Mundo Religioso
Atualizado em 9/4/2009 22:57:25.

Cronologia poética da última semana de Jesus na terra (Israel Belo de Azevedo)
Apresentamos os eventos relacionados aos dias finais de Jesus de Nazaré. Cada evento é acompanhado de alguns dos textos bíblicos em que são narrados os acontecimentos e também de um poemeto alusivo ao fato.

A última semana de Jesus na terra

Ano provável: 30
Mês provável: abril

DOMINGO
Jesus viaja de Betânia, a 3 km de Jerusalém
Mateus 21.1-11
Marcos 11.1-10
Lucas 19.29-44
João 12.12-19

Como um peregrino, Jesus toma a decisão:
vai a Jerusalém, para a sua lamentação.
Montado num jumento, pode escutar
crianças e mulheres em sua saudação,
que, embora não saibam, hosanam um rei
que vai morrer por causa da Lei
logo Ele que veio cumpri-la amorosamente.
O justo caminha, como um cordeiro silente ,
para morrer como um pecador impenitente.

SEGUNDA-FEIRA
Jesus protesta contra o comércio no templo em Jerusalém
Mateus 21.12-13
Marcos 11.15-18

O indignado levanta a sua voz
O indignado levanta o seu chicote
O indignado leva a sério a religião:
nascida no céu, vivida na terra
é, entre Deus e homem, sagrada relação.
O indignado expulsa do templo
quem faz dele espaço para a enganação.
O que fez permanece como um exemplo.

Jesus ensina no templo em Jerusalém
Mateus 21.28-23.29
Marcos 12.1-44
Lucas 20.9-21.4

O indignado levanta a sua voz para falar.
quando escuta os que duvidam por maldade.
Querem saber de onde vem sua autoridade,
mas pérolas aos porcos não entregará.

TERÇA-FEIRA
Jesus prediz a data de sua execução e debate com líderes religiosos
Judas é contratado para trair Jesus
Jesus é ungido em Betânia
Mateus 26.6-13
Marcos 14.3-9
João 12.2-11

Judas é contratado para trair.
Uma mulher sem nome e sem fama
se aproxima para o Mestre ungir.
Judas termina seus dias esquecido na lama;
a anônima entra na história para não mais sair.

QUARTA-FEIRA
Jesus chora, no Monte das Oliveiras, a rejeição de Jerusalém e lamenta a destruição da cidade
Lucas 19.41-44
No monte das oliveiras, onde canta e ora.
antes de alcançar do Calvário a elevação.
Jesus, que se fez homem total, chora
por Jerusalém de próxima destruição.


QUINTA-FEIRA
18 às 23h30min

Última Ceia com os discípulos em Betânia
Mateus 26.17-29
Marcos 14.12-25
Lucas 22.7-20
João 13.1-38

Jesus convida para um jantar
os discípulos que o acompanham;
é assim que se despede dos que o amam.
Suas palavras todos vão guardar,
até hoje que sua volta estamos esperar
para a festa que a eternidade vai durar.


23h30min a Sexta-feira - 1h
Jesus no Jardim do Getsêmani
Mateus 26.36-46
Marcos 14.32-42
Lucas 22.40-46

Finda o dia, começa a vigília
dos membros da sua família
que em três anos conseguiu formar.
Pode com eles o Mestre contar?
Não, que seu sono é bem mais forte.
É sozinho que espera a morte;
é sozinho que seu suor verte.


SEXTA-FEIRA
1h às 1h30m min
Jesus espera por sua prisão
Mateus 26.36-46
Marcos 8.32-42
Lucas 22.39-46

Quando beija, Jesus abençoa.
Quando beija, Judas atraiçoa.

1h30m min às 3h
Jesus passa pelo primeiro julgamento diante de Anás
Jesus é atacado fisicamente
Jesus passa pelo segundo julgamento diante de Caifás e da Corte do Sinédrio
Jesus sangra
Mateus 26.47-56
Marcos 8.53
Lucas 22.47-54

Começa o interrogatório que não busca a verdade.
Começa a tortura, esta forma covarde de crueldade.
Para que defesa, se estava tudo combinado?
Para que palavras, se já estava condenado?
Por que não O ouviram quando pregou na colina?
Por que não quiseram receber Seu amor que ilumina?

3h às 5h
Jesus é preso no palácio de Caifás
Mateus 26.57
João 18.24

A conspiração, que se escondia no silêncio,
torna-se agora clara na luz do palácio.

