IGREJA METODISTA DE VILA ISABEL
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Vila Isabel

17/12/2016 13:00:07

A Vila que Ícaro viu
“Quero trazer à memória aquilo que me pode dar esperança” (Lm 3:21)


Nosso irmão Ícaro Roberto Pontual faleceu no último dia 9 de outubro. Na cerimônia que se seguiu, aqui em nossa igreja, os presentes se lembraram do amigo generoso, brincalhão, mas que “viveu para servir”, do goleiro apaixonado pelo Flamengo e por uma boa pelada. Eu lembrei ainda o lado fotógrafo, que registrou sua família, seus amigos e, em especial, as pessoas de nossa comunidade, ao longo de décadas.

Um fato marcante em sua vida o levou a comprar sua primeira câmera fotográfica. Militar, fez parte das forças da ONU enviadas ao Congo, em 1964, para tentar controlar a guerra civil que se seguiu à proclamação de independência daquele país. 

E assim ele registrou sua presença naquele país. Usou o lendário filme Kodachrome, o primeiro a produzir imagens coloridas com bons resultados. Este filme tinha um processo de revelação complicado, disponível nos Estados Unidos e em outros poucos países. A moldura de seus slides, com a famosa marca do Kodachrome, indica que o filme foi processado na França. Passados mais de 50 anos, as cores ainda estão firmes, apesar de algumas manchas e arranhões.  

A partir daí, tomou gosto pela fotografia. Passa a registrar diversas atividades de nossa igreja, principalmente da Sociedade de Jovens, em cores, quando ainda predominava o preto e branco. A qualidade dos filmes disponíveis no Brasil, porém, não chegava perto do Kodachrome. Na maior parte das vezes, as cores estão bastante deterioradas. 

A partir da década de 1980, os equipamentos melhoram, os filmes também. E é visível a melhoria da qualidade das imagens. Ícaro também se aprimora e é nesta época que passa a tirar retratos de pessoas de nossa igreja que ele certamente respeitava ou admirava. 

O futebol é outro tema presente em suas fotos. De jogadores do Flamengo a anônimos peladeiros, lá estava ele com sua câmera. Times de futebol de salão no IMAG, peladas em Chiador... 

Ah, Chiador! A pacata cidade mineira, na fronteira com o Estado do Rio, era seu refúgio, como de tantos outros amigos da Vila, sob a liderança de Walter Gonçalves. Ali ele brincava, botando até placas na estrada marcando as barbeiragens dos amigos. Mas também teve papel fundamental na implantação da Igreja Metodista da cidade, cujo templo fez questão de fotografar, junto com a sua sombra, pouco antes de inauguração. Uma imagem que tem um significado muito além da própria foto. 

Alguns anos atrás, ciente do valor documental de seu acervo, Ícaro reuniu 350 imagens num CD, cujas cópias circularam por alguns felizardos. Sua marca registrada eram as legendas, coladas sobre as fotos, indicando os retratados. Nesta exposição, todas as fotos com estas legendas são provenientes do famoso “CD do Ícaro”.  

Voltando à cerimônia de despedida do Ícaro, naquela ocasião fiz um apelo para que suas fotos não ficassem esquecidas numa gaveta ou numa caixa de sapatos e pudessem ser mostradas à igreja e preservadas de maneira adequada. 

No domingo seguinte, seu filho Alexandre me entregou uma sacola com centenas de slides, negativos e fotos impressas. Foi um trabalho árduo selecionar e digitalizar uma parcela daquelas imagens. Fui ajudado por uma determinação médica de “ficar de molho” em casa por alguns dias. Mas foi também um prazer descobrir tantas coisas interessantes, ver/rever tantas pessoas queridas ou mesmo que eu só havia ouvido falar. 

O Ministério da Memória da Igreja deixa aqui seu agradecimento à família do Ícaro, na pessoa de seu filho Alexandre, pela confiança de ter cedido temporariamente um acervo tão precioso em termos sentimentais. 

O grande fotógrafo americano Ansel Adams, que registrou a natureza do Oeste americano em impecáveis fotos em preto e branco, dizia que “não fazemos uma foto apenas com uma câmara; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.”

As fotos do Ícaro falam das pessoas que ele amava, mas também das coisas que ele amava fazer. O que aqui apresentamos é apenas um recorte, voltado principalmente, mas não exclusivamente, à nossa comunidade da Igreja Metodista de Vila Isabel, que ele tanto amava. É a Vila que o Ícaro viu. Você agora é convidado a ver o que ele viu.  

              Roberto Pimenta - Coordenador do Ministério da Memória

                                    Rio, 13 de novembro de 2016 


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