamos enfrentar julgamento de Deus, como Deus sempre tem julgado as nações: Como tratamos a viúva, o órfão, os sem teto, os marginalizados? Como é que estamos cuidando a Criação de Deus? Como estamos vivendo juntos neste mundo como um povo em solidariedade uns com os outros?

Como disse Jesus: a quem muito tem sido dado, muito será esperado.

A nação mais rica, a mais fabulosamente rica na história da humanidade, enfrenta a expectativa de Deus que deveremos ser o Povo de Deus, mostrando à outros povos como viver e compartilhar nossas benções com aqueles que não tem nada.

Estamos atuando assim? Exatamente o que estamos fazendo agora sobre os milhares dos sem teto deste país? O que nos importa as 40.000 de pessoas que morrem todos os dias no mundo por falta de comida? E os 37 milhões de pessoas nos Estados Unidos da América do Norte que não tem acesso à saúde? E os três milhões de pessoas que perderam seu emprego neste país nos últimos três anos?

Como é que Deus está vendo isto hoje?

E o que estará pensando Deus sobre nossa invasão da Afeganistão e Iraque? E as pessoas destes países que perderam suas vidas durante nosso ataque contra eles? Você pensa que estas pessoas não tem importância para nosso Deus?

E, claro, temos que perguntar a nós mesmos o que Deus poderá pensar sobre nosso abuso contra toda Criação; contaminação do ar, liberação de tóxicos; aquecimento do planeta. É possível fazer de conta que o Deus Criador não se importa com o que estamos fazendo à Criação?

Uma coisa que temos que apreender e apreender rapidamente é que a para Deus, o Criador de tudo que é “povo”, importa todo o povo e a Criação. E este Deus Criado espera que nós nos preocupemos com os povos e a Criação também.

O grande teólogo Suíço do Século Vinte, Karl Barth, fez uma visita à cidade de Chicago em 1970. Um pastor batista, claramente não “torcedor” de Barth, perguntou se Barth poderia resumir seus 20 volumes da Dogmática da Igreja numa frase só. Barth respondeu: “Claro. Jesus me ama, isto sei, pois a Bíblia assim me ensina.” Mas os 20 volumes foram escritos para mostrar como este amor tem que ser traduzido em discipulado, que quer dizer solidariedade com todos os povos de Deus e até com a Criação mesma.

Solidariedade “e” o novo nome da Fé.

Se nós vamos chamar a gente o Povo de Deus, se a gente responde ao chamado de Deus para ser “o povo de Deus”, temos que apreender a viver em solidariedade uns com os outros e com todos os povos de Deus em todo o mundo e com a Criação. Qualquer coisa menor vai, sem dúvida nenhuma, trazer o julgamento de Deus sobre nós como Nação, como “povo” desobediente. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos mostre o sentido de solidariedade no mundo de hoje.

Uma palavra final: Tudo que tenho dito hoje é a verdade de Deus. Tenho descrito que somos. Mas a melhor palavra é que vivendo em solidariedade com todo o povo de Deus e com a Criação de Deus é, exatamente, a melhor experiência que poderemos ter na vida. Fomos feito para isso, e quando nós, como uma Nação, aprendermos esta verdade, vamos descobrir que todas as bênçãos que temos gozado durante nossa história até agora tem sido uma gota de água no mar da graça de Deus.

Deus não está nos ameaçando. Deus tem nos dado uma promessa. Enquanto busquemos viver em solidariedade como o Povo de Deus, Deus poderá derramar ainda mais bênçãos sobre nós, mais que poderemos imaginar.

Amem. Assim seja.

* Rev. Fred B. Morris, na época Diretor Executivo do Conselho de Igrejas da Flórida – Pregação na Washington National Cathedral Washington, DC - 21 de setembro de 2003.

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