5h às 6h
Jesus passa pelo terceiro julgamento. Sai a decisão para pedir ao governo romano para matar Jesus
Mateus 27.1
Lucas 23/1
João 18.28

Diante do aterrorisado julgador
cresce o corpo do calador.
Jerusalém era cidade sem valor;
Roma não que lhe caberia melhor?

6h às 7h
Jesus passa pelo quarto julgamento diante de Pilatos que afirma não ter encontrado pecado nEle
Mateus 27.11-14
Marcos 15.2-5
Lucas 23.1-5
João 18.28-37

Pilatos é inteligente
e não vê pecado onde pecado não há.
Pilatos não é sábio
para um inocente libertar.

7h às 7h30min
Jesus passa pelo quinto julgamento diante de Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, que tinha jurisdição sobre a Galiléia. Jesus se recusa a responder a qualquer questão e é devolvido rapidamente a Pilatos.
Lucas 23.7-11

Para que falar, se já estava condenado?
Para que defesa, se seus juízes queriam brincar?
Joguem-no, como bola, de um para outro lado,
que seu lábio continuará plenamente fechado.

7h30min às 8h30min
Jesus passa pelo sexto julgamento. Pilatos tenta repetidamente libertar Jesus, mas os líderes judeus não aceitam. Pilatos tortura fisicamente e bate em Jesus para satisfazer os líderes judeus, mas eles exigem sua crucificação. Jesus acabou condenado.
Mateus 27.26
Marcos 15.15
Lucas 23.23-24
João 19.16

Sobre quem o sangue do inocente recairá?
Sobre aqueles que o hosanaram quando chegou?
Sobre aqueles que levaram a multidão por sua morte rogar?

8h30min às 9h
Soldados de Pilatos pegam Jesus no tribunal - Pretório - e se divertem com ele, torturando-o e colocando uma coroa de espinhos na sua cabeça
Mateus 27.27-31

Sobre quem o sangue do justo recairá?
Sobre aqueles que o fazem sangrar?
Sobre os que com espinhos o fazem coroar?

9h às 12h
Jesus é forçado a carregar sua própria cruz para a crucificação no Calvário
Mateus 27.32-34
Marcos 15.21-24
Lucas 23.26-31
João 19.16-17

Um homem a tiros vai morrer,
mas tem que levar a arma e a munição
que em minutos o liquidarão.
Um homem vai morrer enforcado,
mas tem que preparar a corda
em que seu pescoço ficará pendurado.
Um homem vai morrer crucificado;
não precisa comprar os próprios cravos,
mas tem que levar sobre o ombro sangrado
a própria cruz onde ficará dependurado.
Por que, se era justo? Por causa do meu pecado!

12h
Jesus é crucificado
Mateus 27.35-36
Marcos 25.22-24
Lucas 23.33

Quantas foram as marteladas?
Quantos foram os litros de sangue?
Quantas foram as bofetadas?
Quanto se divertiu a gangue?
Quantos foram os cravos usados?
Quantos socos foram dados?
Quantos panos foram rasgados?
Quantos insultos foram lançados?
Por que seus lábios ficaram calados?

13h
Jesus clama pelo Pai: "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?"
Mateus 27.46
Marcos 15.34
João 19.28-29

A agonia chega ao fim, um batismo de fogo,
a morte anunciada.
A Voz do Pai se ouviu no batismo anterior:
"Eis o meu Filho por quem tenho muito amor".
Agora, a palavra é negada.
"Por que, meu Senhor?"

14h
Jesus declara que tudo está consumado
João 19.30a
Lucas 23.46

A sétima palavra é o sétimo selo.
O selo revela o segredo.
A palavra guarda o mistério.
Este foi o seu ministério:
combater sem medo,
amando com todo zelo.


15h
Falecimento de Jesus
Terremoto
Mateus 27.51-52
Marcos 15.37

O corpo não cai
por causa dos pregos e dos cravos
que o prendem à cruz.
Os músculos esmorecem,
os olhos se escurecem,
a vida se vai no pus.

Soldados furam o corpo de Jesus, mas não Lhe quebram as pernas
João 19.34

Os soldados não conhecem o Roteiro
que diz que seus ossos não serão quebrados,
como acontecia com todos os crucificados.
Os soldados se aproximam do madeiro
mas se contentam com o sangue que escorre
pela ponta da lança quando o Justo morre.

18h
Enterro de Jesus no túmulo de José de Arimatéia
Mateus 27.57-66
Marcos 15.42-47
Lucas 23.50-56
João 19.31-42

Viva José de Arimatéia, rico duplamente.
de bens muitos e de amplo coração,
para doar um túmulo para guardar o corpo
de Quem, vivo, não teve dinheiro para o seu,
embora Senhor dos bens e da hora,
Ele foi humilhado mais uma vez,
depositado num túmulo que não era seu.

Mulheres vêem o sepulcro
Marcos 15.47
Lucas 23.55

Em raro silêncio, as mulheres não temeram a madrugada.
Nenhuma delas temeu ser assaltada.
Nenhuma delas aceitou a morte do filho de Maria.
Nenhum delas seu corpo abandonaria.
Em raro silêncio, sem trocar uma palavra sequer,
foram ao sepulcro fazer o que lhes era mister:
cuidar do corpo dAquele que lhes ensinara viver.

SÁBADO
(Nada acontece.)

Nada acontece
porque tudo a contece.
Em algum momento fora da história,
Deus profere sua palavra de glória.
Ninguém percebe,
o Espírito a rocha recebe
com a ordem que transcende.
De testemunhas Deus não depende
quando a morte fende.


CRONOLOGIA DE JESUS RESSURRETO
DOMINGO
Jesus aparece a Maria Madalena
Marcos 16.2-13
João 20.11-18

Jesus não escolhe, para se dar a conhecer,
os grandes da terra, mas exalta uma pequena,
a há tanto tempo discípula Maria Madalena.
E na madrugada clara foi encontrar esta mulher.

Jesus aparece aos dois a caminho de Emaús
Marcos 16.12-13
Lucas 24.13-35

Os discípulos de Emaús como o Jacó antigo são:
diante de Jesus e sob as chamas de sua presença,
não reconhecem a razão de tamanha ardência
e precisam esperar mais para ver a ressurreição.

Jesus aparece a dez discípulos
Marcos 16.14
Lucas 24.36-43
João 20.19-25

Ele aparece ao anônimo e ao pequeno,
até encontrar o querido grupo dianteiro:
até na ressurreição, atua a lógica do Reino:
é primeiro quem é ultimo; é ultimo o primeiro.

UMA SEMANA DEPOIS DA RESSURREIÇÃO
Jesus aparece aos 11 discípulos
João 20.26-29

Diga-me, se puder,
meu querido Tomé:
você colocou mesmo o dedo
na ferida de Jesus de Nazaré
ou vai guardar isto como segredo?


DUAS SEMANAS DEPOIS DA RESSURREIÇÃO
Jesus aparece a sete discípulos no Mar da Galiléia
João 21.1-25

Ei-nos novamente e sozinhos no mar
lançando nossas redes para pescar.
Não temos mais o Mestre a nos ensinar;
mesmo na fome, não há peixes a pegar.

Ei-nos novamente com Jesus no mar
lançando nossas redes para pescar.
Agora temos o Mestre a nos ensinar.
É tanto peixe que a rede pode se rasgar.

ALGUMAS SEMANAS DEPOIS DA RESSURREIÇÃO
Jesus aparece a 500 seguidores
1Coríntios 15.6

Esperamos, reunidos, reunidos ficamos esperando.
cultuando, Ceiando, adorando, jejuando
até que nosso Mestre apareceu.
Ele veio, nossas perguntas respondeu.

40 DIAS DEPOIS DA RESSURREIÇÃO
Jesus aparece no Monte das Oliveiras e ascende aos céus
Mateus 28.16-20
Marcos 16.19-20
Lucas 24.44-53
Atos 1.4-11

Jesus vivo. Uma vida com sentido.
Jesus morto. Um itinerário todo fosco.
Vivo, Ele vem para ir ao céu, sua morada.
De nós se despede, mas nos deixa abastecido
com a missão de sua graça anunciar
e os discípulos do mundo batizar
por nós mesmos a começar.
Nossa tarefa é missionária:
construir a ponte necessária
que permite ao céu a chegada.
Tarefa difícil, mas Jesus está conosco
até nossa história terminar.

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(*) Israel Belo de Azevedo - formado em teologia pelo STBSB - Seminário do Sul em 1975. Bacharel em Comunicação, especialista em História do Brasil, mestre em Teologia e doutor em Filosofia. É diretor geral da FABAT /Seminário do Sul e pastor da Igreja Batista Itacuruçá, Tijuca, Rio/RJ
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